Jogo na cara: sou contra cotas a quem quer que seja. Sim, discordo que negros, pobres ou quaisquer outros grupos étnicos ou sociais sejam beneficiados por cotas. COTAS, não BOLSA para alunos merecedores; deixo isso claro. Mas antes que soltem as costumazes verborragias de “invejoso” (nunca vão engolir o que falei a respeito do Che), “fascista”, “racista”, “reacionário”, “recalcado“, "direitista”, “bushista” e de outros adjetivos dignos de uma esquerda ansiosa pelo poder, me respondam à seguinte pergunta: POR QUE NEGROS E POBRES NÃO FREQÜENTAM UMA FACULDADE E PRINCIPALMENTE NÃO FREQÜENTAM AS UNIVERSIDADES PÚBLICAS, DE QUALIDADE SUPERIOR E GRATUITAS???
No caso dos negros, há várias respostas possíveis. Algumas delas seriam:
1) O negro é o cidadão mais rejeitado no mercado de trabalho, por isso, a taxa de desemprego – e consequëntemente a pobreza - entre os negros é maior;
2) A remuneração salarial de um negro é menor que a de um branco que desempenha as mesmíssimas funções que este;
3) O (a) reitor (a) da universidade proíbe o ingresso de negros em seus estabelecimentos de ensino;
4) Os negros e pobres têm capacidade intelectual inferior a dos brancos;
Essas duas últimas possibilidades são menos prováveis; as outras duas costumam ser usadas como argumento na defesa das cotas, baseados em estudos sérios a respeito ou não. Se for o caso, por que as entidades que defendem a igualdade racial não se mobilizam contra esses atos discriminatórios? O que os sindicatos estão fazendo a respeito? Se essas duas possibilidades são verdadeiras (na minha opinião, acredito que sim), então a população negra – e a pobre também – será obrigada a estudar em escolas de qualidade inferior (leia-se: públicas) ou serão, na maioria, obrigados a largar os estudos para ajudar no sustento da família, resultando na vergonhosa realidade da exclusão social que atinge principalmente os negros. Então, senhoras e senhores, vamos resolver as causas, e não as conseqüências, a menos que queiram que os filhos e netos do Pelé, do Netinho, da dona Matilde e da Benedita da Silva, e do senador Paim peguem carona nesse trenzinho da alegria!!!
Além disso, há uma outra vergonhosa questão a ser resolvida: POR QUE ESTUDANTES RICOS ESTUDAM EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS, GRATUITAS E BOAS E OS ESTUDANTES POBRES, E PRINCIPALMENTE NEGROS, ESTUDAM EM UNIVERSIDADES PARTICULARES, RUINS E CARAS, QUANDO CURSAM UMA FACULDADE???
Claro, mesmo o aluno rico tem o direito de estudar em instituições de ensino gratuitas, mas o que vemos é uma total inversão da lógica. Para entender isso, primeiramente, devemos dividir a vida escolar de um cidadão na sua tradicional classificação:
1) Ensino Regular (onde se inclui os ensinos fundamental e médio);
2) Ensino Superior;
Nessa classificação, o aluno deve seguir as etapas rigorosamente. Se alguém quer freqüentar o ensino superior, deve obrigatoriamente freqüentar o ensino médio; e para freqüentar este, deve obrigatoriamente freqüentar o ensino fundamental. É expressamente proibido pular etapas.
Quanto às instituições de ensino, elas são classificadas em:
1) Gratuitas, ou públicas;
2) Pagas, ou particulares;
Quanto à qualidade do ensino, vamos classificar de:
1) Nota A, de qualidade superior;
2) Nota B, de qualidade inferior;
Analisando a grosso modo essa última classificação, um aluno que teve um ensino de nota A em qualquer etapa, terá um ensino de nota A nas etapas seguintes, salvo problemas financeiros. O mesmo continuismo acontecerá com alunos que tiveram ensino de nota B, mesmo que haja uma melhoria na renda familiar, pois é improvável que um aluno que teve um ensino fraco no ensino regular consiga acompanhar o currículo das melhores faculdades. E as cotas nada podem fazer a respeito.
Pois bem, no Brasil, temos as seguintes combinações:
O ensino regular pode ser:
a) pago e nota A;
b) gratuito e nota B;
E o ensino superior, a coisa inverte:
a) pago e nota B;
b) gratuito e nota A;
Como citei antes, para alcançar o ensino superior, é necessário cursar o ensino regular. Para a população pobre em geral, e negra em particular, a única alternativa que lhes restam é começar pelo ensino regular gratuito e de qualidade inferior (nota B), já que suas condições financeiras praticamente impossibilitam de freqüentar um ensino regular pago e de qualidade superior (nota A).
Mas as verdadeiras distorções começam no ensino superior. Primeiro, porque nessa etapa, o governo oferece um ensino público, gratuito, de nota A, enquanto no ensino regular ofereceu um ensino público, gratuita, de nota B. Ora, para alcançar um ensino superior nota A, é necessário que o ensino regular também seja de qualidade A. Por isso, negros e pobres raramente alcançam o ensino gratuito e de qualidade superior. Por outro lado, devido às condições financeiras, nem mesmo nas universidades de nota B poderão freqüentar porque são caras e ainda por cima os negros ganham menos devido aos dois primeiros fatores citados no começo de texto. E para o grand finalle dessa distorção, os alunos que freqüentaram o ensino regular de ensino A, poderão freqüentar o ensino de qualidade A GRATUITAMENTE.
De quem é a culpa disso? Da burguesia? Das elites? Dos poderosos? Apesar de serem os maiores beneficiários dessa política, os culpados são outros. O primeiro deles são os governos. Os governos municipais são responsáveis pelo ensino regular, os governos estaduais pelos regulares e superiores em alguns casos, e o federal pelo ensino superior. Pronto, cada esfera do governo adota políticas diferentes de ensino, e empregam nas escolas recursos financeiros diferentes, o que resulta nessa distorção. Depois deles, são os próprios administradores de faculdades particulares, mais interessados na acumulação mais obscena possível de seus lucros em curto prazo que na qualidade do ensino e no futuro profissional de seus alunos.
Por tudo isso sou contra as cotas raciais. Isso não passa de uma solução cômoda, simplista e populista para um problema amplo. Pensem nisso!!!
Analisando, questionando e comentando, sem medo de gerúndios, o que há por trás do que lemos e ouvimos no decorrer dos anos ou temas atuais de forma levemente didática!!!
sábado, 15 de março de 2008
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Já pagou seu ICMS hoje?
O ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) é um imposto estadual, mesmo assim o governo federal tira a sua lasquinha graças à circulação de bens e serviços entre os estados. Também possui a maior camada tributária entre os impostos sobre os produtos. Cerca de dois terços de todos os impostos incidente sobre os produtos é composto de ICMS.
Bem, mas quero falar sobre algo mais específico: o que você realmente paga de ICMS? Quando se trata de calcular o imposto sobre um produto, normalmente usamos como base o seu preço. É o certo, é o constitucional, mas infelizmente essa regra não vale para o ICMS.
A Lei Complementar nº 87 / 96, que trata sobre o ICMS, no artigo 13 não deixa dúvidas:
....................................................................................................
§ 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo:
I - O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle.
Entenderam? Então vou explicar: ao invés do preço do produto constituir a base de cálculo, esta base será o preço final do produto, já acrescentando o ICMS. Entenderam? Então vai outra explicação. Suponha que um quilo de feijão ou arroz seja R$ 2,00. Como o ICMS para a cesta básica na maioria dos estados é de aproximadamente 12%, então o ICMS a ser cobrado por esse produto será de R$ 0,24, certo? Deveria ser, mas não é. Como os 12% referem-se ao preço já acrescido de ICMS, então o cálculo – e o resultado – será outro. No primeiro caso, usamos a equação P x t, onde P é o preço do produto e t a alíquota de ICMS, assim, descobrimos quanto de ICMS DEVERÍAMOS pagar; mas segundo a lei, a equação correta é P x t / (1 – t). Com essa equação, pagar-se-á pelo produto R$ 0,27, ou seja,13,64% do valor do produto e 13,64% a mais do que pagaria se o ICMS incidisse sobre unicamente ao preço do produto.
Se acrescentarmos esses R$ 0,27 ao preço do produto, teremos o preço final de R$ 2,27.
Esses R$ 0,27 são, na verdade, 12% de R$ 2,27. Entenderam? Bacana esse joguinho de números.
Em produtos onde o ICMS chega a 25% (acredito que essa seja a alíquota máxima permitida), você pagará na verdade 33,33%. Um produto que custa R$ 100,00 e no qual incide 25% de ICMS, não será cobrado R$ 25,00, mas R$ 33,33, já que esse valor corresponde a 25% de R$ 133,33 (o valor do produto mais o valor de ICMS que irá pagar). Legal isso (legal no sentido figurado, é claro).
Mas onde estão nossas autoridades para contestar essa incostitucionalidade? Bem, quando pensaram em agir, já era tarde demais. O estrago tava feito. E como em todo bom imposto regressivo, onde a alíquota é inversamente proporcional à renda do cidadão, adivinhem qual é a classe social que acaba pagando a conta?
Bem, mas quero falar sobre algo mais específico: o que você realmente paga de ICMS? Quando se trata de calcular o imposto sobre um produto, normalmente usamos como base o seu preço. É o certo, é o constitucional, mas infelizmente essa regra não vale para o ICMS.
A Lei Complementar nº 87 / 96, que trata sobre o ICMS, no artigo 13 não deixa dúvidas:
....................................................................................................
§ 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo:
I - O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle.
Entenderam? Então vou explicar: ao invés do preço do produto constituir a base de cálculo, esta base será o preço final do produto, já acrescentando o ICMS. Entenderam? Então vai outra explicação. Suponha que um quilo de feijão ou arroz seja R$ 2,00. Como o ICMS para a cesta básica na maioria dos estados é de aproximadamente 12%, então o ICMS a ser cobrado por esse produto será de R$ 0,24, certo? Deveria ser, mas não é. Como os 12% referem-se ao preço já acrescido de ICMS, então o cálculo – e o resultado – será outro. No primeiro caso, usamos a equação P x t, onde P é o preço do produto e t a alíquota de ICMS, assim, descobrimos quanto de ICMS DEVERÍAMOS pagar; mas segundo a lei, a equação correta é P x t / (1 – t). Com essa equação, pagar-se-á pelo produto R$ 0,27, ou seja,13,64% do valor do produto e 13,64% a mais do que pagaria se o ICMS incidisse sobre unicamente ao preço do produto.
Se acrescentarmos esses R$ 0,27 ao preço do produto, teremos o preço final de R$ 2,27.
Esses R$ 0,27 são, na verdade, 12% de R$ 2,27. Entenderam? Bacana esse joguinho de números.
Em produtos onde o ICMS chega a 25% (acredito que essa seja a alíquota máxima permitida), você pagará na verdade 33,33%. Um produto que custa R$ 100,00 e no qual incide 25% de ICMS, não será cobrado R$ 25,00, mas R$ 33,33, já que esse valor corresponde a 25% de R$ 133,33 (o valor do produto mais o valor de ICMS que irá pagar). Legal isso (legal no sentido figurado, é claro).
Mas onde estão nossas autoridades para contestar essa incostitucionalidade? Bem, quando pensaram em agir, já era tarde demais. O estrago tava feito. E como em todo bom imposto regressivo, onde a alíquota é inversamente proporcional à renda do cidadão, adivinhem qual é a classe social que acaba pagando a conta?
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Eu queria ser Che, mas...
Sim, gostaria de ser como Ernesto Guevara de la Serna: “um amante da liberdade”, um “defensor dos fracos e oprimidos”, um anti-americano visceral, e tudo mais a que ele teve o direito de ser. Mas enquanto divagava essa possibilidade, vi que eu ia tropeçar em muitos pré-requisitos para o cargo (á exceção é que eu também sou o mais velho entre cinco filhos, como ele); então conclui que é muito mais fácil para eu obter um importante cargo ao lado do presidente da Coca-Cola no Brasil do que ser como o meu ídolo “Che”.
O primeiro osbstáculo para ter sido Che é que eu não pertenço à classe média, como ele pertencia. Não tinha uma biblioteca em casa, embora tinha em casa uma enciclopédia sobre vários assuntos. Nenhum deles sobre política, mas de história e ciências. Assim como ele, eu também tive uma formação esquerdista em casa, mas nada de Marx e Lênin, ao menos, não diretamente. Minha formação era petista do início dos anos 80, das primeiras eleições que o PT concorreu.
Até agora, bem que tentei alcançar tais pré-requisitos, mas agora os obstáculos anteriores ganham estacas pontiagudas: eu não tinha asma, nem qualquer outra doença, por isso, não poderia usar o truque da água gelada para provocar um ataque de asma e escapar do serviço militar. Eu concordava em servir ao governo? Não, nem ele com o dele, mas tive a sorte de ter sido dispensado pelo “excesso de contingente”. Um subterfúgio nada espetacular se comparado ao dele.
Alcancei meus 24 anos de idade, idade com que Che desbravou a América do Sul com sua “La Poderosa”, tentei compra uma moto tão potente quanto foi sua “La Poderosa” na época, mas tive que escolher entre uma motocicleta potente e uma faculdade. Apostei minha minguada economia na faculdade. Não sei se foi uma boa escolha, pois, além do tempo gasto (muito maior que seu percurso pela América Latina), das dificuldades financeiras decorrente da minha escolha (acho que superiores aos seus gastos com gasolina, alimentação, etc...), ainda não alcancei um centésimo da sua reputação, apesar de dar aulas particulares de matemática a preços módicos para a população de classe sub-média (as vezes de graça) para aliviar meu aperto financeiro.
Finalmente, nas portas e janelas dos meus trinta e dois anos de idade (dia 31/03. Eu quero presente), consegui comprar um carro – um Clio Sedan, ano 2003. Mas porque não escolhi uma moto, que tem um preço bem mais em conta? O problema é que uma moto compatível com a Norton 500 do Che era quase o mesmo preço de um carro, e sabe como é...só cabem três pessoas, e minha família tem o dobro disso.
Mas posso ir com o meu Clio mesmo para as estradas da América Latina. Sim, mas precisaria deixar meu emprego, ficaria sem dinheiro para a gasolina, alimentação, minha família teria dificuldades financeiras ainda maiores, enfim, teria que fazer sacrifícios maiores que o nosso Che fez.
Por fim, mesmo que me arriscasse, eu precisaria encontrar um conflito armado. Talvez me metesse na guerra entre as Farcs e o governo de Álvaro Uribe. Apesar do meu desejo de ser um “amante-da-liberdade-com-o-vento-esparramando-minhas-melenas”, teria que me unir as Farcs, que não amam muito a liberdade alheia, mas que estão de acordo com minha antiga formação petista e che-guevarista.
E o pior de tudo: jamais ia poder ajudar os leprosos, pois não tenho formação de medicina. Para conseguir isso, meus pais precisariam vender nossa confortável casa nos subúrbios para pagar as primeiras mensalidades, e morar numa modesta casa, também nos subúrbios, mas meu ídolo não precisou de tanto, e é claro, nem mesmo ele ousaria tanto.
Enfim, desisti de ser um sentinela da liberdade sul-americano. Só me resta admirar sua juventude na Argentina, sua astúcia em escapar do serviço militar de um governo opressor, seu desejo de largar tudo em nome da liberdade e salvar povos. Uma pena!!!
O primeiro osbstáculo para ter sido Che é que eu não pertenço à classe média, como ele pertencia. Não tinha uma biblioteca em casa, embora tinha em casa uma enciclopédia sobre vários assuntos. Nenhum deles sobre política, mas de história e ciências. Assim como ele, eu também tive uma formação esquerdista em casa, mas nada de Marx e Lênin, ao menos, não diretamente. Minha formação era petista do início dos anos 80, das primeiras eleições que o PT concorreu.
Até agora, bem que tentei alcançar tais pré-requisitos, mas agora os obstáculos anteriores ganham estacas pontiagudas: eu não tinha asma, nem qualquer outra doença, por isso, não poderia usar o truque da água gelada para provocar um ataque de asma e escapar do serviço militar. Eu concordava em servir ao governo? Não, nem ele com o dele, mas tive a sorte de ter sido dispensado pelo “excesso de contingente”. Um subterfúgio nada espetacular se comparado ao dele.
Alcancei meus 24 anos de idade, idade com que Che desbravou a América do Sul com sua “La Poderosa”, tentei compra uma moto tão potente quanto foi sua “La Poderosa” na época, mas tive que escolher entre uma motocicleta potente e uma faculdade. Apostei minha minguada economia na faculdade. Não sei se foi uma boa escolha, pois, além do tempo gasto (muito maior que seu percurso pela América Latina), das dificuldades financeiras decorrente da minha escolha (acho que superiores aos seus gastos com gasolina, alimentação, etc...), ainda não alcancei um centésimo da sua reputação, apesar de dar aulas particulares de matemática a preços módicos para a população de classe sub-média (as vezes de graça) para aliviar meu aperto financeiro.
Finalmente, nas portas e janelas dos meus trinta e dois anos de idade (dia 31/03. Eu quero presente), consegui comprar um carro – um Clio Sedan, ano 2003. Mas porque não escolhi uma moto, que tem um preço bem mais em conta? O problema é que uma moto compatível com a Norton 500 do Che era quase o mesmo preço de um carro, e sabe como é...só cabem três pessoas, e minha família tem o dobro disso.
Mas posso ir com o meu Clio mesmo para as estradas da América Latina. Sim, mas precisaria deixar meu emprego, ficaria sem dinheiro para a gasolina, alimentação, minha família teria dificuldades financeiras ainda maiores, enfim, teria que fazer sacrifícios maiores que o nosso Che fez.
Por fim, mesmo que me arriscasse, eu precisaria encontrar um conflito armado. Talvez me metesse na guerra entre as Farcs e o governo de Álvaro Uribe. Apesar do meu desejo de ser um “amante-da-liberdade-com-o-vento-esparramando-minhas-melenas”, teria que me unir as Farcs, que não amam muito a liberdade alheia, mas que estão de acordo com minha antiga formação petista e che-guevarista.
E o pior de tudo: jamais ia poder ajudar os leprosos, pois não tenho formação de medicina. Para conseguir isso, meus pais precisariam vender nossa confortável casa nos subúrbios para pagar as primeiras mensalidades, e morar numa modesta casa, também nos subúrbios, mas meu ídolo não precisou de tanto, e é claro, nem mesmo ele ousaria tanto.
Enfim, desisti de ser um sentinela da liberdade sul-americano. Só me resta admirar sua juventude na Argentina, sua astúcia em escapar do serviço militar de um governo opressor, seu desejo de largar tudo em nome da liberdade e salvar povos. Uma pena!!!
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Passo Fundo: minha e da Natália
Devido às declarações infelizes da participante do BBB 08, Natália, e de sua conduta que parece representar todas as mulheres dessa cidade, venho por meio deste blog esclarecer algumas coisas a respeito de nossa (minha, dela, e de outros milhares) cidade.
Passo Fundo, localizada no norte do RS, é a cidade mais populosa dessa região - 183.200 habitantes, segundo estimativas do IBGE – talvez por isso, ela reúne todas as qualidades e defeitos de cidades de grande e pequeno porte. Além dessa anormal (desculpem-me a franqueza), temos o ex-técnico da seleção brasileira, Felipão, e o falecido cantor Teixeirinha como filhos ilustres.
Passo Fundo sedia vários eventos culturais, entre eles, um dos maiores eventos literários da América Latina: a Jornada de Literatura, e o Festival Internacional do Folclore, um dos maiores e bem organizados do mundo, e mais recentemente, a encenação anual de um dos maiores conflitos armados ocorridos no RS: a Batalha do Pulador, ocorrida aqui.
Uma amiga paulista virtual me falou no MSN que dava a entender que não existia nem asfalto em Passo Fundo. Então a pergunta é inevitável: existem avenidas asfaltadas em Passo Fundo? Não...não somente há avenidas asfaltadas, mas também as ruas dos bairros mais distantes do centro da cidade são asfaltadas. Dizem que há mais asfaltos aqui que na capital gaúcha, Porto Alegre. Dúvidas à parte, só sei que proporcionalmente isso é verdade.
Mulheres? Lindas, mas como sou suspeito em afirmar isso, pergunta a um amigo da sua cidade que já teve o prazer de vê-las. Promíscuas como ela? Em toda a minha vida, não encontrei nenhuma. Claro, existem mulheres promíscuas, existem as mais recatadas, mas proporcionalmente são raras as natálias por aqui. Talvez por isso ela considere nossa cidade um atoleiro, grotão, e sabe-se lá que outros adjetivos ela usou para se referir a nossa cidade.
Passo Fundo tem pontos negativos? Sim. Falta de uma vocação industrial responsável pela saída de várias indústrias nos últimos vinte anos, o descaso com prédios quase centenários (a cidade tem apenas 150 anos de emancipação), a transformação da maior e mais tradicional sala de cinema e teatro em uma garagem, a exigência de uma “boa apresentação” em todos os lugares que se vá (se não estiver bem vestido...!), poucas opções de lazer, motoristas afobados e um certo grau de provincianismo da população.
E que outros pontos positivos existem aqui além dos citados acima? Uma das melhores frotas ônibus do Brasil, renovada a cada dois anos, e com direito à música e, em alguns casos, a um butijão de água mineral a sua espera na porta da saída. Uma das maiores (ou a maior, não tenho certeza) usinas de biodíesel da América Latina. A pitoresca “mateada na praça”, onde as pessoas se reúnem nos canteiros centrais à tardinha para saborear um chimarrão. Um verdejante campus universitário aberto ao público para lazer. Um povo receptivo...
Como procurei explicar, Passo Fundo não é exatamente um modelo de civilização, mas está longe de ser o “cafundó do brejo”. Será que já não basta o nome “Passo Fundo” passar essa impressão? O nome vem do rio Passo Fundo, que corta a cidade, que por sua vez era ponto de descanso e recomposição dos tropeiros que se dirigiam para São Paulo. Devido à dificuldade de acesso que o rio oferecia aos tropeiros, ele recebeu dos mesmos o nome de Passo Fundo.
Esse é o meu retrato da cidade da Natália e dos “gatorros” (alguém se lembra disso?). Para maiores informações, consultem esses dois sites:
https://www.pmpf.rs.gov.br/portal/geral/portal/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Passo_Fundo
E um beijão pra Natália!
Passo Fundo, localizada no norte do RS, é a cidade mais populosa dessa região - 183.200 habitantes, segundo estimativas do IBGE – talvez por isso, ela reúne todas as qualidades e defeitos de cidades de grande e pequeno porte. Além dessa anormal (desculpem-me a franqueza), temos o ex-técnico da seleção brasileira, Felipão, e o falecido cantor Teixeirinha como filhos ilustres.
Passo Fundo sedia vários eventos culturais, entre eles, um dos maiores eventos literários da América Latina: a Jornada de Literatura, e o Festival Internacional do Folclore, um dos maiores e bem organizados do mundo, e mais recentemente, a encenação anual de um dos maiores conflitos armados ocorridos no RS: a Batalha do Pulador, ocorrida aqui.
Uma amiga paulista virtual me falou no MSN que dava a entender que não existia nem asfalto em Passo Fundo. Então a pergunta é inevitável: existem avenidas asfaltadas em Passo Fundo? Não...não somente há avenidas asfaltadas, mas também as ruas dos bairros mais distantes do centro da cidade são asfaltadas. Dizem que há mais asfaltos aqui que na capital gaúcha, Porto Alegre. Dúvidas à parte, só sei que proporcionalmente isso é verdade.
Mulheres? Lindas, mas como sou suspeito em afirmar isso, pergunta a um amigo da sua cidade que já teve o prazer de vê-las. Promíscuas como ela? Em toda a minha vida, não encontrei nenhuma. Claro, existem mulheres promíscuas, existem as mais recatadas, mas proporcionalmente são raras as natálias por aqui. Talvez por isso ela considere nossa cidade um atoleiro, grotão, e sabe-se lá que outros adjetivos ela usou para se referir a nossa cidade.
Passo Fundo tem pontos negativos? Sim. Falta de uma vocação industrial responsável pela saída de várias indústrias nos últimos vinte anos, o descaso com prédios quase centenários (a cidade tem apenas 150 anos de emancipação), a transformação da maior e mais tradicional sala de cinema e teatro em uma garagem, a exigência de uma “boa apresentação” em todos os lugares que se vá (se não estiver bem vestido...!), poucas opções de lazer, motoristas afobados e um certo grau de provincianismo da população.
E que outros pontos positivos existem aqui além dos citados acima? Uma das melhores frotas ônibus do Brasil, renovada a cada dois anos, e com direito à música e, em alguns casos, a um butijão de água mineral a sua espera na porta da saída. Uma das maiores (ou a maior, não tenho certeza) usinas de biodíesel da América Latina. A pitoresca “mateada na praça”, onde as pessoas se reúnem nos canteiros centrais à tardinha para saborear um chimarrão. Um verdejante campus universitário aberto ao público para lazer. Um povo receptivo...
Como procurei explicar, Passo Fundo não é exatamente um modelo de civilização, mas está longe de ser o “cafundó do brejo”. Será que já não basta o nome “Passo Fundo” passar essa impressão? O nome vem do rio Passo Fundo, que corta a cidade, que por sua vez era ponto de descanso e recomposição dos tropeiros que se dirigiam para São Paulo. Devido à dificuldade de acesso que o rio oferecia aos tropeiros, ele recebeu dos mesmos o nome de Passo Fundo.
Esse é o meu retrato da cidade da Natália e dos “gatorros” (alguém se lembra disso?). Para maiores informações, consultem esses dois sites:
https://www.pmpf.rs.gov.br/portal/geral/portal/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Passo_Fundo
E um beijão pra Natália!
sábado, 26 de janeiro de 2008
Esquerda e direita (ou vice-versa)
Seja numa casa, numa empresa pública ou privada, a principal preocupação de quem é responsável por essas instituições é administrar os recursos que têm. Na sua casa, o(a) responsável pela família esbanja luz, água ou joga dinheiro fora de alguma outra forma simplesmente porque está sendo fiel a sua ideologia? Imaginem a seguinte situação: o(a) responsável pela família resolve comprar uma televisão para cada quarto, mesmo que o orçamento familiar não permite essa compra e que aumentará o gasto com energia elétrica, pela simples razão que "todos na casa merecem assistir televisão confortavelmente no seu quarto".
Se uma empresa que opera no vermelho começar a promover um campeonato de futebol para os empregados pela simples razão que "todo o trabalhador merece diversão e aliviar as tensões causadas pela atual situação da empresa", será que algum sindicato ou "representante do povo" iria aprovar tal atitude?
Pois bem, é assim que a esquerda e direita operam nos lugares onde administram. O que importa para ambos os lados é agradar os seus simpatizantes ou eleitores, não importando a situação financeira do lugar onde governa. Claro, há casos em ambos os lados de governantes que realmente governam com sabedoria; nesses casos, sua ideologia pouco ou nada conta em suas decisões. Mas ainda há gente que taxam esses governantes de "não-atuantes" ou que "abandonou a Causa". A essas pessoas, que peçam uma televisão para o seu quarto enquanto sua casa se infesta de goteiras.
Se uma empresa que opera no vermelho começar a promover um campeonato de futebol para os empregados pela simples razão que "todo o trabalhador merece diversão e aliviar as tensões causadas pela atual situação da empresa", será que algum sindicato ou "representante do povo" iria aprovar tal atitude?
Pois bem, é assim que a esquerda e direita operam nos lugares onde administram. O que importa para ambos os lados é agradar os seus simpatizantes ou eleitores, não importando a situação financeira do lugar onde governa. Claro, há casos em ambos os lados de governantes que realmente governam com sabedoria; nesses casos, sua ideologia pouco ou nada conta em suas decisões. Mas ainda há gente que taxam esses governantes de "não-atuantes" ou que "abandonou a Causa". A essas pessoas, que peçam uma televisão para o seu quarto enquanto sua casa se infesta de goteiras.
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