terça-feira, 29 de abril de 2008

Sobre classes e cestas básicas!!!

Como você definiria uma família que tivesse uma renda mensal de R$ 10.000,00??? E uma cuja renda mensal é de R$ 3.000,00??? Vou tentar adivinhar sua resposta: classe média alta e classe média normal, respectivamente, certo??? Bem, eu questiono isso. E se a primeira família for composta por dez pessoas e a segunda família por apenas um casal??? A primeira família terá uma renda per capita mensal de R$ 1.000,00 e a segunda família terá R$ 1.500,00 para cada um. É engraçado, mas muitas pessoas e até algumas instituições das áreas econômicas e sociais não levam em conta esse detalhe!!!

Agora que vocês também já se deram conta disso, notem melhor a discrepância: o sujeito que tem R$ 1.500,00 por mês a sua disposição será considerado um membro da classe média normal; e um sujeito que tem a sua disposição R$ 1.000,00 mensais poderá ser considerado um membro da classe média alta (ou “dazelite”, como preferir). Isso é quase tão estranho quanto o fato do aluno rico estudar numa universidade gratuita enquanto o aluno pobre se arrebenta para pagar uma universidade de qualidade inferior!!!

Tudo bem, agora está tudo resolvido: basta dividir a renda mensal da família pelo total de membros desta; com o resultado, podemos ao menos ter uma idéia sobre qual classe social o sujeito realmente pertence, certo??? Ainda não. Veja o preço da cesta básica nas capitais, de março de 2008, segundo o DIEESE. Como essas cestas básicas regionais sofrem algumas alterações nas quantidades de produtos, então optei em padronizar de acordo com a cesta básica de São Paulo com exceção da batata, que deixarei de fora porque não possui na cesta básica de Recife, a outra capital que usarei como exemplo. Se a nossa família de R$ 10.000,00 vive em São Paulo, então ela poderá transformar sua renda em 46,67 cestas básicas. A coisa será diferente se a família se mudar para Recife [para localizar a cesta básica de Recife, use o mesmo link de São Paulo. O link de Recife estranhamente está mostrando os preços de janeiro de 2007]. Lá, a cesta básica de São Paulo, lembrando que joguei a batata fora, custará 17, 27% a menos. Nesse caso, a grande família ficará 20,87% mais rica. E então??? Como se não bastasse ter que dividir toda a renda familiar com cada membro da família, ainda temos que considerar o custo de vida de cada lugar. Isso que nem o DIEESE e nem outras fontes conhecidas dispõem de dados sobre as cestas básicas de uma cidade qualquer do interior, senão podíamos saber de quanto seria o aumento do poder aquisitivo da família “dezmiliana” nessas cidades!!!

Nossa, agora você viu como não é tão simples definir quem é pobre e quem é rico nesse e em qualquer país do mundo. Dez mil reais por mês??? E daí??? Com quantas pessoas terá que dividir esse dinheiro, ou melhor, quantas cestas básicas comprará aqui ou acolá e com quantas pessoas terá que dividí-la??? Quem terá um poder aquisitivo maior: o casal de R$ 3.000,00 vivendo em São Paulo ou a grande família de R$ 10.000,00 vivendo em Recife??? Darei só cinco dias para resolver o enigma!!!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Não quebre a corrente!!!

Eu, você e todos que têm e-mail costumamos receber as ditas “correntes”. Antes era na base da folha de papel, agora é via internet. “Passe esse texto para 20 pessoas, e no dia seguinte verá que seu maior sonho se realizará”. É mais ou menos isso que eles escrevem para convencê-lo (a) a seguir adiante com essa corrente. Partindo do pressuposto que uma dessas correntes que recebeste pode ter sido criada há anos atrás, posso concluir que esse mesmo texto não é o original. “Fulano de tal era um homem próspero. Quebrou a corrente e faliu. Uma semana depois, ele pegou de volta e repassou para vinte pessoas; e recuperou milagrosamente sua fortuna” - são chantagens desse tipo que acompanham essas correntes (“chantagem” é uma palavra tããão feia, mas na falta de uma mais apropriada...). Certamente isso não estava escrito no texto original, pois antes deste ser criado, não havia nenhum milionário que leu o texto, já que não havia texto, tampouco havia um pobretão que leu o texto e ficou rico!!!

Por que estou falando sobre isso??? Primeiro, porque acho que ninguém mais agüenta ouvir falar no caso Isabella Nardoni; e segundo, por que estou cansado de abrir minha caixa de e-mails, abrir um que acho interessante, ler as primeiras linhas (aliás, essa é uma inovação: agora eles te ludibriam nas primeiras linhas ou quadros para depois morderem nas jugulares) e depois descobrir que tenho que repassar a tal corrente. Se serve de consolo, as chantagens também diminuíram. Agora é tudo mais sutil e inescapável!!!

Falando em “sutil e inescapável”, agora sou eu que enrolei você até chegar onde eu queria. Se essas “correntes” funcionassem, então em menos de oito lances, o mundo seria um lugar onde todas as pessoas seriam prósperas, felizes no amor, saudáveis, enfim, o mundo seria um paraíso. Defino como “lance” ou “degraus” cada etapa de transmissão dessas correntes. O primeiro lance é de quem cria o texto, que manda para vinte pessoas; o segundo lance será feito por essas vinte pessoas, que mandam para mais vinte; essas quatrocentas pessoas farão o terceiro lance e assim sucessivamente. Em apenas sete lances, se todos receberam o texto uma única vez, nada menos que 1.347.368.420 (um bilhão, trezentos e quarenta e sete milhões, trezentos e sessenta e oito mil, quatrocentos e vinte) terráqueos terão recebido o texto, desde o primeiro lance. Nesse sétimo lance, 1.280.000.000 pessoas receberam a corrente, se esse pessoal resolver seguir a corrente, então nada menos que 25.600.000.000 (vinte e cinco bilhões e seiscentas milhões) de pessoas receberão a corrente, ou seja, cada habitante da Terra receberá em média três ou quatro textos iguais!!!

Viram como é fácil mudar o mundo via correntes??? Em oito lances, o mundo transbordará felicidades. Supondo que cada lance demore meia semana, em apenas um mês ou em cinco semanas atingiremos a meta. Então, meus felizardos destinatários e remetentes - mãos à obra!!!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Entre a crença e a necessidade!!!

Deus existe ou não? Precisamos dele ou não? São duas questões básicas quando o assunto é Deus. É visto que a maioria dos teístas se encontram entre os mais pobres e com pouco instrução, enquanto os ateus se encontram entre as camadas mais ricas e instruídas da sociedade. Isso é considerado, entre os ateus, a prova de que a crença em Deus é para pessoas ignorantes e/ou que rejeitam a ciência. Claro, isso é uma visão priorística. Vários cientistas como Richard Dawking já divulgaram para o mundo porque não acreditam na existência de Deus (ou como ele mesmo disse, Sua existência é muito improvável). Outros, como o diretor do projeto Genoma, dos EUA, Francis Collins, acredita não apenas em Deus mas nos cânones do Cristianismo como a concepção de Jesus por uma menina virgem.

A primeira questão é polêmica. Ainda não li o livro A Linguagem de Deus, de Francis Collins, por isso não entrarei nessa questão, mesmo porque eu seria o 1.000.000º cidadão a comentar sobre isso. Prefiro entrar na segunda questão: PRECISAMOS DE DEUS OU NÃO? Creio que os ateus não precisam de Deus, pois para eles, todo e qualquer problema podem ser resolvidos sem o Seu envolvimento e que tudo depende apenas do bom senso dos próprios seres humanos; ou então o próprio ateísmo de alguns é o resultado de uma necessidade não atendida. Entre os teistas, Deus é necessário pois os homens pouco ou nada podem ou querem fazer pelo próximo, restando a Deus preencher tais lacunas.

Já fui um teista religioso; hoje sou algo próximo a um ateu, embora não um ateu definitivo. Se me perguntam se eu acredito ou não em Deus, respondo que não sei. E se me perguntam se precisamos de Deus ou não, respondo que precisamos sim daquele Deus bondoso e atencioso tão pregado pelas religiões nos dias de hoje, não daquele Deus terrível do Antigo Testamento, que exigia adoração acima de tudo. Mas porque precisamos Dele? É comum nos depararmos com a morte de pessoas queridas, parentes ou não, conhecidas ou não, seja por causas naturais, acidentais ou criminosas. Quando se vê ou se sente um sofrimento, será que não precisaríamos de Deus? Sim, uma equipe médica de primeira linha seria algo mais garantido, a menos que o médico-chefe dessa equipe nos diz para rezarmos ou, pior, para nos “prepararmos”.

Ontem, enquanto folhava o jornal, me deparei com a sessão de obituários. A primeira pessoa a ser apresentada foi uma mãe de família de 45 anos (portanto, muito jovem), morta por complicações de um tumor cerebral. A ironia maldosa é que ela era médica. Será que sua família não estava precisando de Deus nessa hora, mesmo que não exista? Seria a vida tranqüila e o futuro garantido de alguns o motivo de algumas pessoas em acreditar que não precisamos de Deus? Seria a felicidade desses o motivo para descartar a necessidade de Deus, caso ele exista? Se esses forem os motivos, então que falem por eles, e não pela humanidade.

E aqueles que estão angustiados ou sofrendo com as agruras da vida? Não estariam precisando de Deus? Eles estão precisando apenas de uma mão amiga de amigos? Também, mas o que eles podem oferecer além de um mínimo de conforto? O que restaria a nós quando nem mesmo os mais bondosos e habilidosos dos homens podem ajudar? Feliz daquele que acredita não precisar de Deus, pois é sinal que sua vida no momento está muito bem, obrigado, mas repito: falem isso por eles!!!

E a vida após a morte? Existe ou não? Mesmo que haja relatos de aparições de pessoas falecidas, acho prematuro afirmar que isso de fato exista. Mas passando reto por essa dúvida, acabamos nos deparando, também, com a necessidade ou não disso existir. Muitos dos que não acreditam na vida após a morte também questionam a necessidade dela existir. Isso é outro sinal de que sua vida é maravilhosa, nasceu vencedor ou se tornou um com o tempo. Será que a pessoa que já nasceu numa situação ruim, e que não teve sorte ou talento para sair dessa condição não necessitaria de uma segunda chance? E aqueles que morreram impunes por crimes que teriam cometido, deve ficar por isso mesmo? Já vi muitos falarem que “devemos aproveitar bem a nossa vida, ao invés de esperar por outra vida que não existirá”. E agora pergunto: E AQUELES QUE NÃO TEM UMA VIDA TÃO PERFEITA ASSIM PARA SER APROVEITADA, O QUE DIREMOS A ELES?

É provável que realmente não exista vida após a morte; ou senão pode existir aquilo que chamamos de reencarnação e carma, já que a ressurreição e a vida eterna no céu ou no inferno são realmente descabíveis.

Bem, vimos que há uma diferença entre acreditar e necessitar. E então, você acredita? E se não acredita, acha que necessita ou necessitará? E os outros (sempre eles!!!) necessitam ou necessitarão?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ali foi 1.000 vezes pior!!!

Quando se fala que a ditadura militar brasileira não foi tão terrível quanto se propaga, a inteligentsya vermelha já sai acusando o pobre comentarista de estar querendo minimizar a nossa ditadura, que “só quem passou por isso sabe como foi terrível”, de “seu fascista, filhote da ditadura” e coisas do gênero. No meu caso, tenho o agravante de ter falado coisas não muito agradáveis sobre Che, e ainda que nem cheguei a comentar os possíveis crimes cometidos por ele; só fiquei no trecho da sua biografia que tanto agrada os nossos vermelhinhos.

Por isso quero deixar bem claro que toda e qualquer ditadura é cruel e indesejável – inclusive a nossa - com exceção para muitos, da ditadura castrista (ditadura de esquerda póóóóóóde). Pois é, a nossa esquerda critica tanto a ditadura militar brasileira, mas saúdam o castrismo por causa, dizem, das boas condições de saúde e educação que o povo daquele país desfruta. Bem, não quero falar de hipocrisias, mas tentar esclarecer que houve ditaduras ainda piores que a nossa, e nem vou citar os casos óbvios de Hitler, Stálin, Pol Pot e Idi Amin, que foram casos distantes de nós geograficamente e se encontram em outro patamar de maldade. Vou falar de outra ditadura militar latino-americana e – regozijem-se esquerdistas – foi provocada por militares de extrema-direita caçadores de comunistas.

Quando se trata de mortes e desaparecimentos, as fontes divergem um pouco. Até agora foram contabilizados 400 mortos e desaparecidos na ditadura brasileira. É muito. Mas na Argentina, foram 30.000 desaparecidos, só não sei se nessa contagem estão incluídos os 4.000 ou 8.000 mortos de fato. Temos aí um genocídio.

Muito se fala dos 30.000 desaparecidos de Pinochet, mas pouco ou nada se comenta dos mesmos 30.000 desaparecidos da Argentina. Por que será??? Como os comentários da nossa-mídia e da nossa-esquerda a respeito das ditaduras chilena e argentina é quase que proporcional, posso supor que a nossa-esquerda tem como um dos passatempos prediletos criticar o que nossa-mídia comenta.

Bem, tô enrolando demais, então vou direto ao assunto. Vou começar a problemática novamente com uma pergunta: QUANTAS VÍTIMAS DA DITADURA VOCÊ CONHECE??? Uma? Duas? Dez? Vinte? Todas elas? Não importa. Pegue a sua resposta e multiplica por 1000. E agora??? Sim, a ditadura militar da Argentina foi 1.000 vezes pior que a nossa. Esse número não se trata de uma comparação figurativa; é uma comparação matemática, real. Como cheguei a esse número??? Se fosse considerar apenas os números absolutos, a realidade seria assustadura, afinal, foram 30.000 contra 400. Dividindo esses dois números, teremos como resultado 75. Nem comecei e já sabemos que houve 75 vezes mais mortos que aqui. Foi 75 vezes mais terrível que aqui. Considere que a ditadura argentina durou 7 anos contra 21 da nossa. Dividindo esses números, teremos 3. O que isso significa? Significa que, se a ditadura argentina durasse os nossos 21 anos, teríamos três vezes mais mortos e desaparecidos. 90.000 pra falar a verdade. Agora já podemos multiplicar os 75 por 3. Consideremos também que a população argentina é aproximadamente 4,5 vezes menor que a nossa. Se a Argentina tivesse uma população igual a do Brasil e sua ditadura durasse tanto quanto a nossa, teríamos 1000 vezes mais vítimas que aqui. Para chegar a essa conclusão, multiplique os 75 por 3 por 4,44 (assim pude arredondar para mil).

Bem, deixo bem claro novamente que a nossa ditadura foi terrível, mas a dos nossos vizinhos foi muito pior. Mil vezes pior para ser exato. E a história continua andando...!!!

sábado, 15 de março de 2008

Cotas??? Claro que não!!!

Jogo na cara: sou contra cotas a quem quer que seja. Sim, discordo que negros, pobres ou quaisquer outros grupos étnicos ou sociais sejam beneficiados por cotas. COTAS, não BOLSA para alunos merecedores; deixo isso claro. Mas antes que soltem as costumazes verborragias de “invejoso” (nunca vão engolir o que falei a respeito do Che), “fascista”, “racista”, “reacionário”, “recalcado“, "direitista”, “bushista” e de outros adjetivos dignos de uma esquerda ansiosa pelo poder, me respondam à seguinte pergunta: POR QUE NEGROS E POBRES NÃO FREQÜENTAM UMA FACULDADE E PRINCIPALMENTE NÃO FREQÜENTAM AS UNIVERSIDADES PÚBLICAS, DE QUALIDADE SUPERIOR E GRATUITAS???

No caso dos negros, há várias respostas possíveis. Algumas delas seriam:

1) O negro é o cidadão mais rejeitado no mercado de trabalho, por isso, a taxa de desemprego – e consequëntemente a pobreza - entre os negros é maior;
2) A remuneração salarial de um negro é menor que a de um branco que desempenha as mesmíssimas funções que este;
3) O (a) reitor (a) da universidade proíbe o ingresso de negros em seus estabelecimentos de ensino;
4) Os negros e pobres têm capacidade intelectual inferior a dos brancos;

Essas duas últimas possibilidades são menos prováveis; as outras duas costumam ser usadas como argumento na defesa das cotas, baseados em estudos sérios a respeito ou não. Se for o caso, por que as entidades que defendem a igualdade racial não se mobilizam contra esses atos discriminatórios? O que os sindicatos estão fazendo a respeito? Se essas duas possibilidades são verdadeiras (na minha opinião, acredito que sim), então a população negra – e a pobre também – será obrigada a estudar em escolas de qualidade inferior (leia-se: públicas) ou serão, na maioria, obrigados a largar os estudos para ajudar no sustento da família, resultando na vergonhosa realidade da exclusão social que atinge principalmente os negros. Então, senhoras e senhores, vamos resolver as causas, e não as conseqüências, a menos que queiram que os filhos e netos do Pelé, do Netinho, da dona Matilde e da Benedita da Silva, e do senador Paim peguem carona nesse trenzinho da alegria!!!

Além disso, há uma outra vergonhosa questão a ser resolvida: POR QUE ESTUDANTES RICOS ESTUDAM EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS, GRATUITAS E BOAS E OS ESTUDANTES POBRES, E PRINCIPALMENTE NEGROS, ESTUDAM EM UNIVERSIDADES PARTICULARES, RUINS E CARAS, QUANDO CURSAM UMA FACULDADE???

Claro, mesmo o aluno rico tem o direito de estudar em instituições de ensino gratuitas, mas o que vemos é uma total inversão da lógica. Para entender isso, primeiramente, devemos dividir a vida escolar de um cidadão na sua tradicional classificação:

1) Ensino Regular (onde se inclui os ensinos fundamental e médio);
2) Ensino Superior;

Nessa classificação, o aluno deve seguir as etapas rigorosamente. Se alguém quer freqüentar o ensino superior, deve obrigatoriamente freqüentar o ensino médio; e para freqüentar este, deve obrigatoriamente freqüentar o ensino fundamental. É expressamente proibido pular etapas.

Quanto às instituições de ensino, elas são classificadas em:

1) Gratuitas, ou públicas;
2) Pagas, ou particulares;


Quanto à qualidade do ensino, vamos classificar de:

1) Nota A, de qualidade superior;
2) Nota B, de qualidade inferior;

Analisando a grosso modo essa última classificação, um aluno que teve um ensino de nota A em qualquer etapa, terá um ensino de nota A nas etapas seguintes, salvo problemas financeiros. O mesmo continuismo acontecerá com alunos que tiveram ensino de nota B, mesmo que haja uma melhoria na renda familiar, pois é improvável que um aluno que teve um ensino fraco no ensino regular consiga acompanhar o currículo das melhores faculdades. E as cotas nada podem fazer a respeito.

Pois bem, no Brasil, temos as seguintes combinações:

O ensino regular pode ser:

a) pago e nota A;
b) gratuito e nota B;

E o ensino superior, a coisa inverte:

a) pago e nota B;
b) gratuito e nota A;

Como citei antes, para alcançar o ensino superior, é necessário cursar o ensino regular. Para a população pobre em geral, e negra em particular, a única alternativa que lhes restam é começar pelo ensino regular gratuito e de qualidade inferior (nota B), já que suas condições financeiras praticamente impossibilitam de freqüentar um ensino regular pago e de qualidade superior (nota A).

Mas as verdadeiras distorções começam no ensino superior. Primeiro, porque nessa etapa, o governo oferece um ensino público, gratuito, de nota A, enquanto no ensino regular ofereceu um ensino público, gratuita, de nota B. Ora, para alcançar um ensino superior nota A, é necessário que o ensino regular também seja de qualidade A. Por isso, negros e pobres raramente alcançam o ensino gratuito e de qualidade superior. Por outro lado, devido às condições financeiras, nem mesmo nas universidades de nota B poderão freqüentar porque são caras e ainda por cima os negros ganham menos devido aos dois primeiros fatores citados no começo de texto. E para o grand finalle dessa distorção, os alunos que freqüentaram o ensino regular de ensino A, poderão freqüentar o ensino de qualidade A GRATUITAMENTE.

De quem é a culpa disso? Da burguesia? Das elites? Dos poderosos? Apesar de serem os maiores beneficiários dessa política, os culpados são outros. O primeiro deles são os governos. Os governos municipais são responsáveis pelo ensino regular, os governos estaduais pelos regulares e superiores em alguns casos, e o federal pelo ensino superior. Pronto, cada esfera do governo adota políticas diferentes de ensino, e empregam nas escolas recursos financeiros diferentes, o que resulta nessa distorção. Depois deles, são os próprios administradores de faculdades particulares, mais interessados na acumulação mais obscena possível de seus lucros em curto prazo que na qualidade do ensino e no futuro profissional de seus alunos.

Por tudo isso sou contra as cotas raciais. Isso não passa de uma solução cômoda, simplista e populista para um problema amplo. Pensem nisso!!!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Já pagou seu ICMS hoje?

O ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) é um imposto estadual, mesmo assim o governo federal tira a sua lasquinha graças à circulação de bens e serviços entre os estados. Também possui a maior camada tributária entre os impostos sobre os produtos. Cerca de dois terços de todos os impostos incidente sobre os produtos é composto de ICMS.

Bem, mas quero falar sobre algo mais específico: o que você realmente paga de ICMS? Quando se trata de calcular o imposto sobre um produto, normalmente usamos como base o seu preço. É o certo, é o constitucional, mas infelizmente essa regra não vale para o ICMS.

A Lei Complementar nº 87 / 96, que trata sobre o ICMS, no artigo 13 não deixa dúvidas:
....................................................................................................

§ 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo:

I - O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle.


Entenderam? Então vou explicar: ao invés do preço do produto constituir a base de cálculo, esta base será o preço final do produto, já acrescentando o ICMS. Entenderam? Então vai outra explicação. Suponha que um quilo de feijão ou arroz seja R$ 2,00. Como o ICMS para a cesta básica na maioria dos estados é de aproximadamente 12%, então o ICMS a ser cobrado por esse produto será de R$ 0,24, certo? Deveria ser, mas não é. Como os 12% referem-se ao preço já acrescido de ICMS, então o cálculo – e o resultado – será outro. No primeiro caso, usamos a equação P x t, onde P é o preço do produto e t a alíquota de ICMS, assim, descobrimos quanto de ICMS DEVERÍAMOS pagar; mas segundo a lei, a equação correta é P x t / (1 – t). Com essa equação, pagar-se-á pelo produto R$ 0,27, ou seja,13,64% do valor do produto e 13,64% a mais do que pagaria se o ICMS incidisse sobre unicamente ao preço do produto.

Se acrescentarmos esses R$ 0,27 ao preço do produto, teremos o preço final de R$ 2,27.
Esses R$ 0,27 são, na verdade, 12% de R$ 2,27. Entenderam? Bacana esse joguinho de números.

Em produtos onde o ICMS chega a 25% (acredito que essa seja a alíquota máxima permitida), você pagará na verdade 33,33%. Um produto que custa R$ 100,00 e no qual incide 25% de ICMS, não será cobrado R$ 25,00, mas R$ 33,33, já que esse valor corresponde a 25% de R$ 133,33 (o valor do produto mais o valor de ICMS que irá pagar). Legal isso (legal no sentido figurado, é claro).

Mas onde estão nossas autoridades para contestar essa incostitucionalidade? Bem, quando pensaram em agir, já era tarde demais. O estrago tava feito. E como em todo bom imposto regressivo, onde a alíquota é inversamente proporcional à renda do cidadão, adivinhem qual é a classe social que acaba pagando a conta?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Eu queria ser Che, mas...

Sim, gostaria de ser como Ernesto Guevara de la Serna: “um amante da liberdade”, um “defensor dos fracos e oprimidos”, um anti-americano visceral, e tudo mais a que ele teve o direito de ser. Mas enquanto divagava essa possibilidade, vi que eu ia tropeçar em muitos pré-requisitos para o cargo (á exceção é que eu também sou o mais velho entre cinco filhos, como ele); então conclui que é muito mais fácil para eu obter um importante cargo ao lado do presidente da Coca-Cola no Brasil do que ser como o meu ídolo “Che”.

O primeiro osbstáculo para ter sido Che é que eu não pertenço à classe média, como ele pertencia. Não tinha uma biblioteca em casa, embora tinha em casa uma enciclopédia sobre vários assuntos. Nenhum deles sobre política, mas de história e ciências. Assim como ele, eu também tive uma formação esquerdista em casa, mas nada de Marx e Lênin, ao menos, não diretamente. Minha formação era petista do início dos anos 80, das primeiras eleições que o PT concorreu.

Até agora, bem que tentei alcançar tais pré-requisitos, mas agora os obstáculos anteriores ganham estacas pontiagudas: eu não tinha asma, nem qualquer outra doença, por isso, não poderia usar o truque da água gelada para provocar um ataque de asma e escapar do serviço militar. Eu concordava em servir ao governo? Não, nem ele com o dele, mas tive a sorte de ter sido dispensado pelo “excesso de contingente”. Um subterfúgio nada espetacular se comparado ao dele.

Alcancei meus 24 anos de idade, idade com que Che desbravou a América do Sul com sua “La Poderosa”, tentei compra uma moto tão potente quanto foi sua “La Poderosa” na época, mas tive que escolher entre uma motocicleta potente e uma faculdade. Apostei minha minguada economia na faculdade. Não sei se foi uma boa escolha, pois, além do tempo gasto (muito maior que seu percurso pela América Latina), das dificuldades financeiras decorrente da minha escolha (acho que superiores aos seus gastos com gasolina, alimentação, etc...), ainda não alcancei um centésimo da sua reputação, apesar de dar aulas particulares de matemática a preços módicos para a população de classe sub-média (as vezes de graça) para aliviar meu aperto financeiro.

Finalmente, nas portas e janelas dos meus trinta e dois anos de idade (dia 31/03. Eu quero presente), consegui comprar um carro – um Clio Sedan, ano 2003. Mas porque não escolhi uma moto, que tem um preço bem mais em conta? O problema é que uma moto compatível com a Norton 500 do Che era quase o mesmo preço de um carro, e sabe como é...só cabem três pessoas, e minha família tem o dobro disso.

Mas posso ir com o meu Clio mesmo para as estradas da América Latina. Sim, mas precisaria deixar meu emprego, ficaria sem dinheiro para a gasolina, alimentação, minha família teria dificuldades financeiras ainda maiores, enfim, teria que fazer sacrifícios maiores que o nosso Che fez.

Por fim, mesmo que me arriscasse, eu precisaria encontrar um conflito armado. Talvez me metesse na guerra entre as Farcs e o governo de Álvaro Uribe. Apesar do meu desejo de ser um “amante-da-liberdade-com-o-vento-esparramando-minhas-melenas”, teria que me unir as Farcs, que não amam muito a liberdade alheia, mas que estão de acordo com minha antiga formação petista e che-guevarista.

E o pior de tudo: jamais ia poder ajudar os leprosos, pois não tenho formação de medicina. Para conseguir isso, meus pais precisariam vender nossa confortável casa nos subúrbios para pagar as primeiras mensalidades, e morar numa modesta casa, também nos subúrbios, mas meu ídolo não precisou de tanto, e é claro, nem mesmo ele ousaria tanto.

Enfim, desisti de ser um sentinela da liberdade sul-americano. Só me resta admirar sua juventude na Argentina, sua astúcia em escapar do serviço militar de um governo opressor, seu desejo de largar tudo em nome da liberdade e salvar povos. Uma pena!!!