sábado, 17 de agosto de 2013

Da Suécia para a Coréia!!!

O governo federal, como se finalmente ouviu a voz dos nossos “especialistas em tudo”, pretende investir 10% do PIB em educação. Pululam dados em diversas fontes mostrando a ineficácia dessa medida para resolver a vexamosa decadência do ensino público e mesmo do ensino privado. Concordo com tudo o que falam, mas temos que ser cuidadosos quando usamos percentuais do PIB como parâmetro de comparação!!!



Na postagem Rumo à Suécia, de Titanic!!!, expliquei que tudo depende do PIB per capita, e não do PIB total. Vejamos o caso da Coréia do Sul, o exemplo mais citado para ilustrar a ineficácia dessa medida governamental. Segundo as diversas fontes, esse país investe apenas 5% do PIB em educação, contra 5,7% no Brasil. Acho desnecessário recorrermos ao ranking de qualidade da educação, da OCDE, para constatar a superioridade do ensino coreano em relação ao nosso, mas se alguém gosta de se indignar, é só dar uma clicada aqui!!!



O ideal para esse tipo de comparação seria extrair o percentual do PIB destinado à educação em cada país e dividir esse resultado pelo número de estudantes. Como não sabemos quantos estudantes há em cada país, vamos dividir pela população, supondo que sua proporção entre os dois países seja igual à proporção de estudantes. Traduzindo do coreano para o português: se a população brasileira for 10 vezes maior, então temos 10 vezes mais estudantes. Podemos também usar a ótica do PIB per capita, como fiz no caso da Suécia. O resultado será o mesmo!!!



5% de um PIB de US$ 986,300 milhões - da Coréia - equivale à US$ 49,150 milhões. Já  5,7% de um PIB de US$ 2.090 milhões - PIB brasileiro - equivale à US$ 119 milhões (valores do PIB referente a 2008). Dividimos esses valores respectivamente por 49 milhões (a atual população da Coréia do Sul) e por US$ 194 milhões(a atual população brasileira) e teremos US$ 1.003 para cada coreano e US$ 614 para cada brasileiro (como a população estudantil de cada país é necessariamente menor que a população total, então cada estudante receberá valores ainda maiores, mas o que nos interessa é a proporção de cada país, que não será afetada por isso)!!!




Como vimos, cada estudante coreano recebe quase o dobro do estudante brasileiro. Não recebe menos, como as pessoas contrárias à proposta quantitativa acreditam. Mas e se gastarmos 10% do PIB em educação? Talvez isso seja possível simplesmente acabando com a corrupção, com o excesso de burocracia, com a má gestão do dinheiro público, sem falar das amortizações da dívida pública, do rombo da Previdência. De qualquer forma, um aumento nas verbas para a educação pode resolver os problemas de infra- estrutura das escolas e dos baixos salários dos professores, mas a educação em si...bem, não creio que terá muitas melhorias com isso!!!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A Presença de Anitta (com dois "tês")!!!

Direto dos corredores do Facebook (aliás, um ótimo celeiro da mentalidade humana), encontrei esse artigo (dê uma clicadinha aqui) que fala sobre o racismo velado nessas plagas, usando como exemplo cabal o sucesso da funkeira Anitta, que não teve igual entre as funkeiras negras. E aí? O que dizer???



Como somos um país multiétnico, a questão não é se o racismo existe ou não, mas a sua intensidade. A probabilidade de encontrar racismo unilateral ou mútuo onde dois povos convivem é grande; então, vem a seguinte questão: Qual seria o grau de racismo no Brasil? Não há como responder de forma quantitativa, restando-nos confiar nas impressões ou experiências vividas e/ou presenciadas. Foi o que fez a autora do artigo, Joceline Gomes, ao perceber o sucesso e o destaque da mídia dado à "funkeira branca" e concluiu que, de fato, somos uma sociedade racista. Se dou-lhe razão quanto à existência do racismo, tenho certa ressalva quanto a sua intensidade e o uso do sucesso da funkeira como prova de sua existência por aqui!!!



O racismo local é muito menos intenso que o apartheid, ou mesmo em outros países na África (negros contra negros) ou nos EUA de décadas atrás. É um racismo velado, como ela diz. Isso é ruim? Não há formas boas de racismo, portanto, é ruim sim, mas não podemos compará-lo ao racismo escancarado dos exemplos citados. Já houve quem dissesse que o nosso racismo é pior porque impede qualquer reação por parte dos negros. Imagino eu que ele quis falar de "uma reação legal", entrar na justiça e processar os racistas, jamais partindo para aquela famosa diplomacia pré-histórica. O único "porém", é que essa reação legal já existe nesse país do terrível racismo velado!!!



Voltando à Anitta, seu sucesso significa que há racismo nos meios de comunicação, mas o povo também é racista? Pra começar, ela parte do pressuposto que a nação brasileira, pelo menos aquela que cerca as favelas, são formados por brancos. Os próprios militantes da causa negra insistem em dizer que metade da população brasileira é formada por negros (na verdade, a soma de negros e pardos). Aí eu fico imaginando: quantos fãs da Anitta são negros???



Ela é do Rio de Janeiro, onde, segundo o último censo do IBGE, 51,70% da população é negra (lembrem-se: negros e pardos, contra 50,74% no resto do país). Ou seja, onde seu sucesso começou, no RJ, não seria demais imaginar que metade de seus fãs podem ser negros? É possível, também, que metade dos fãs do Bonde das Maravilhas também sejam  negros. Será que a possível metade negra dos fãs de funk não têm sequer o divino poder ibópico (hmpf...neologismos!) de decidir quem é sexy ou quem é vulgar, mesmo que, ao menos demograficamente, estão em igualdade com os brancos? Mais perturbadora que essa hipótese, seria descobrir um ou dois negros que pensam da mesma forma que os brancos racistas!!!



Não há como descobrir com precisão a proporção étnica dos fãs da srta. Anitta ou do Bonde das Maravilhas, a menos que façam uma pesquisa, mas teoricamente é algo próximo da proporção populacional!!!



Eu, pessoalmente, trato todos os pseudo-funkeiros e funkeiras (funk é outra coisa), não importando a cor, com igualdade: lixo musical, decadência cultural e outros chavões merecidos. Sou do tempo em que a presença de Anita (essa, com um "tê") perturbava apenas o protagonista da minissérie homônima. Bons tempos!!!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Capitalismo V - a revanche dos descontentes!!!


Quando fico uns bons meses sem postar nada aqui, é porque estou sem assunto ou sendo monotemático. Mas como a proposta do blog é justamente analisar, questionar e comentar, sem medo de gerúndios (nesse caso, sem medo de infinitivos), o que há por trás do que lemos, ouvimos no decorrer dos anos ou temas atuais de forma levemente didática, então me vejo obrigado a expor minha opinião sobre o  assunto do momento ou sobre uma crença arraigada que vez ou outra vem à tona nos lembrando que ela ainda existe, mesmo eu correndo o risco de ser monotemático, o que é o caso atual!!!



Hoje vou falar da tal exploração capitalista, algo que para muitos, é uma espécie de escravidão moderna. Mas o que seria de fato essa tal de exploração capitalista? No artigo anterior, prometi que na postagem com esse título falaria do papel do Batman numa cidade onde seu alter-ego concentra boa parte da renda de Gotham City. Deixarei para a próxima!!!



Antes de começar, vou dar o meu conceito de exploração, seja capitalista, socialista ou mesmo anarquista. Quando o empregador remunera o empregado com menos do que ele pode pagar, então temos um tipo de exploração que justifica qualquer greve por melhores salários. Quando o comerciante cria uma “meta de vendas” absurda, tão somente para enriquecer às custas do empregado, também temos exploração. Quaisquer outros exemplos semelhantes são explorações. Mas na visão marxista-leninista-trotskista-stalinista-castrista-polpotista dos nossos universitários, principalmente das áreas humanas, o simples fato de um ser humano estar produzindo para enriquecer outro é exploração, mais precisamente exploração capitalista. Tirando os exemplos de explorações que citei no começo, ouso dizer que a coisa não é bem assim. Ouso dizer que isso não é exploração, no sentido de semi-escravidão. Horrorizem-se, comunistas de McDonald's!!!



Enquanto a verdadeira exploração depende da índole do patrão (ganancioso, explorador FDP), a tal de exploração capitalista é quase um acordo. Pra começar, os patrões capitalistas não mandam capitães-do-mato arrancarem seres humanos de seu mundinho de conto de fadas, forçando-os a trabalharem em seus estabelecimentos. É justamente o contrário: seres humanos vão atrás do capitalista desalmado para oferecerem sua força de trabalho em troca de salário, já que sua vidinha não é tão escandinavamente bucólica assim. É mais fácil a pobre vítima do capitalismo forçar o patrão a empregá-lo que o contrário. Praticamente o oposto da escravidão!!!



E o empregador enriquece simplesmente porque explora seres humanos? Por essa lógica, o patrão, sem capital, sem nada, obrigaria, de alguma forma, outras pessoas a servi-lo e, com isso, conseguiria adquirir todo o capital necessário para a produção, e aí sim, enriquecer. Uma inversão da causa e efeito. Você já pensou em “empregar” pessoas não tendo nada para oferecer-lhes, nem mesmo instrumentos de trabalho ou garantia de salário no final do mês? Se isso fosse possível, você até cogitaria fazer isso, qualquer um cogitaria, mas vós sabeis que só é possível empregar alguém quando há um mínimo de bens de capital (máquinas, instrumentos de trabalho, etc...) e garantia de salário no final do mês!!!




...enquanto isso, a Mais-Valia...


Seria algum erro, alguma injustiça se o patrão visasse apenas ao lucro? Seria, se o patrão recorresse às formas que citei no terceiro parágrafo, caso contrário NÃO, da mesma forma que não é nenhum erro ou injustiça o trabalhador visar apenas ao salário. Sim, ele pode se preocupar com outras coisas referentes ao seu trabalho – tal como faz o patrão - mas seu objetivo final é o salário!!!



E esse mais-valia? Mais-valia seria a diferença entre o valor total do produto por trabalhador, e o custo total da produção, incluindo aí o seu salário. Esse valor seria abocanhado pelo patrão. É claro que os custos de produção não são os únicos custos de uma empresa, e é aí que esse conceito de mais-valia meio que desaba. Com o mais-valia, o terrível patrão deve pagar os impostos, pagar o salário de quem não participa diretamente da produção –  a faxineira e a secretária, por exemplo – remunerar os acionistas, no caso das grandes empresas (sem o dinheiro que eles depositaram na empresa, não haveria tantas pessoas sendo “exploradas”) e outros custos cuja existência passa a quilômetros do conhecimento de nossos “cidadães conscientes”. Com todas essas implicações e complicações, quanto de "mais-valia" sobraria para o patrão???



Sim, os patrões não devem ganhar tanto assim. Deveriam, quem sabe, ganhar o mesmo que seus funcionários. Você, se tivesse um capital ( todo o patrimônio produtivo) de R$ 1 milhão, se contentaria em receber R$ 1 mil por mês? Se a resposta for cinicamente afirmativa, então faça o seguinte: venda esse patrimônio e invista na poupança - a aplicação que menos remunera o capital hoje. Se fizer isso, sem qualquer esforço, risco ou incômodos, irá ganhar quase R$ 6 mil por mês. Já escolheu o que faria com o seu milhão???



A essa altura, o leitor está convicto de que sou um burguês explorador ou filhinho do mesmo. Os que me conhecem, devem achar que estou bajulando o patrão ou que sou algum mentecapto por querer marcar um gol contra mim e meus companheiros, se esquecendo rapidamente das exceções que escrevi no terceiro parágrafo. Não creio que o meu patrão vá ler isso, e tampouco que eu seja promovido. O que escrevi são fatos. Se alguém discorda, o espaço para comentários está à disposição!!!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

E as causas da pobreza???

"Quando alimentei os pobres chamaram-me santo, mas quando perguntei por que há gente pobre chamaram-me comunista". Dom Hélder Câmara



Na postagem do Capitalismo IV, procurei mostrar que o capitalismo não gera a miséria. Ele pode gerar desigualdades mas não a miséria, que são duas coisas diferentes, como já mostrei aqui. Na postagem supracitada, falei de uma ou outra causa geral, e de uma particular, que é a alta taxa de fecundidade entre famílias mais carentes; afinal, se tais famílias não são carentes, por causa disso passariam a ser. Mas o que poderia gerar a miséria ou pobreza, usando um termo mais abrangente, além dessas causas mais gerais???


Uma das causas é...nenhuma causa. A pobreza não se cria; a riqueza, sim. A humanidade não surgiu rica e próspera, e foi decaindo com o tempo. A humanidade nasceu miserável, mas alguns de seus membros criaram algo parecido com a riqueza ao longo do tempo, seja por meio da agricultura, pecuária, saques, conquistas, força bruta, religiões, comércio, artesanato, roubos, estelionatos, indústrias e outros fatores que muitos talvez nem imaginam. Quando alguém acumula riqueza e essa vai desaparecendo com o decorrer  dos anos ou das gerações, aí sim temos uma causa da pobreza!!!


Quais seriam as causas mais comuns da pobreza? Nada que uma boa conversa com o povo para encontrar algumas respostas:

- O pai, avô ou bisavô perdeu tudo com jogos.
- O, pai avô ou bisavô bebia e perdeu o emprego...
- O pai, avô ou bisavô torrou o dinheiro que herdou de seus pais.
- O pai, avô ou bisavô era rico, mas foi à falência.
- O pai, avô ou bisavô foi roubado por algum sócio inescrupuloso.


Ou:

- Eu perdei tudo com jogos
- Eu torrei o dinheiro que herdei dos pais
- Eu bebo e perdi o emprego.
- Eu me viciei em drogas.
- Eu fui à falência.
- Eu fui roubado pelo sócio inescrupuloso.

Enfim, causas triviais, banais, sem o romantismo do "o capitalismo gera miséria". Não seria demais imaginar que algum miserável de hoje seja descendente de um rico comerciante do século XIX? Não, não seria, embora seja bem mais fácil que o rico industrial do século XXI seja descendente de famílias miseráveis do século XIX!!!


Você leu toda essa postagem achando que eu ia falar algo mais romântico, como o "avanço dos latifúndios" ou "que a empresa poluiu o rio onde a população da vila pescava" e que por tudo isso empobrecerem, e então, é culpa do capitalismo. Coisas assim acontecem, mas a decadência nesses casos é menor do que as causas individuais citadas. Eles passaram de pobres para miseráveis, e não de ricos para pobres ou até miseráveis. O impacto nesse último caso foi maior, o empobrecimento foi maior, maís nítido!!!


Entender as causas da pobreza não ajudará a tirá-los dessa situação, o certo seria descobrir como acabar com ela. Pelo menos, entender essas causas ajuda a reduzir que mais pessoas repitam a grandiloqüente bobagem do "capitalismo gera miséria"!!!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Subsidiar o público com o privado: má idéia, acho eu!!!

Antes mesmos desses protestos que geraram muito mais calor que luz, o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, propôs uma medida que encantaria o mais cauteloso dos marxistas, mas de benefício duvidoso: o subsídio das tarifas de ônibus pelos donos de carros particulares. Se a idéia vingar, as várias campanhas pela troca do automóvel pelo transporte público ou bicicletas terão sido em vão, já que as duas coisas não podem coexistir. E o pior ainda não é isso!!!


Nos últimos anos, o governo federal facilitou a aquisição de automóveis novos pela população mais carente. Antes mesmo disso, a mesma população já adquiria carros semi-novos ou usados. O que significa que não serão apenas os ricos que subsidiarão o transporte dos mais pobres. Com o consequente aumento do preço do combustível, os motoristas mais pobres poderão trocar o carro pelo ônibus. E é aí que começa o problema: um subsidiado a mais e um subsidiador a menos. Para compensar essa troca, só aumentando esse imposto, o que pode ocasionar a debanda de outros motoristas para o transporte público, e assim sucessivamente, colapsando o mecanismo de subsídios. Não é algo certo que aconteça, mas é a pior das possibilidades (veja sobre isso mais adiante)!!!

Não sabemos qual será a alíquota do imposto, nem quantos passageiros para cada automóvel existe, nem quantas vezes o passageiro usa o transporte público por mês, nem quantas vezes o motorista do transporte particular abastece o carro por mês, mas podemos fazer algumas especulações:


                                                               ax = by

Onde:

a = número de passageiros dos ônibus
x = valor do subsídio da tarifa
b = quantidade de veículos particulares
y = imposto pago por cada veículo


Se houver, por exemplo, três passageiros de ônibus para cada veículo particular, e cada um usa 60 passagens por mês (uma ida e volta por dia) e o subsídio for de R$ 0,50, e cada motorista de veículo particular abastece duas vezes por mês, quanto cada motorista deverá pagar por mês???

- 1 passageiro vai ao trabalho de ônibus = R$ 0,50 (lembrem-se: é o valor do subsídio da tarifa)
- o mesmo passageiro volta de ônibus = mais R$ 0,50, ou seja, R$ 1,00
- o mesmo passageiro repete isso durante um mês = R$ 30,00


R$ 30,00 por passageiro/mês: esse será o valor do subsídio que usaremos no cálculo. Até agora temos:

                            a x 30 = b x y

Vamos usar uma amostra de 300 passageiros. Teremos:

                                    300 x 30 = b x y   
                             9000 = b x y

Como supomos que há três passageiros para cada carro particular, então devemos ter cem carros subsidiadores:

                                     300 x 30100 x y



Então, qual será o valor que cada motorista terá que pagar por mês (nas suas duas abastecidas)? R$ 90,00.

                                      
                                       300 x 30 = 100 x 90
                                              9000 = 9000

R$ 90,00 por mês não é exatamente um valor irrisório para aqueles que adquiriram um automóvel novo com a redução do IPI, ironicamente feito pelo partido que agora quer sobretaxá-los. E se 10% desses motoristas debandarem para o transporte público? Como ficará a equação? Desequilibrada!!!


                                             310 x 30 = 90 x 90

                                                    9300 # 8100

E o que fazer para equilibrar novamente a equação? A única saída seria aumentar o imposto para R$ 103,33.


                                             310 x 3090 x 103,33

                                                    9300 = 9300


Seria cisma minha imaginar que com esse novo aumento do imposto, mais 10% dos motoristas debandariam para o transporte público, aumentando ainda mais o imposto, debandando ainda mais motoristas, e assim colapsando todo o mecanismo? É algo a se pensar!!!


                                            .
                                            .
                                            .


E sobre o fato de que a substituição de automóveis por bicicletas não poderem coexistir? Se o motorista trocar o automóvel por bicicleta, como é a recomendação de ambientalistas, urbanistas, cardiologistas, e do próprio prefeito, serão menos pessoas para subsidiar o transporte público, podendo, em menor intensidade, ocorrer o tal colapso dos subsídios. Há ainda a possibilidade do aumento o número de passageiros sem que haja o indesejado aumento de carros e motos nas estradas, o que causará o mesmo problema das bicicletas!!!


Enfim, a cidade, mais do que nunca, dependerá do transporte particular para que outras pessoas utilizem o transporte público. É algo a se pensar!!!


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Manifesto em São Paulo!!!

Desde que troquei a TV pela internet, não sei o que a mídia fala ou o que deixa de falar de acontecimentos épicos nesse país, como a recente manifestação contra o aumento de passagens em São Paulo, mas em cada rede social que eu fui, aproximadamente 80% das postagens eram sobre isso, de prós e contras. Sou plenamente favorável a qualquer protesto, mas quando a coisa desbanca para o vandalismo e bandeiras partidárias, retiro meu apoio de fininho!!!


Dizem que o aumento de R$ 0,20 foi a gota d'água que transbordou a revolta com a atual situação do país. DESCULPA ESFARRAPADA, é claro. Para começar, a inflação anual é de 5,8%. O tal aumento da passagem foi de 6,6%. Se há um descontentamento com isso, então mirem na inflação, e não no reajuste!!!



"Eu acho engraçado, as pessoas têm memória curta. Eu tava dentro de uma fábrica, não faz muito tempo, e a inflação era de 80% ao mês. Hoje, você tem inflação de 5,8% ao ano, e aqueles que foram responsáveis pela inflação de 80% ao mês estão incomodados com os 5,8% ao ano." (Lula)


Ou seja, reclamar de um hipotético aumento de R$ 0,17 dessa mesma tarifa (5,8% de aumento) é coisa da oposição incomodada, mas reclamar de R$ 0,20 é coisa de cidadães conscientes que só quebrando o que encontrarem pela frente conseguirão serem ouvidos. O que me dizem disso, lulistas???


"Foi a gota d'água", dizem. A "gota d'água" não foi duas pessoas serem incendiadas vivas. Foram R$ 0,20. Seria a gota d'água contra a corrupção, desemprego, a Copa - dizem - mas nada da falta de segurança pública. Por que será? Estranhamente, os movimentos de verdade contra a corrupção vistos até agora não tiveram a metade da dimensão desse protesto de São Paulo, além de serem realizados nos fins-de-semana e feríados, quando os corruptos estão curtindo uma prainha e rindo de nossas caras e bocas. E houve cartazes contra a corrupção e o desemprego? Só sei que não havia contra a violência, nem exigindo segurança nas ruas e, principalmente, nada contra as leis lenientes ou favoráveis à criminalidade!!!


Contradição: Dizem que o protesto de São Paulo foi pacífico, mas outros dizem que não se consegue nada com protestos pacíficos. Afinal, foi ou não foi pacífico? Estão associando a quebradeira com a derrubada da Bastilha ou do Muro de Berlin. Afinal, carros, vitrines e ônibus são objetos da opressão tão evidentes quanto a Bastilha e o Muro de Berlin. Sairam de casa tendo com o objetivo de destruirem carros, vitrines e ônibus da mesma forma que os revolucionários da França ou os alemães fizeram com seus respectivos objetos de opressão. Tá tendo dificuldade em entender o que veículos e logradouros tem a ver com o aumento da passagem ou com a corrupção? Eu também!!!


A polícia exagerou? Sim, várias pessoas desarmadas foram atingidas com balas de borracha, mas a opção sugerida pelos simpatizantes é que a polícia não fizesse nada, que deixassem os manifestantes quebrarem os monumentos da opressão em paz. Afinal, ninguém vai pagar a conta, não é mesmo???


Conclusão, a passagem aumentou, apesar de toda a balbúrdia; a corrupção, desvio de verbas continuarão, e todos esquecerão os motivos reais e fictícios do protesto, porque agora os alvos serão a polícia militar e o governador de São Paulo, que desconfio eu, eram os alvos finais dos promotores desse manifesto!!!











segunda-feira, 13 de maio de 2013

Feminismo, feminismo e feminismo!!!

Sou totalmente a favor do feminismo, mas preocupo-me, embora me divirto, com o feminismo e tenho asco do feminismo. Muitos daqueles que dizem ser contra o feminismo, na verdade, são contra o feminismo e o feminismo, mas não contra o feminismo. Deu nó na cabeça? Esclarecerei!!!


Se separarmos o joio do trigo, teremos pelo menos três tipos de feminismo: o anti-machismo, o feminazismo e o femicomunismo. O primeiro é a necessária reação a uma sociedade machista, que nem sei se devemos titular isso com um "ismo", pois se o machISMO é ruim, por que o feminISMO é bom? Se o machismo se baseia na superioridade masculina, porque o feminismo anti-machista deve significar igualdade ou justiça para ambos os sexos???


Já aquilo que chamamos de feminazismo é o ódio à "raça masculina" ou a fetos. Elas pregam uma Solução Final à uma parcela significativa da humanidade. Aliás, isso se encaixa na teoria exposta nessa postagem!!!


E por último, e nem de longe o menos importante, temos o femicomunismo, que na verdade é mais uma atividade social contaminada pelo velho comunismo. Você reconhecerá essa forma de feminismo quando culparem o capitalismo por todas as desgraças (mais especificamente da mulher), ao mesmo tempo que ignoram a presença do governante de um dos países mais machistas do mundo. Foi o que aconteceu durante a Rio+20. O governante em questão era Mahmoud Ahmadinejad, cabendo aos evangélicos do Silas Malafaia a única manifestação contra ele, devido à prisão de pastores em seu país. O protesto das femicomunistas contra o capitalismo também foi lá. Se eu fosse um capitalista com o poder de um governante comunista, livraria-as dessa opressão, demitindo-as, mas aí vão culpar o mesmo capitalismo por exclusão das mulheres no mercado de trabalho....!!!


Essas distinções são fundamentais para evitar os frequentes mal-entendido. Reescrevendo o parágrafo anterior com os devidos acréscimos: Sou totalmente a favor do feminismo anti-machista, mas preocupo-me, embora me divirto, com o feminazismo e tenho asco do femicomunismo. Muitos daqueles que dizem ser contra o feminismo, na verdade, são contra o feminazismo e o femicomunismo, mas não contra o feminismo anti-machista. Se bem que não dispenso um belo show com strippers!!!