O ser humano é um animal capitalista e talvez a única forma de mudar esse aspecto da natureza humana seja na base da violência. Aliás, métodos violentos era a regra dos centros de “reeducação” erguidos em diversos países socialistas. Na natureza existem animais que vivem uma espécie de comunismo, onde todos trabalham em coletividade??? Sem dúvida. Talvez os melhores exemplos desse tipo de sociedade sejam as das formigas e abelhas. São sociedades perfeitas, é verdade, mas o homem e outros animais não são assim. Mesmo quem nega o capitalismo não escapa dessa realidade. O sujeito que fala em viver apenas com o necessário é o mesmo que declara essas coisas na internet através do seu PC pessoal. Será que o PC se encaixa como artigo “necessário”???
Conheço alguns anti-capitalistas que sonham em ter uma guitarra. Nos regimes socialistas, uma guitarra é apenas isso: um sonho, já que não se trata de um artigo necessário. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, acho que esse refrão tão conhecido dos anos 80 sintetiza o espírito capitalista de todo o ser humano. Queremos mais que o básico, mais que o necessário. Mesmo porque seriam necessárias poucas pessoas numa sociedade para produzir apenas o necessário e na quantidade necessária. Falando de outro modo: desemprego em massa!!!
Porque os anti-capitalistas não se reúnem e formam uma sociedade alternativa??? Porque não arrumam suas malas e refaçam suas vidas no paraíso cubano??? “Por causa do maldito embargo comercial, ora”. Sim, mas mesmo com embargo há ótimos sistema de saúde e educação, e tudo gratuito. Será que essas coisas não são suficientes para atrair o ser humano não-capitalista??? Na Venezuela não haverá embargo comercial tão cedo, e agora que Hugo Chavez está inaugurando o seu Socialismo do Século XXI, porque não há uma debandada de simpatizantes do socialismo para lá??? Não, não estou desejando que essas pessoas vão embora daqui, só estou perguntando por que não trocam esse inferno capitalista por um paraíso socialista como Cuba ou Venezuela da mesma forma que milhares de pessoas insatisfeitas com o Brasil que tentam fazer a vida nos EUA, Europa e Japão??? A resposta é óbvia: o anti-capitalista também é capitalista. Por que ele não se contenta apenas com educação e saúde!!!
Então porque o anti-capitalista nega sua natureza capitalista??? Porque ele acredita que o capitalismo é a causa de todos os males do mundo. Porque não suporta a idéia de ser explorado por um homem, quando – numa hipótese remota – ele mesmo podia estar explorando outros coitados. Porque ele não acredita que o sucesso profissional é fator de prosperidade (“só se enriquece roubando”, esse é o pensamento do anti)!!!
O capitalismo é natural. Se o comunismo surgir como uma evolução natural do capitalismo, abraçaremo-no. Mas como o homem é capitalista por natureza, não creio que o atual sistema mude tão cedo, ao menos, não de forma natural!!!
Analisando, questionando e comentando, sem medo de gerúndios, o que há por trás do que lemos e ouvimos no decorrer dos anos ou temas atuais de forma levemente didática!!!
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Tudo é relativo!!!
O que é mais importante que a democracia e a ética??? Para muitos, são seus partidos nos quais são afiliados. Certa vez vi uma adolescente justificar as roubalheiras do atual governo federal , falando algo do tipo “os outros governos sempre roubaram, e agora querem punir só esse???”. Detalhe: essa menina nunca se interessou por política, nunca falou de política, somente quando discutíamos o assunto que ela me vem com essa. Certamente são palavras de seus professores que sempre criticaram - e com razão – a corrupção e a roubalheira dos governos de oposição ideológica as suas, mas agora procuram absolver ou justificar esses mesmos crimes. Por que será???
E a democracia??? Ela só é válida para governos cuja ideologia é oposta a sua. Quando o governo tirânico e anti-democrático tem um viés ideológico semelhante ao do sujeito, então surgem vários argumentos para justificar sua tirania. Massacrar inocentes é um ato horrendo, vil, amaldiçoado, quando perpetrado por povos que por algum motivo não estimulam nossa simpatia. Quando os mesmos massacres são realizados por povos que por algum motivo admiramos, então tais massacres são justificáveis!!!
Tudo isso se chama relativismo. Boa parte da humanidade é relativista. Boa parte da humanidade não ta nem um pouco preocupada com democracia, ética, direitos humanos, etc..etc...a menos, é claro, quando é para jogar pedras no telhado do vizinho. Nesse caso, sua preocupação é unicamente em desacreditar ou destruir seu rival!!!
Fique atento a pessoas muito religiosas ou ideológicas. Essas são relativas!!!
E a democracia??? Ela só é válida para governos cuja ideologia é oposta a sua. Quando o governo tirânico e anti-democrático tem um viés ideológico semelhante ao do sujeito, então surgem vários argumentos para justificar sua tirania. Massacrar inocentes é um ato horrendo, vil, amaldiçoado, quando perpetrado por povos que por algum motivo não estimulam nossa simpatia. Quando os mesmos massacres são realizados por povos que por algum motivo admiramos, então tais massacres são justificáveis!!!
Tudo isso se chama relativismo. Boa parte da humanidade é relativista. Boa parte da humanidade não ta nem um pouco preocupada com democracia, ética, direitos humanos, etc..etc...a menos, é claro, quando é para jogar pedras no telhado do vizinho. Nesse caso, sua preocupação é unicamente em desacreditar ou destruir seu rival!!!
Fique atento a pessoas muito religiosas ou ideológicas. Essas são relativas!!!
sábado, 19 de dezembro de 2009
Aquecendo!!!
O debate esquenta. É o aquecimento global do debate sobre o aquecimento global. E agora com o vazamento dos e-mails de cientistas que supostamente estariam alterando dados sobre a evolução da média térmica global, o assunto “aquecimento global” superaqueceu. Pegou fogo. Como sempre, isso acaba se tornando mais um ataque a alguns cânones da natureza humana: a da evolução , da inovação, e do egoísmo smithiano (Leiam as passagens de Adam Smith sobre o “egoísmo” humano. Nada mais verdadeiro e incontestável.)
Muitos defensores leigos do aquecimento global antropogênico são anti-capitalistas ou mesmo marxistas-leninistas. FATO. Fazem questão de culpar as grandes corporações petrolíferas pelo aquecimento do planeta, acusam-nos de subornar cientistas ou patrocinar estudos que desmentem a contribuição humana no aquecimento; porém, se esquecem de mencionar as termelétricas chinesas que hoje estão entre as maiores responsáveis mundiais pela emissão de gás carbônico, se esquecem de mencionar estatais como a Petrobrás e a vindoura estatal que irá explorar o pré-sal (tempos atrás houve uma manifestação de estudantes envolvendo o pré-sal. Não, não foi uma manifestação ambiental, mas para que o mesmo fosse explorado totalmente pelo governo, ou seja, só o governo pode aquecer o planeta), e principalmente se esquecem dos países cuja economia dependem quase que exclusivamente do petróleo, como o Irã, Arábia Saudita e Venezuela (aliás, se esquecem que o socialismo do século XXI da Venezuela é financiado pelo petróleo cuja queima de seus derivados causam o aquecimento global). Muito conveniente. Será que os governantes desses países não ligam para as decisões sobre as emissões de gás carbônico que tem como o petróleo o principal responsável??? Muito estranho!!!
Mais um encontro de governantes procurando chegar a um acordo sobre a redução das emissões de gás carbônico, e mais um fracasso. O ingênuo (ou hipócrita, ou ignorante) defensor do aquecimento global antropogênico (AGA) não consegue fazer a relação consumo-produção. Continuará consumindo bastante energia elétrica e alimentos, mas exige que a produção de todos os bens seja reduzida. Ora, não seria melhor, mais garantido, que ele reduzisse o consumo de tais bens para reduzir a produção e reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera???
Façam a sua parte, além de reduzir o consumo de bens corriqueiros, parem de consumir carne bovina e leite, pois a digestão dos bovinos emite gás metano, que supostamente ajuda no aquecimento global. Vão, façam sua parte, não esperem que um monte de engravatados resolvam o problema, eles não vão resolver nada, não enquanto você consumir feito louco!!!
Muitos defensores leigos do aquecimento global antropogênico são anti-capitalistas ou mesmo marxistas-leninistas. FATO. Fazem questão de culpar as grandes corporações petrolíferas pelo aquecimento do planeta, acusam-nos de subornar cientistas ou patrocinar estudos que desmentem a contribuição humana no aquecimento; porém, se esquecem de mencionar as termelétricas chinesas que hoje estão entre as maiores responsáveis mundiais pela emissão de gás carbônico, se esquecem de mencionar estatais como a Petrobrás e a vindoura estatal que irá explorar o pré-sal (tempos atrás houve uma manifestação de estudantes envolvendo o pré-sal. Não, não foi uma manifestação ambiental, mas para que o mesmo fosse explorado totalmente pelo governo, ou seja, só o governo pode aquecer o planeta), e principalmente se esquecem dos países cuja economia dependem quase que exclusivamente do petróleo, como o Irã, Arábia Saudita e Venezuela (aliás, se esquecem que o socialismo do século XXI da Venezuela é financiado pelo petróleo cuja queima de seus derivados causam o aquecimento global). Muito conveniente. Será que os governantes desses países não ligam para as decisões sobre as emissões de gás carbônico que tem como o petróleo o principal responsável??? Muito estranho!!!
Mais um encontro de governantes procurando chegar a um acordo sobre a redução das emissões de gás carbônico, e mais um fracasso. O ingênuo (ou hipócrita, ou ignorante) defensor do aquecimento global antropogênico (AGA) não consegue fazer a relação consumo-produção. Continuará consumindo bastante energia elétrica e alimentos, mas exige que a produção de todos os bens seja reduzida. Ora, não seria melhor, mais garantido, que ele reduzisse o consumo de tais bens para reduzir a produção e reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera???
Façam a sua parte, além de reduzir o consumo de bens corriqueiros, parem de consumir carne bovina e leite, pois a digestão dos bovinos emite gás metano, que supostamente ajuda no aquecimento global. Vão, façam sua parte, não esperem que um monte de engravatados resolvam o problema, eles não vão resolver nada, não enquanto você consumir feito louco!!!
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Concentração de população!!!
A concentração de renda é um fenômeno econômico e social que preocupa sobretudo o Brasil, detentor de uma das maiores economias do mundo, mas com uma das piores distribuições de renda do mundo, embora tem havido uma melhoria nesse sentido nos últimos 10 anos. Muito se discute as possíveis causas, mas todas as causas discutidas estão focalizadas na transferência da renda já existente ou na má distribuição da renda que é gerada. Eu proponho uma outra causa-base: o aumento populacional diferenciado entre a população pobre e a população rica. Uma má distribuição na outra variável da distribuição da renda!!!
Sabemos que os casais mais pobres, pelo menos até uns anos atrás pois não sei como anda a situação atualmente, sempre têm mais filhos que os casais mais ricos. São vários exemplos de famílias miseráveis com dez filhos, casais pobres com cinco filhos e casais mais ricos com um ou dois filhos. Esse fenômeno não transfere renda e nem a distribui de forma desigual, mas dilui a renda já distribuida!!!
Exponho a seguinte situação: uma determinada região é habitada por apenas 5 casais (portanto, 10 pessoas). O casal mais rico possui uma renda familiar de X$ 8.000, enquanto os demais casais possui, cada um, uma renda familiar de X$ 2.000. Isso significa que a população 20% mais rica (o casal rico), possui 50% da renda nacional, Com esses números, teremos os seguintes resultados:
População = 10
Renda per capita total = X$ 1.600
Renda per capita dos 20% mais ricos = X$ 4.000
Renda per capita dos 80% mais pobres = X$ 1.000
Índice de Gini = 0,3 ou 30%*
Agora vamos dificultar um pouquinho as coisas para os casais: vários anos depois, o casal mais rico teve um filho, e os demais casais tiveram três filhos cada um. Cada família (os casais agora são famílias) possui a mesmíssima renda familiar de antes, com a devida correção monetária; a população aumentou 130%. Podemos analisar as consequências disso na distribuição da renda de duas formas. A primeira, é dividir essa população em 4 famílias pobres e a família mais rica; a segunda, é dividir a população em 80% mais pobre e 20% mais rica. Ambas as formas foram utilizadas antes e de forma simultânea, mas agora isso não será possível!!!
Como cada família possui as mesmas rendas de antes, então não houve alterações na distribuição da renda. O antes casal mais rico não ficou mais rico, nem os casais mais pobres ficaram mais pobres. O que mudou não foi a distribuição da renda, mas a distribuição na população, ou mais precisamente, houve uma má distribuição do aumento populacional!!!
Usando o método das famílias pobres e ricas, notaremos que agora a população das primeiras representam 86,96% da população total contra 13,04% da família mais rica. Ou seja, se antes a metade a renda nacional era destinada para 80% da população pobre, agora deve ser dividida com 86, 96% da população. Nesse caso, teremos a seguinte distribuição:
População = 23
Renda per capita total = X$ 695,65
Renda per capita dos 13,04% mais ricos = X$ 2.666,67
Renda per capita dos 86,96% mais ricos = X$ 400
Índice de Gini = 0,37 ou 37%*
Notem que mesmo que a distribuição da renda seja a mesma para as famílias, o índice de Gini aumentou e a renda per capita para ambos os casos diminuiu. Bem, diminuiu ainda mais para os pobres!!!
Agora vamos ver no caso dos indivíduos 80% mais pobres e 20% mais ricos. 80% de 23 é 18,4 e 20% do mesmo número é 4,6. Por causa dos “quebrados”, teremos que “inventar” quatro décimos e seis décimos de pessoa. Entre os 20% mais ricos, incluem-se a família mais rica (3 pessoas) e mais 1,6 pessoas que pertencem à população pobre. Um membro da população pobre tem uma renda per capita de X$ 400, como visto antes; 0,6 membro da população pobre deverá ter uma renda de X$ 240 (X$ 400 x 0,6). Logo, a renda dos 20% mais ricos será de X$ 8.640 ou 0,54% de toda a renda. Agora teremos:
População = 23
Renda per capita total = X$ 695,65
Renda per capita dos 13,04% mais ricos = X$ 1.878,26
Renda per capita dos 86,96% mais pobres = X$ 400
Índice de Gini = 0,34 ou 34%*
Se a renda for triplicada, teremos a mesma distribuição, havendo apenas uma triplicação da renda per capita para ambas as camadas sociais. Enfim, mesmo com o mesmo índice de Gini, teríamos uma melhoria na renda e, portanto, na qualidade de vida!!!
Note que mesmo havendo diferenças nos índices de Gini em cada método, eles são superiores ao índice original. No primeiro caso, após o crescimento populacional, a população foi dividida por famílias (80% das famílias mais pobres x 20% das famílias mais ricas); e no segundo caso, por indivíduos (80% da população pobre x 20% da população mais rica). Em alguns casos, como no exemplo original, esses dois métodos se coincidem, mas quando não há essas coincidências, acredito eu que o primeiro método – o das famílias- é o mais condizente com a realidade. Por quê??? Pois as 1,6 pessoas da população pobre que foram realocadas na população rica no segundo caso pertencem a uma família pobre e dela são dependentes financeiramente; a menos que essas 1,6 pessoas formassem uma família e tivessem sua própria renda, o que não era o caso. Nesse caso, o índice de Gini real, a meu ver é o de 0,37 ou 37%!!!
Não vou entrar em mais detalhes senão iria longe, mas podemos considerar essas hipóteses. Resta saber quem tocará no assunto!!!
* Os índices de Gini expostos são, na verdade, valores mínimos possíveis dado àquela distribuição, embora na prática essa distribuição é bem improvável!!!
Sabemos que os casais mais pobres, pelo menos até uns anos atrás pois não sei como anda a situação atualmente, sempre têm mais filhos que os casais mais ricos. São vários exemplos de famílias miseráveis com dez filhos, casais pobres com cinco filhos e casais mais ricos com um ou dois filhos. Esse fenômeno não transfere renda e nem a distribui de forma desigual, mas dilui a renda já distribuida!!!
Exponho a seguinte situação: uma determinada região é habitada por apenas 5 casais (portanto, 10 pessoas). O casal mais rico possui uma renda familiar de X$ 8.000, enquanto os demais casais possui, cada um, uma renda familiar de X$ 2.000. Isso significa que a população 20% mais rica (o casal rico), possui 50% da renda nacional, Com esses números, teremos os seguintes resultados:
População = 10
Renda per capita total = X$ 1.600
Renda per capita dos 20% mais ricos = X$ 4.000
Renda per capita dos 80% mais pobres = X$ 1.000
Índice de Gini = 0,3 ou 30%*
Agora vamos dificultar um pouquinho as coisas para os casais: vários anos depois, o casal mais rico teve um filho, e os demais casais tiveram três filhos cada um. Cada família (os casais agora são famílias) possui a mesmíssima renda familiar de antes, com a devida correção monetária; a população aumentou 130%. Podemos analisar as consequências disso na distribuição da renda de duas formas. A primeira, é dividir essa população em 4 famílias pobres e a família mais rica; a segunda, é dividir a população em 80% mais pobre e 20% mais rica. Ambas as formas foram utilizadas antes e de forma simultânea, mas agora isso não será possível!!!
Como cada família possui as mesmas rendas de antes, então não houve alterações na distribuição da renda. O antes casal mais rico não ficou mais rico, nem os casais mais pobres ficaram mais pobres. O que mudou não foi a distribuição da renda, mas a distribuição na população, ou mais precisamente, houve uma má distribuição do aumento populacional!!!
Usando o método das famílias pobres e ricas, notaremos que agora a população das primeiras representam 86,96% da população total contra 13,04% da família mais rica. Ou seja, se antes a metade a renda nacional era destinada para 80% da população pobre, agora deve ser dividida com 86, 96% da população. Nesse caso, teremos a seguinte distribuição:
População = 23
Renda per capita total = X$ 695,65
Renda per capita dos 13,04% mais ricos = X$ 2.666,67
Renda per capita dos 86,96% mais ricos = X$ 400
Índice de Gini = 0,37 ou 37%*
Notem que mesmo que a distribuição da renda seja a mesma para as famílias, o índice de Gini aumentou e a renda per capita para ambos os casos diminuiu. Bem, diminuiu ainda mais para os pobres!!!
Agora vamos ver no caso dos indivíduos 80% mais pobres e 20% mais ricos. 80% de 23 é 18,4 e 20% do mesmo número é 4,6. Por causa dos “quebrados”, teremos que “inventar” quatro décimos e seis décimos de pessoa. Entre os 20% mais ricos, incluem-se a família mais rica (3 pessoas) e mais 1,6 pessoas que pertencem à população pobre. Um membro da população pobre tem uma renda per capita de X$ 400, como visto antes; 0,6 membro da população pobre deverá ter uma renda de X$ 240 (X$ 400 x 0,6). Logo, a renda dos 20% mais ricos será de X$ 8.640 ou 0,54% de toda a renda. Agora teremos:
População = 23
Renda per capita total = X$ 695,65
Renda per capita dos 13,04% mais ricos = X$ 1.878,26
Renda per capita dos 86,96% mais pobres = X$ 400
Índice de Gini = 0,34 ou 34%*
Se a renda for triplicada, teremos a mesma distribuição, havendo apenas uma triplicação da renda per capita para ambas as camadas sociais. Enfim, mesmo com o mesmo índice de Gini, teríamos uma melhoria na renda e, portanto, na qualidade de vida!!!
Note que mesmo havendo diferenças nos índices de Gini em cada método, eles são superiores ao índice original. No primeiro caso, após o crescimento populacional, a população foi dividida por famílias (80% das famílias mais pobres x 20% das famílias mais ricas); e no segundo caso, por indivíduos (80% da população pobre x 20% da população mais rica). Em alguns casos, como no exemplo original, esses dois métodos se coincidem, mas quando não há essas coincidências, acredito eu que o primeiro método – o das famílias- é o mais condizente com a realidade. Por quê??? Pois as 1,6 pessoas da população pobre que foram realocadas na população rica no segundo caso pertencem a uma família pobre e dela são dependentes financeiramente; a menos que essas 1,6 pessoas formassem uma família e tivessem sua própria renda, o que não era o caso. Nesse caso, o índice de Gini real, a meu ver é o de 0,37 ou 37%!!!
Não vou entrar em mais detalhes senão iria longe, mas podemos considerar essas hipóteses. Resta saber quem tocará no assunto!!!
* Os índices de Gini expostos são, na verdade, valores mínimos possíveis dado àquela distribuição, embora na prática essa distribuição é bem improvável!!!
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Post Mortem!!!
Existe vida após a morte??? Alguns não acreditam nisso, outros sim, e ainda há outros, como eu, que ficam nessa eterna dúvida. Eterna dúvida nada, pois quando chegar a nossa “hora”, ela morrerá junto, e sem direito a vida posterior. O problema é que se não existir não ficaremos conscientes da resposta!!!
Existem basicamente três visões de vida pós-morte: a da vida eterna, da ressurreição e da reencarnação/carma. Todos os detalhes do que virá após a morte varia de acordo com cada religião, mas todas as crenças a respeito estarão baseadas nessas três correntes. Quero falar um pouco de cada uma delas!!!
A visão de vida eterna sem reencarnação, presente nas grandes religiões monoteístas e a mais comum por aqui, me parece incômoda, inclusive contradiz o aspecto de sábio e justo que atribuem a Deus; ou então contradiz o seu aspecto onipotente. Vejam bem: um sujeito qualquer já matou intencionalmente (acho que nesse caso devemos desconsiderar a legitima defesa) várias pessoas inocentes, enfim, é um sujeito mau. Ele morre com 80 anos de idade, e então, vem seu castigo merecido. E em que consiste essa pequena punição: queimará por toda a eternidade num lugar com cheiro horrível, e será submetido a diversos tipos de tortura. Notem que o sujeito passará por castigos cruéis por toda a eternidade, embora sua vida pregressa tenha durado apenas 80 anos. O destino de toda uma eternidade decidida num pontinho da escala infinita do tempo, de 80 a 100 anos de vida. Na nossa escala, seria o mesmo que jogar uma criança num lugar horrível qualquer e torturá-la pelo resto da sua vida apenas porque cometeu uma pequena travessura num único segundo de sua existência. Justiça???
Uma dúvida que me surge é essa: Deus é quem quer assim ou isso é uma lei sobrenatural do qual nem Deus pode fazer nada a respeito??? Se for o primeiro caso, então macula o aspecto sábio e justo de Deus; se for o segundo caso, macula seu aspecto onipotente!!!
E como seria o paraíso eterno??? Ninguém saberia dizer ao certo como é o paraíso (ao contrário do inferno), além de especulações. Provavelmente seria um lugar de prazeres e maravilhas indescritíveis, capaz de nos fazer chorar de emoção ou de sentirmos alguma espécie de orgasmo. Essas sensações estariam presentes ao menos no primeiro momento, digamos, nos primeiros 100 anos; mas e depois??? Será que a mesmice do paraíso seria capaz de satisfazer a inquietude de algumas jovens almas??? Bem, perto do que há no inferno, acho que o tédio vindouro do paraíso seria a menor das preocupações!!!
No caso da reencarnação, a pessoa morre e retorna à vida. Essa nova vida será um reflexo da vida anterior. Basicamente, se a pessoa foi má na vida anterior, terá uma vida de sofrimento, mas com possibilidade de redenção; caso contrário, terá uma vida mais tranqüila, mas deverá manter a retidão moral da vida anterior, e assim seguirá nas demais reencarnações. Me parece algo bem mais justo que a da vida eterna sem reencarnação, mais de acordo com a superior justiça celestial!!!
E por último temos a ressurreição, que me parece a mais absurda de todas. Morremos, apodrecemos e depois todos os elementos químicos que formaram nosso corpo e foram dispersos se reunirão novamente e racharemos nosso sepulcro. Feito isso, deveremos providenciar um lugar e suprimentos para todos os bilhões de habitantes que a Terra terá, já que todos os que viveram desde Adão e Eva, ou só as pessoas de fé, ocuparão o mesmo espaço ao mesmo tempo!!!
Todas essas implicações são meramente filosóficas caso a outra opção esteja correta: a não-existência de vida pós-morte. Nesse caso, não importa a maldade ou bondade do ser humano, todos morreremos e nunca mais voltaremos, sob forma alguma. Aqueles que têm uma vida tranquila, sem quaisquer perturbações, defendem essa possibilidade sem angústias “espirituais”. Sob a ótica moral-existencialista, isso seria injusto e triste; não mais injusto que a da vida eterna, é verdade, mas injusto, mas também, de certo modo, tranquilizador!!!
Absurdas, ridículas, preocupantes ou injustas, são especulações ao mistério que a vida jamais nos responderá, e que no entanto, define nosso modo de agir e de viver, ou até de não continuar vivendo. Quem morrer verá!!!
Existem basicamente três visões de vida pós-morte: a da vida eterna, da ressurreição e da reencarnação/carma. Todos os detalhes do que virá após a morte varia de acordo com cada religião, mas todas as crenças a respeito estarão baseadas nessas três correntes. Quero falar um pouco de cada uma delas!!!
A visão de vida eterna sem reencarnação, presente nas grandes religiões monoteístas e a mais comum por aqui, me parece incômoda, inclusive contradiz o aspecto de sábio e justo que atribuem a Deus; ou então contradiz o seu aspecto onipotente. Vejam bem: um sujeito qualquer já matou intencionalmente (acho que nesse caso devemos desconsiderar a legitima defesa) várias pessoas inocentes, enfim, é um sujeito mau. Ele morre com 80 anos de idade, e então, vem seu castigo merecido. E em que consiste essa pequena punição: queimará por toda a eternidade num lugar com cheiro horrível, e será submetido a diversos tipos de tortura. Notem que o sujeito passará por castigos cruéis por toda a eternidade, embora sua vida pregressa tenha durado apenas 80 anos. O destino de toda uma eternidade decidida num pontinho da escala infinita do tempo, de 80 a 100 anos de vida. Na nossa escala, seria o mesmo que jogar uma criança num lugar horrível qualquer e torturá-la pelo resto da sua vida apenas porque cometeu uma pequena travessura num único segundo de sua existência. Justiça???
Uma dúvida que me surge é essa: Deus é quem quer assim ou isso é uma lei sobrenatural do qual nem Deus pode fazer nada a respeito??? Se for o primeiro caso, então macula o aspecto sábio e justo de Deus; se for o segundo caso, macula seu aspecto onipotente!!!
E como seria o paraíso eterno??? Ninguém saberia dizer ao certo como é o paraíso (ao contrário do inferno), além de especulações. Provavelmente seria um lugar de prazeres e maravilhas indescritíveis, capaz de nos fazer chorar de emoção ou de sentirmos alguma espécie de orgasmo. Essas sensações estariam presentes ao menos no primeiro momento, digamos, nos primeiros 100 anos; mas e depois??? Será que a mesmice do paraíso seria capaz de satisfazer a inquietude de algumas jovens almas??? Bem, perto do que há no inferno, acho que o tédio vindouro do paraíso seria a menor das preocupações!!!
No caso da reencarnação, a pessoa morre e retorna à vida. Essa nova vida será um reflexo da vida anterior. Basicamente, se a pessoa foi má na vida anterior, terá uma vida de sofrimento, mas com possibilidade de redenção; caso contrário, terá uma vida mais tranqüila, mas deverá manter a retidão moral da vida anterior, e assim seguirá nas demais reencarnações. Me parece algo bem mais justo que a da vida eterna sem reencarnação, mais de acordo com a superior justiça celestial!!!
E por último temos a ressurreição, que me parece a mais absurda de todas. Morremos, apodrecemos e depois todos os elementos químicos que formaram nosso corpo e foram dispersos se reunirão novamente e racharemos nosso sepulcro. Feito isso, deveremos providenciar um lugar e suprimentos para todos os bilhões de habitantes que a Terra terá, já que todos os que viveram desde Adão e Eva, ou só as pessoas de fé, ocuparão o mesmo espaço ao mesmo tempo!!!
Todas essas implicações são meramente filosóficas caso a outra opção esteja correta: a não-existência de vida pós-morte. Nesse caso, não importa a maldade ou bondade do ser humano, todos morreremos e nunca mais voltaremos, sob forma alguma. Aqueles que têm uma vida tranquila, sem quaisquer perturbações, defendem essa possibilidade sem angústias “espirituais”. Sob a ótica moral-existencialista, isso seria injusto e triste; não mais injusto que a da vida eterna, é verdade, mas injusto, mas também, de certo modo, tranquilizador!!!
Absurdas, ridículas, preocupantes ou injustas, são especulações ao mistério que a vida jamais nos responderá, e que no entanto, define nosso modo de agir e de viver, ou até de não continuar vivendo. Quem morrer verá!!!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Susan e Yang. Yang e Susan!!!
Susan Boyle, que a essa altura todos já devem conhecer, é a mais nova sensação da música internacional. Não é para menos: uma voz magnífica, realmente uma novidade numa época tão pobre em idéias e novidades. Mesmo perdendo a competição, seu futuro como cantora já está garantido. Meu voto de louvor a ela!!!
Mas não foi só isso que chamou a atenção do mundo para Susan. Feia, mal apresentada e insegura, surpreendeu o mundo com sua voz. Foi um dos raros momentos em que o talento se sobrepôs à aparência!!!
Diferentes situações; Yang Peiyi, para quem não se lembra, era a menina feia e de voz magnífica que cantou Ode à Pátria, a famosa canção das Olimpíadas de Pequim. Yang, por não ser “suficiente bonita para representar a China”, não pôde ser apresentada ao mundo como a verdadeira dona da voz. No lugar dela foi apresentada a bela Lin Miaoke. A intenção original dos organizadores, e com o consentimento do Diretor-Executivo do Comitê Olímpico Internacional, era mostrar uma menina linda, e com uma bela voz. Mas qual seria o motivo disso??? “Queríamos passar uma imagem perfeita e pensamos no que seria melhor para a nação”, justifica o diretor musical da cerimônia Chen Quigang, o mesmo que revelou o artifício por não concordar com o tratamento posterior que seria dado à pequena cantora. Esse tratamento posterior consistia em lançar Lin ao estrelato, sempre com Yang servindo de vitrola atrás da cortina!!!
Mas por que essa diferença de tratamento entre Susan e Yang??? Será que os tempos estão mudando??? Culturas diferentes??? No caso de Susan Boyle, só vejo uma explicação: a velha e quase onipresente competição. Um cânone do capitalismo, tão amaldiçoado por seus opositores. Era uma competição, e que vençam os melhores cantores, não sendo possível e nem desejável que alguém leve o mérito de outro, embora mesmo nos países capitalistas esse tipo de coisa acontece vez ou outra!!!
No caso da pequena Yang Peiyi, acho que o negocio é um pouco mais complicado. Não havia competição alguma, mas um movimento em prol de um evento que sempre procurou combinar eficácia e beleza, o bonito com o técnico. Não só uma coisa ou outra, mas as duas coisas juntas, além, é claro, de "passar uma imagem perfeita e no que seria melhor para a nação"!!!. Nada contra o primeiro motivo, mas o caso Yang mostrou um lado desagradável quando os elementos em questão são seres humanos, pior, quando são crianças, pior, quando certos setores resolvem levar a farsa às últimas conseqüências!!!
Uma coisa é esconder uma poltrona boa mas rasgada debaixo de um lençol aveludado, outra coisa é esconder uma criança com bela voz atrás de outra criança, bonita mas com voz possivelmente sofrível. Mas o que acontece quando não é possível esconder a poltrona??? A resposta talvez seja Susan Boyle!!!
Mas não foi só isso que chamou a atenção do mundo para Susan. Feia, mal apresentada e insegura, surpreendeu o mundo com sua voz. Foi um dos raros momentos em que o talento se sobrepôs à aparência!!!
Diferentes situações; Yang Peiyi, para quem não se lembra, era a menina feia e de voz magnífica que cantou Ode à Pátria, a famosa canção das Olimpíadas de Pequim. Yang, por não ser “suficiente bonita para representar a China”, não pôde ser apresentada ao mundo como a verdadeira dona da voz. No lugar dela foi apresentada a bela Lin Miaoke. A intenção original dos organizadores, e com o consentimento do Diretor-Executivo do Comitê Olímpico Internacional, era mostrar uma menina linda, e com uma bela voz. Mas qual seria o motivo disso??? “Queríamos passar uma imagem perfeita e pensamos no que seria melhor para a nação”, justifica o diretor musical da cerimônia Chen Quigang, o mesmo que revelou o artifício por não concordar com o tratamento posterior que seria dado à pequena cantora. Esse tratamento posterior consistia em lançar Lin ao estrelato, sempre com Yang servindo de vitrola atrás da cortina!!!
Mas por que essa diferença de tratamento entre Susan e Yang??? Será que os tempos estão mudando??? Culturas diferentes??? No caso de Susan Boyle, só vejo uma explicação: a velha e quase onipresente competição. Um cânone do capitalismo, tão amaldiçoado por seus opositores. Era uma competição, e que vençam os melhores cantores, não sendo possível e nem desejável que alguém leve o mérito de outro, embora mesmo nos países capitalistas esse tipo de coisa acontece vez ou outra!!!
No caso da pequena Yang Peiyi, acho que o negocio é um pouco mais complicado. Não havia competição alguma, mas um movimento em prol de um evento que sempre procurou combinar eficácia e beleza, o bonito com o técnico. Não só uma coisa ou outra, mas as duas coisas juntas, além, é claro, de "passar uma imagem perfeita e no que seria melhor para a nação"!!!. Nada contra o primeiro motivo, mas o caso Yang mostrou um lado desagradável quando os elementos em questão são seres humanos, pior, quando são crianças, pior, quando certos setores resolvem levar a farsa às últimas conseqüências!!!
Uma coisa é esconder uma poltrona boa mas rasgada debaixo de um lençol aveludado, outra coisa é esconder uma criança com bela voz atrás de outra criança, bonita mas com voz possivelmente sofrível. Mas o que acontece quando não é possível esconder a poltrona??? A resposta talvez seja Susan Boyle!!!
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Brasileirices!!!
O Brasil – aquele Brasil de que tanto reclamamos e nos envergonhamos - é o resultado de uma coleção de erros, equívocos, má vontade, indiferença e oportunismo de vários integrantes de todos os setores da sociedade, tanto da classe política, quanto empresarial, quanto intelectual, quanto religiosa, quanto popular. Alguns péssimos costumes e vícios podem ser notados através de um histórico de fatos. Não, não vou citar nenhum para defender minhas teorias, pois prefiro que você mesmo procure se lembrar de algum ao ler cada uma das colocações, ou leia e espere por um fato que se encaixe com as colocações abaixo!!!
Só pra começar, vou citar duas brasileirices, que talvez não sejam privilégios apenas nosso, o termo escolhido parece apropriado, pois são vícios muito presentes na nossa sociedade: o imediatismo e o desperdício!!!
O imediatismo, essa nossa predisposição a ter ou ver resultados imediatos, é uma das brasileirices pouco percebida ou comentada; mas o nosso maior problema talvez seja uma outra forma de imediatismo: a crença de que tudo é feito em curto prazo, mesmo aquelas coisas que, na verdade, só são concluidas ou geram resultados no longo prazo. Para nós, o futuro não existe, ou é um trecho de uma via diante de nós que logo acaba!!!
Como eleitor, o cidadão espera obras ou soluções imediatas de seus governantes. Sem tirar a razão desse cidadão, certas coisas realmente são urgentíssimas como a questão dos emprego, saúde e segurança públicas, e talvez sirvam de justificativa para a nossa predisposição ao imediatismo. O governante, como político, sabe que seus eleitores não apenas esperam por soluções imediatas, mas que os mesmos acreditam que tudo pode ser feito no curto prazo. Lamentável equívoco de nossa parte. Uma política social que erradicaria boa parte da pobreza poderá gerar resultados em dez ou vinte anos; mas, passado esse tempo, esses bons resultados serão creditados ao governante de então. Se o governo de uma unidade da federação investiu maciçamente em educação e inclusão social em 1990, e os resultados surgirem na sua plenitude em 2010, é provável que a população creditará tais resultados ao governador de então. Simples, um faz e outro leva os créditos!!!
E porque isso??? Porque acreditamos que tudo pode ser feito em dois ou três anos, embora ninguém saberia explicar o segredo dessa mágica. Por causa disso, continuando nesse exemplo fictício, o sortudo governador, que talvez nada tenha feito de útil no seu mandato, poderá ser reeleito ou fazer um sucessor!!!
Como se não bastasse tudo isso e muito mais, o imediatismo talvez seja a principal nascente de outra, e grave, brasileirice: o desperdício!!!
“Em tudo que se planta, dá”. Essa famosa frase de Pero Vaz de Caminha, como disse um professor que tive, foi um convite ao desperdício. A nossa aparente abundância faz parecer desnecessária uma administração dos recursos. Essa brasileirice tem um peso muito grande na contribuição do nosso atraso, como não é difícil deduzir!!!
A nossa cultura do desperdício não se limita ao uso dos recursos materiais, mas também ao uso de bens intangíveis, como o tempo. O desperdício do tempo soa paradoxal ao imediatismo, pois nesse caso, parece que o futuro existe e se faz bom uso dele (“deixe pra depois”). O tempo tem uma peculiaridade: embora seja infinito, ele é corrente e não volta atrás; ao contrário dos recursos naturais, que são finitos e podemos recolher o que deixamos para trás. Só por isso não deveríamos desperdiçá-lo, mas como muitos não se lembram do “não voltar atrás”, mas apenas do “que é infinito”, então o desperdício do tempo é inevitável nessa nossa cultura. Mas ao contrário do desperdício material, que quanto mais se usa maior o risco de desperdício, com o tempo é justamente o contrário!!!
Desperdiçamos, também, oportunidades. Se a precipitação pluviométrica de uma região é irregular (chove demais numa época e quase nada na outra), porque não armazenamos as águas dos períodos de cheia para usarmos em períodos de seca??? Talvez acabaríamos com as enchentes, e certamente acabaríamos com perdas na lavoura, na pecuária e no abastecimento de água. Não é uma saída tão simples, mas talvez seja possível. Ou custaria tentar??? Resumindo: desperdiçam uma água que só traz calamidades, e quando realmente é necessária, não se tem. Concluindo: ignoramos as oportunidades, e nesse caso, tal como o tempo, ignorar é desperdiçar!!!
Notem a relação entre imediatismo e desperdício. “Vamos usar e abusar do que temos agora, pois temos em abundância, e o futuro não existe (a idéia-motriz do nosso imediatismo)”, esse é o comando mental que impulsiona nossa sociedade. Um impulso que sempre nos leva para trás!!!
Só pra começar, vou citar duas brasileirices, que talvez não sejam privilégios apenas nosso, o termo escolhido parece apropriado, pois são vícios muito presentes na nossa sociedade: o imediatismo e o desperdício!!!
O imediatismo, essa nossa predisposição a ter ou ver resultados imediatos, é uma das brasileirices pouco percebida ou comentada; mas o nosso maior problema talvez seja uma outra forma de imediatismo: a crença de que tudo é feito em curto prazo, mesmo aquelas coisas que, na verdade, só são concluidas ou geram resultados no longo prazo. Para nós, o futuro não existe, ou é um trecho de uma via diante de nós que logo acaba!!!
Como eleitor, o cidadão espera obras ou soluções imediatas de seus governantes. Sem tirar a razão desse cidadão, certas coisas realmente são urgentíssimas como a questão dos emprego, saúde e segurança públicas, e talvez sirvam de justificativa para a nossa predisposição ao imediatismo. O governante, como político, sabe que seus eleitores não apenas esperam por soluções imediatas, mas que os mesmos acreditam que tudo pode ser feito no curto prazo. Lamentável equívoco de nossa parte. Uma política social que erradicaria boa parte da pobreza poderá gerar resultados em dez ou vinte anos; mas, passado esse tempo, esses bons resultados serão creditados ao governante de então. Se o governo de uma unidade da federação investiu maciçamente em educação e inclusão social em 1990, e os resultados surgirem na sua plenitude em 2010, é provável que a população creditará tais resultados ao governador de então. Simples, um faz e outro leva os créditos!!!
E porque isso??? Porque acreditamos que tudo pode ser feito em dois ou três anos, embora ninguém saberia explicar o segredo dessa mágica. Por causa disso, continuando nesse exemplo fictício, o sortudo governador, que talvez nada tenha feito de útil no seu mandato, poderá ser reeleito ou fazer um sucessor!!!
Como se não bastasse tudo isso e muito mais, o imediatismo talvez seja a principal nascente de outra, e grave, brasileirice: o desperdício!!!
“Em tudo que se planta, dá”. Essa famosa frase de Pero Vaz de Caminha, como disse um professor que tive, foi um convite ao desperdício. A nossa aparente abundância faz parecer desnecessária uma administração dos recursos. Essa brasileirice tem um peso muito grande na contribuição do nosso atraso, como não é difícil deduzir!!!
A nossa cultura do desperdício não se limita ao uso dos recursos materiais, mas também ao uso de bens intangíveis, como o tempo. O desperdício do tempo soa paradoxal ao imediatismo, pois nesse caso, parece que o futuro existe e se faz bom uso dele (“deixe pra depois”). O tempo tem uma peculiaridade: embora seja infinito, ele é corrente e não volta atrás; ao contrário dos recursos naturais, que são finitos e podemos recolher o que deixamos para trás. Só por isso não deveríamos desperdiçá-lo, mas como muitos não se lembram do “não voltar atrás”, mas apenas do “que é infinito”, então o desperdício do tempo é inevitável nessa nossa cultura. Mas ao contrário do desperdício material, que quanto mais se usa maior o risco de desperdício, com o tempo é justamente o contrário!!!
Desperdiçamos, também, oportunidades. Se a precipitação pluviométrica de uma região é irregular (chove demais numa época e quase nada na outra), porque não armazenamos as águas dos períodos de cheia para usarmos em períodos de seca??? Talvez acabaríamos com as enchentes, e certamente acabaríamos com perdas na lavoura, na pecuária e no abastecimento de água. Não é uma saída tão simples, mas talvez seja possível. Ou custaria tentar??? Resumindo: desperdiçam uma água que só traz calamidades, e quando realmente é necessária, não se tem. Concluindo: ignoramos as oportunidades, e nesse caso, tal como o tempo, ignorar é desperdiçar!!!
Notem a relação entre imediatismo e desperdício. “Vamos usar e abusar do que temos agora, pois temos em abundância, e o futuro não existe (a idéia-motriz do nosso imediatismo)”, esse é o comando mental que impulsiona nossa sociedade. Um impulso que sempre nos leva para trás!!!
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