quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Racismo: Sim, Não ou Quem Sabe?


P.S: Há certas opiniões que são um risco para seu autor, principalmente num país onde 38% dos universitários são analfabetos funcionais (imaginem o resto da população) e temo que o texto abaixo, pelo menos em algumas passagens, seja uma delas; sem falar do olho ideológico que maliciosa e criminosamente distorce a única interpretação possível ou que simplesmente tira uma citação do contexto, “provando” a maldade do autor. Mesmo assim postarei, pois a covardia é um mal a longo prazo. Portanto, caso alguém ou algum grupo se sinta ofendido, não pedirei desculpas.



Começando:


Tudo vira racismo. Não gostou do vestido de uma atriz negra? É racista. Achou uma modelo negra feia? Racista. Foi encontrado o corpo de um homem negro? Lógico: foi morto, em última análise, por racismo. Qualquer pessoa que aponta esses exageros é vista como alguém que nega a existência do racismo. É o raciocínio binário: existe ou não existe, e se existe, então tudo é racismo.


Embora o racismo de brancos para negros seja o mais evidente, existem também o do sentido contrário, ou de outras etnias contra eles ou deles contra outras etnias, ou de outras etnias contra outras etnias... O racismo, na verdade, é apenas uma das várias formas de preconceito, e como tal, sempre irá existir onde houver pelo menos dois grupos populacionais distintos, ou nesse caso, grupos étnicos. O Brasil é considerado um país racista simplesmente porque existe racismo, e existe justamente porque há pelo menos dois grupos étnicos distintos.


Dada essa condição para sua existência, então tudo é racismo, na lógica binária. Um exemplo que circula nas redes sociais é o fato de que 70% das pessoas assassinadas no Brasil são negras, e isso provaria que o Brasil é um país essencialmente racista. Onde está o erro desse argumento? 1) Ele pressupõe que todos os assassinos são brancos. 2) Não leva em conta a proporção entre negros e brancos no Brasil. 3) Ignora as demais possíveis causas de um assassinato.



A preferência por brancos:


Outro exemplo, hipotético, mas nem tanto: se um cantor negro não faz o mesmo sucesso que um cantor branco que canta o mesmo tipo de música, então vivemos num país racista (falei sobre isso aqui e continuando aqui). Antes farei uma colocação:

  • Segundo os dados da PNAD/IBGE de 2013, 46,26% da população se considerava (atentem a esse verbo) branca, 45% pardos e apenas 8% negros. Como em diversos círculos intelectuais, os pardos são considerados negros (parte deles podem ser, mas dificilmente todos) então somados são 53% da população brasileira.

Voltando do intervalo. Será que 53% de uma população não ouve música ou é indiferente a ela, por não dar “votos” ao cantor negro? Ou existe a inominável possibilidade de que grande parte deles preferem o cantor branco? É claro que ninguém sabe ou quer responder.


Outro exemplo, nada hipotético, seria a preferência que casais que adotam crianças por crianças brancas. Ora, num país onde metade da população seria negra, não há um casal negro que adote crianças negras?



Recusado na seleção:


Outra coisa que incomoda um tanto de gente é o fato de alguns empregadores recusarem a mão-de-obra negra. Não se sabe ao certo, em cada caso, o verdadeiro motivo, mas a possibilidade de racismo jamais deve ser descartada. Mas e se aparentemente for por racismo, podemos culpar o empregador? A princípio, a resposta é um sonoro SIM, mas vamos com calma nessas horas, pois nem sempre é o que parece. Se realmente vivemos numa sociedade racista, seria um bom negócio empregar um negro, sabendo que nenhum freguês branco queira ser atendido por ele? Quantas roupas uma atendente de loja negra conseguiria vender para uma branca numa sociedade racista? Provavelmente nenhuma. Você, como patrão(oa) empregaria alguém que não consegue vender nada? Faça essa pergunta pra você mesmo.



O antepassado “imigrado” e torturado:


Todos sabem algo sobre a escravidão no Brasil, mesmo que seja por meio de novelas como Escrava Izaura e Sinha Moça. Leandro Narloch, em seu indispensável Guia do Politicamente Incorreto da História do Brasil, mostra de uma forma bem mais próxima da realidade que a escravidão não era igual para todos os negros, havendo, em certos casos, a possibilidade da alforria (libertação) e – quem diria? – do direito de escravizar outros negros. Mas a versão prevalecente é a de uma população negra inteira trabalhando em canaviais, acorrentados nas senzalas, sendo seguidamente chicoteados, entre outros horrores. Tudo isso explicaria a atual exclusão dos negros na sociedade e uma merecida compensação por todos os males sofridos por seus antepassados longínquos.


Sim, existe discriminação, principalmente da chamada “elite” da sociedade, que talvez associam a população negra à pobreza e servidão, um resquício da escravidão. Embora o racismo seja um obstáculo, até onde ele atrapalha em um país onde metade da população é considerada negra? Marginalizar hermeticamente metade da população de um país por qualquer critério só seria possível por leis ou decretos, como no Apartheid sul-africano, onde a maior parte da população é negra, ou nos EUA até a metade do século XX, mas não é o caso do Brasil. Então há outros fatores que expliquem essa marginalização, além do racismo.

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Sempre que alguém ousa comparar a ascensão social de imigrantes japoneses com a dos negros, o argumento da escravidão-sofrimento-navios negreiros-senzala é imediatamente sacado do coldre. Eu refutaria isso afirmando que no final da primeira década do século XX (quando os japoneses vieram ao Brasil) a situação de ambas as etnias não era muito diferente uma da outra: ambas serviram de mão-de-obra quase escrava, sem falar dos descendentes de escravos alforriados, que deviam ter uma vantagem social em relação aos descendentes dos escravos das senzalas e mesmo aos japoneses da época. Então, outra coisa explicaria essa diferença na ascensão social de ambas etnias (convenhamos, os japoneses superam até os “herdeiros dos escravocratas” como devem ser vistos os brancos com sobrenome português). Novamente, há outros fatores que expliquem essa diferença, além do racismo.

Mas...como remediar todo o sofrimento causado aos negros em séculos passados? Se isso ainda afeta os negros de hoje, então a única coisa forma de ajudá-los seria um tratamento psicológico para superar o trauma de uma situação que nunca viveram, aliás, sequer sabem de que região da África seus antepassados vieram.


Qual seria sua reação se algum louco gritasse “Voltem p’rá África”? Lembrem-se que os africanos não vieram ao Brasil por livre e espontânea vontade, como os demais; foram sequestrados, arrastados para o continente americano. Quando uma pessoa passa por tal situação e tempo depois é libertada, a primeira atitude a tomar não seria devolvê-la ao seu país de origem, além de passar por um tratamento psicológico como sugerido acima? Então, quando falam em “compensar os negros por todo o mal que seus antepassados passaram”, essas duas sugestões devem ser consideradas. E aí, alguém quer ser compensado?


Sim, o racismo existe, mas podemos ser considerado um povo racista? Não sei. Manchetes que acusam 100 atos racistas em um ano podem ser usados como prova cabal disso, mas se em cada um desses atos tiver 3 racistas, somariam trezentos, algo como 0,0003% da população branca brasileira. Se ao menos tivessem uns 2%...quem sabe, né?


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                                                   POSFÁCIO:


Como sou um sujeito precavido, beirando a paranoia, pré-responderei a algumas possíveis acusações que podem surgir:



1) O autor dessa postagem está justificando a discriminação quando afirma que um patrão não precisa empregar negros.

Resposta: O que o autor dessa postagem afirma é que a recusa de um patrão em empregar negros pode não ser necessariamente por racismo pessoal, explicando os motivos pelo qual acredita nisso.


2) O autor dessa postagem quer que os negros voltem para a África.

Resposta: Disse que uma verdadeira compensação aos negros seria o retorno à África, já que seus antepassados foram arrancados de lá, como em um sequestro, o que é tantinho diferente de desejar que voltem para lá. Aliás, que mal há em voltar para a África? Um descendente de europeu ou asiático se ofenderiam se eu sugerisse que voltasse para a terra de seus antepassados?


3) Ele disse que negros podem preferir cantores brancos e - horror dos horrores - até mesmo adotar crianças negras!!!

Resposta: Disse.


4) Pela sua lógica, disse que negros podem matar negros!!!

Resposta: Se chegou a essa conclusão, parabéns!


5) Ele disse que racismo não existe!

Resposta: Vá p'rá PQP!


Então é isso. Até mais.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Judas traído!!!

Amanhã celebraremos o dia da Paixão de Cristo, uma das datas mais caras ao Cristianismo. Segundo a crença cristã, Jesus Cristo morreu para salvar a humanidade, morreu por nossos pecados que nos condenaria à morte. Isso, porém, só fou possível porque um de seus apóstolos, Judas Iscariotes, o teria traído, indicando com um beijo o homem que seria o "Rei dos Judeus"!!!



Então, a morte redentora de Jesus só foi possível porque Judas o traíu; sem essa traição, não haveria morte de Jesus e a humanidade estaria condenada. Então, porque Judas é tido como o vilão da história, a personificação da traição? Não seria uma visão injusta sobre Judas???



Antes de mais nada, no meu ver, o maior traidor da história, ao menos mais traidor que Judas, foi o filho de imperador romano Julío Cesar, Brutus. Ele literalmente apunhalou seu pai adotivo pelas costas sem demonstrar posterior arrependimento. "Até tu Brutus?". Ao contrário de Júlio Cesar, Jesus Cristo já esperava que fosse traído por um de seus seguidores, talvez até soubesse por quem, como se houvesse um grande plano celestial em andamento. Para isso, necessitariam de um agente responsável pelo andamento dessa roda da fortuna. Esse alguém foi Judas, que ao contrário de Brutus, se arrependeu amargamente do que fez!!!



Mas seria Judas um agente ciente do seu papel nesse grande plano? Ou ele participou desse plano sem seu conhecimento? O "Cara Lá de Cima" xuxamente falando, instigou a ganância de um homem para pôr seu plano em funcionamento? Ele provocou algum efeito borboleta que fatalmente levaria esse apóstolo à traição no momento certo? Mistérios da fé, mas o que não podemos negar é que a traição de Judas foi providencial, sem ela a humanidade estaria condenada à morte e não teríamos o milagre da ressurreição!!!



Depois dessa, é de se pensar se é justo ficar malhando Judas no sábado!!!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Estuprando estatísticas

 A estatística, dizem as más línguas, é a arte de torturar números. Nesse caso, fiz no título uma paráfrase mais de acordo com a suposta preferência do povo brasileiro!!!


A essa altura, todos já ouviram falar sobre a mais recente pesquisa do IPEA e a estarrecedora conclusão de que somos uma sociedade machista. Outros já concluem que o homem brasileiro é machista, como se a pesquisa fosse feita apenas com homens. Veja a notícia abaixo:

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2014/03/para-585-comportamento-feminino-influencia-estupros-diz-pesquisa.html


Abaixo, uma síntese da coisa:



Antes de mais nada, vou deixar bem claro (já que em redes sociais não fui bem entendido) que não estou negando a existência de estupros, nem minimizando-os, tampouco dizendo que a sociedade não é machista ou coisas do tipo. Minha intenção é explorar melhor esses dados. Então vamos lá. Vou me ater apenas nas respostas que denotam algum grau de machismo dos entrevistados!!!


Uma que me chamou a atenção foi essa:

 "Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama"

34,6% concordam totalmente
20,3% concordam parcialmente
26,4% discordam totalmente
8,9% discordam parcialmente
9,5% se dizem neutros em relação à afirmação


1) 34,6% dos entrevistados - ou seja, a maioria - concordam com a afirmação acima. Essa seria uma resposta típica de homem, o que não quer dizer que não há mulheres que pensem da mesma forma. Afirmo, inclusive, que algumas das "mulheres que é pra cama" concordam com isso. Mas para parecer politicamente correto e não ser alvo de acusações, afirmarei que essa resposta foi dada apenas por homens. Mesmo nesse caso, teremos 1,1% das mulheres entrevistadas concordam com a afirmação. Se esses 1,1% representam as "mulheres que é pra cama", então haverá alguma compreensão com esse pensamento, uma "liberdade de escolha da mulher", digamos assim. Mas, se esses 1,1% são as "mulheres que é pra casar", então logicamente é machismo!!!


2) No mínimo 28,32% dos cristãos entrevistados concordam totalmente com a afirmação, na improvável hipótese de que todos os não-cristãos (incluindo aí ateus e agnósticos), pensem dessa forma. É, tem cristãos pulando a cerca ou que pulariam na primeira oportunidade, o que contraria os princípios cristãos. Mas sejamos justos: para não ficarem feios na foto, muitos se dizem "católicos", que não estão muito preocupados com isso. Pena que a pesquisa não diferencia os praticantes dos não-praticantes!!!


Agora, vamos à grande atração dessa celeuma toda:


Para 58,5%, comportamento feminino influencia estupros, diz pesquisa...



...mas "65% dos brasileiros acham que mulher de roupa curta merece ser atacada". Se todos os homens respoderam isso, então é lógico afirmar que no mínimo 31,5% das mulheres concordam com essa afirmação. É claro que nem todos os homens responderam isso, pois deve ter algum feminista-esquerdista-gente-boa que jamais concordaria com uma idéia tão...tão...direitista. Logo, mais de 31,5% das mulheres concordam com tal afirmação. Todas da direita, claro!!!




Outra possibilidade: se todos os brancos responderam "sim" (vamos considerar que índios e orientais juntamente com brancos somem 40%), então quase metade dos negros também apóiam essa afirmação. Essa seria a conclusão que os esquerdistas seriam obrigados a aceitar; nenhuma hipótese pior que essa, por mais provável que seja!!!

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Mas essa amostra representa realmente a população brasileira? A proporção dos entrevistados sendo do Sul e Sudeste está de acordo com a proporção brasileira, mas o mesmo não podemos dizer da população de acordo com o sexo e cor da pele, no qual metade da população é de mulheres e metade é branca, aproximadamente!!!


Segundo a reportagem de O Globo, a acessoria do IPEA "não informou qual o percentual de homens e de mulheres que opinaram especificamente em relação à questão do comportamento feminino.". Se não quis informar isso, então devo desconfiar que o percentual de mulheres machistas pode ser igual ou maior que de homens!!!


Será???

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Sobre homens e animais!!!


Eras atrás, escrevi uma postagem sobre foguetórios no ano-novo, ao menos na frente de casa há estouros de rojões e foguetes que começam ainda de dia, e quem sofre com isso são os cães. Eu também me irrito a tal ponto que desejo que algum rojão inocente estoure na mão de um deles para servir de exemplo, já que os pais (sim, os meliantezinhos devem ter uns 10 ou 11 anos de idade) não tomam as devidas providências, talvez, quem sabe, temendo denúncias ao Conselho Tutelar. Não sou lá um ativista defensor dos animais, até prefiro não tê-los em casa, mas também não sou um cão insensível (ops, foi mal), indiferente ao sofrimento deles, até porque meus pais tem cães e tentamos aplacar o padecimento dos bichos nessas horas!!!


Esse drama que se repete toda vez que a Terra completa sua translação abalou algumas certezas que tinha sobre a escala de importância que eu dava aos seres vivos, mais precisamente, entre o homem e os animais domésticos. Eu era - talvez ainda seja considerado - um especista, ou seja, aquele que considera sua espécie superior às demais, algo análogo ao racismo, machismo, femin....(ops, esse é diferente, dirão) ou ao arianismo. Acho que a melhor forma de descobrirmos qual o grau de importância que damos aos nossos semelhantes ou diferentes é a velha regrinha do dilema!!!


Imaginem uma inundação ou um deslizamento de terra (nós, brasileiros, não precisamos esforçar a imaginação para isso) e duas das vítimas necessitam de ajuda urgente ou morrerão logo. Uma das vítimas é um ser humano e a outra é um cão. Não há como salvar as duas, apenas uma. O que você faria? Até uns tempos atrás, salvaria o ser humano sem hesitação. Não porque considero alguém superior, mas alguém semelhante. Entre um conhecido e desconhecido, salvaria o conhecido. Todas as espécies dão preferência aos seus semelhantes ou a algo próximo de nós, como parentes (cunhados ficam a critério de cada um); talvez a exceção seja entre os sexos: um cavalheiro da minha estirpe salvaria a dama (sexos diferentes, e não me venham com essa “ême” de “gêneros”) e olharia para o outro cavalheiro como se eu dissesse “você entende minha decisão, não? É cavalheirismo”, mesmo numa época em que querem igualar homens e mulheres em tudo. Mas à medida que você amplia seus critérios, o dilema fica ainda mais dramático para si...ou não!!!


Imagine que a pessoa a ser salva da tal inundação seja um bandido, um assassino ou estuprador. É claro que minha preferência será para o cãozinho, principalmente ao saber que o tal bandido talvez nunca seja preso, ou seria mas não antes de fazer mais uma vítima. Em casos assim, um pouco de discriminação, como o especismo ou “indolismo” (discrimina pela índole da pessoa), é necessária ao menos nesses casos, caso contrário, o herói do acaso fica numa completa indecisão sobre quem salvar e aí as duas vítimas acabam morrendo!!!


Agora pergunto: alguém que dá toda a preferência aos animais sobre o ser humano, não pode também ser considerado um especista? No dilema citado, a turma do PETA não hesitaria em salvar o cão e depois assistiria o infeliz humano morrer, talvez lhe ofereciam um jato d’água para melhorar a situação. Brigitte Bardot, a sensual atriz dos anos 50 e hoje uma adorável senhora, certa feita declarou que quanto mais conhece o ser humano, mais ama seus animais. Certamente pediria para a sua estátua em Búzios salvar o humano, enquanto arriscaria a vida, dada a sua condição etária, para salvar o cãozinho!!!


Sei lá, poderíamos usar outros critérios e deixar a coisa mais complicada, mas o que quero mostrar é quão complicadas são nossas motivações, a ponto de sermos obrigados a levar uma listinha de critérios no bolso para casos de emergência e assinalá-los antes de ajudarmos alguém. Em épocas em que matamos cachorro a grito (ops, foi mal), ou quando a coisa fica preta (ops, foi mal), ou quando mandamos a esposa fazer um lanche pra nós (mal de novo), as nossas escolhas ficam cada vez mais difíceis. No caso dos foguetórios de fim-de-ano, a coisa é bem mais simples: rezo para São Francisco de Assis para que um rojão estoure nas mãos de quem segura!!!

domingo, 1 de setembro de 2013

Médicos cubanos, brasileiros, portugueses...!!!


Já que todo mundo está falando do programa Mais Médicos, vou falar também. E só por isso vou falar. Demorei um pouco e acho que deveria demorar um pouco mais, pois a cada semana pode acontecer algo inesperado, como de fato aconteceu. Falarei sobre isso mais adiante!!!



Pularei as apresentações, pois, a essa altura, até o casal octogenário de algum grotão, que só ouviu boatos sobre a existência de uma caixa mágica chamada televisão, já sabe do que se trata tal programa. Como esperado, a opinião pública se dividiu entre os prós e contras. Os “prós” alegam que as regiões mais distantes e miseráveis necessitam de médicos, e que por sua vez, os médicos dos grandes centros não querem ir para lá. Já os “contra”, focalizam os médicos cubanos – que devem ser maioria – afirmando-os que são agentes de Fidel que difundirão o comunismo, ou que trabalham em condições análogas à escravidão. E você? É contra ou a favor???



O problema das regiões distantes e miseráveis não se limita a falta de médicos. Em alguns casos, sim, mas em boa parte dessas regiões, faltam seringas, remédios, refrigeração para vacina, e outros produtos e equipamentos necessários para o tratamento de pacientes. Quem é a favor da vinda dos médicos não considera esses detalhes. Isso, porém, não justifica a aversão à vinda deles (falarei disso também mais adiante). O correto seria exigir a mínima estrutura necessária ao tratamento de pacientes nessas regiões – incluindo aí o saneamento básico, responsabilidade dos governos, e não de médicos forasteiros. Resolvido isso, e mesmo assim não haver médicos para atender nessas regiões, aí sim, apela-se para o plano B: trazer médicos de fora!!!



Isso aconteceu no Maranhão. Motivo? Falta de vagas na maternidade, não de médicos:




Outro argumento utilizado para justificar a vinda de médicos cubanos é que eles atendem em outros países. Em Portugal, por exemplo, eles "deixaram saudades" (veja aqui). A parte estranha disso é que médicos portugueses também estão vindo pra cá. Ora, será que estava faltando médicos e agora está sobrando? Ou eles preferem vir para cá e deixarem seus patrícios desassistidos? Ou é algum artifício digno do anedótico raciocínio lusitano? E novamente, ignora-se a questão da infra-estrutura desses lugares remotos. Será que faltam leitos ou remédios por lá???



Outra questão que ninguém ousou tocar é: por que não há médicos nativos suficientes nessas regiões? Existem 16 universidades publicas na região Norte, 30 no Nordeste, fora as universidades particulares, mas aparentemente muitos estudantes não se interessam pela medicina, apesar do bom salário oferecido nessas regiões. Por que não há médicos "nativos" suficientes nessas regiões???



Médicos cubanos


Talvez o principal motivo dessa celeuma seja mesmo a quantidade de médicos vindos para cá, e a maioria deles sendo cubanos. Médicos cubanos já vieram para cá, mas não nessa quantidade. A propósito, tudo o que vem de Fidel merece nossa insolúvel suspeita. Seu histórico de difundir o socialismo pelas armas, pelo ensino ou por outros meios já dura mais de 50 anos!!!



Mas esses médicos cubanos são agentes difusores do comunismo? Não sei, mas é engraçado que aqueles que achincalham essa possibilidade são os mesmos que acusam Yoani Sanchez de ser agente da CIA. O que se sabe até agora é que o líder comunista embolsará um “mais-valia” de 70% desse gordo salário para os padrões cubanos “sem luxo, mas sem pobreza”. Ah, se fosse um capitalista que fizesse isso...! Sabemos também que esses médicos são “funcionários” do governo, seus serviços são produtos de exportação desse mesmo governo, e não terão um décimo da autonomia que seus colegas de outros países terão!!!



Sobre isso, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já usou a previsível alegação de que os médicos tiveram sua formação gratuita, e que agora terão que repor os custos de seus estudos. Pagar R$ 7.000 por mês, não importando quantos anos trabalhem nessas condições? Existe algum curso de medicina no Brasil que custe isso, mesmo com todo o "mais-valia" incluído? Será que estarão custeando, também, os custos dos estudantes estrangeiros em Cuba? Os médicos de Portugal e de outros países também serão achacados dessa forma ou todos eles foram formados em universidades particulares, portanto, não havendo necessidade de repor o erário???



O inesperado


Muito se falou sobre a necessidade ou não, sobre as possíveis conseqüências ou não, das vindas de tantos médicos cubanos, mas talvez ninguém tenha previsto algo com grande probabilidade de acontecer, e que de fato aconteceu: prefeituras pobres (e talvez, as mais ricas também) estão substituindo médicos contratados do país por médicos cubanos. O artifício é lógico: quem paga os médicos estrangeiros é o governo federal; quem paga os médicos nacionais – nativos ou não – são as prefeituras. Ora, pagar R$ 10.000 ou mais para cada médico é muito oneroso para essas prefeituras, e os médicos estrangeiros só custarão a elas o aluguel e outros gastos menores; portanto, nada mais lógico para essas prefeituras, sob o desesperado ponto de vista financeiro delas, que fazer essa substituição. E o povo, como fica? Do mesmo jeito d’antes: não fica!!!



Caiu-se na armadilha das soluções paliativas: arrumar de um lado, mas estragar do outro. Alguns anos atrás, a secretaria de obras da minha cidade procurou resolver o problema do engarrafamento que ocorria num certo trecho do centro (medida paliativa). A solução foi mudar o sentido do tráfego nesse trecho. Essa medida, segundo o secretário, reduziria o fluxo em 700 carros por dia. Um grande feito para o nosso trânsito. O único problema é que esses carros não iriam simplesmente sumir, desaparecer, eles foram para outros trechos já bem trafegados. Somando os carros que já transitavam por lá com esses novos, o resultado foi o óbvio: melhorou de um lado, mas piorou do outro. O caso dos médicos substituídos pode ser pior: demite-se médicos que estão lá, sem que haja o desejado acréscimo de médicos!!!



Médicos brasileiros


É sabido, até pelo casalzinho octogenário lá de cima, que existem bons e maus profissionais em qualquer área. Vou me referir daqui em diante aos maus profissionais, aos incompetentes, aos achacadores do SUS, e ao corporativismo. Compreende-se que eles não queiram ir a regiões isoladas do país ou do estado onde residem. Sei também que é de um simplismo desonesto quando acusam tais médicos de querer tão somente ganhar dinheiro, como se querer fosse poder (falei sobre isso no outro blog). Desonesto, porque muitos daqueles que acusam fariam a mesma coisa no lugar deles!!!



O que não se compreende é essa aversão xenofóbica aos médicos que estão se prontificando (no caso dos cubanos, os Castro estão prontificando-os) a fazer o que eles não querem. No desembarque dos médicos cubanos em Fortaleza, houve uma sublime manifestação de preconceito por parte dos médicos brasileiros, e de uma jornalista, que comparou as médicas cubanas a empregadas domésticas. No entender dela, isso desqualifica alguém. Outros querem recusar a ajudar pacientes que não tiveram tratamento adequado dos médicos cubanos. Uma omissão criminosa, sem dúvida, mas se os médicos cubanos forem tão bons como dizem, não há porque levar a sério essa birra de alguém carente de atenção!!!



Por enquanto é isso. Fiquem atentos ao desenrolar dessa trama. Muitas surpresas virão, e espero que sejam agradáveis. Mas não sei não!!!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Presença de Anitta - Urgente!!!

Na postagem A Presença de Anitta (com dois "tês", por favor), falei sobre o suposto racismo da sociedade, que não dava ao grupo O Bonde das Maravilhas o mesmo destaque dado à Anitta. Sinceramente, não conhecia esse grupo e nem a Anitta, a não ser pelos seus nomes, mas eis que me deparo com a seguinte notícia!!!



JUSTIÇA PROÍBE SHOW DO BONDE DAS MARAVILHAS


Abri logo para ver o porquê dessa proibição. Já estava eu achando que fosse algum tipo de racismo velado, mas eis que descubro que se o grupo é formado por...DE MENORES DE IDADE, garotas entre 13 e 17 anos!!!


...A apresentação das adolescentes entre 13 e 17 anos foi proibida e só poderia ser realizada se o grupo tivesse "autorização judicial expedida por juiz competente", caso contrário a proibição continuaria válida pois as garotas, de acordo com palavras usadas pela Juíza em sua decisão "apresentam-se praticamente seminuas, dançando coreografias altamente sensuais, elas estão inseridas em contexto erotizante que lhes deturpa a boa formação moral e sexual, com aberto convite à prostituição"...



Sendo assim, o que me surpreende é o fato desse grupo simplesmente existir. E me surpreende também é o fato da tal Joseline Gomes não ter comentado e muito menos ter se incomodado com isso. O racismo que ela tanto condena no texto pode ser real ou imaginário, mas o fato de menores se apresentando semi-nuas é algo bem real. A Anitta, antes que perguntem, tem 20 anos!!!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Menos, direitistas, menos - II

50 MIL MORTES POR ANO no Brasil!!!


Esse é a média de assassinatos no Brasil, o equivalente à três ou quatro anos de Guerra do Iraque (mas como a população desse país é 7 vezes menor que a nossa, então a situação lá é ainda pior). Para resolver essa calamidade, muitos direitistas apelam para uma nova ditadura militar. Numa postagem anterior sobre a ditadura, procurei mostrar que uma possível ditadura comunista na época não seria tão cruel como foram seus pares em outros países, exatamente como a ditadura militar daqui não foi tão cruel quanto a dos países vizinhos. Nessa postagem, vou mostrar que o argumento deles está incompleto e não diferencia a natureza dos agentes envolvidos!!!



Segundo os defensores do tal regime, houve 400 mortos e desaparecidos na ditadura em 21 anos contra 150 mil assassinatos por ano. Onde está a falha? 1º - Não estão considerando o número de assassinatos comuns no período militar, praticados por bandidos sem farda ou por desentendimentos, como acontece hoje. 2º - Se é inaceitável que cidadãos comuns sejam mortos por bandidos comuns, mais inaceitável ainda é o governo matar seus cidadãos. Quando isso acontece, a quem vamos reclamar? Quando apanhamos dos irmãos, podemos reclamar para os pais, mas quando os pais nos batem???



É possível que a primeira falha ao ser corrigida mostre que a criminalidade naquele período era bem menor que hoje, mesmo havendo o perigo dos militares te confundirem com o Che Guevara. Já a segunda falha é o que diferencia os regimes ditatoriais de regimes democráticos. Não há como corrigir ou justificar!!!



Enfim, um problema não justifica o outro, embora acredito que um problema pode levar a outro. E o apelo de uma parte da população para um novo regime militar evidencia isso!!!