sexta-feira, 21 de julho de 2017

O Cientista e a Petrolífera!!!

Esse é minha quinta postagem desse ano. Como disse postagens atrás, estou ficando monotemático, o que é inadmissível para um blog que se comprometeu a falar de diversos assuntos. Mas voltei para falar de um assunto que já escrevi várias vezes, que é sobre o suposto aquecimento global supostamente causado pelo homem. Não vou falar do tema em si, mas de uma das falácias mais propaladas sobre o assunto, muito usado por especialistas em replicagem de opiniões de redes sociais: que todo o cientista cético ou "negacionista" é financiado pelas indústrias petrolíferas. Uma única falácia que diz muito sobre quem a profere!!!


Primeiro, uma análise praxeológica. Os acionistas, diretores, presidentes e demais representantes das tais indústrias petrolíferas, experts em analisar riscos e investimentos de curto e longo prazo, decidem continuar ganhando alguns milhões de dólares por ano mesmo sabendo que perderão muita coisa com essa decisão devido às conseqüentes mudanças climáticas. No outro lado da negociata, estão alguns cientistas, ainda mais cientes das conseqüências das mudanças climáticas, e que mesmo assim, aceitam alguns milhares de dólares por mês para dar continuidade ao processo que irá acabar com o padrão de vida deles e de seus familiares. Pessoas com um Q.I. acima de 80 fariam esse tipo de negócio? Acho, só acho, que não. Se até eu, com um Q.I. de 82, consigo ver o mau negócio nisso, onde ambos sairão perdendo no futuro, por que eles não enxergariam isso? Não seria ganância, mas estupidez, Estupidez de pessoas reconhecidas pela sua inteligência???



Segundo, sobre o mercado de petróleo. Todos sabemos que o petróleo não é fabricado pelas indústrias petrolíferas, mas extraídos por elas ou por empresas estatais em algum país. O interesse dessas empresas não é o petróleo em si, mas o combustível que extrairão dele, não interessando muito a fonte. Pode ser até a cana-de-açúcar (vejam o caso da Raizen). Se for descoberta uma nova fonte de combustível, lá estarão as indústrias petrolíferas para produzir, vender e devolver o petróleo à inutilidade. Na etapa anterior da cadeia produtiva dos combustíveis estão sheikes árabes, os países exportadores de petróleo e seus governos que dele se lambuzam. Esses sim serão os verdadeiros perdedores da substituição do petróleo por alguma fonte de energia limpa. Caso esses agentes raciocinem como nossos analistas climáticos formados na universidade de O Mundo de Beakman, entrariam num dilema: se continuarem vendendo petróleo, vão se ferrar no futuro por causa do aquecimento global; se pararem de vender, se ferrarão no presente. Mas como não devem ser tão inteligentes, continuam vendendo sua maior fonte de riqueza sem se preocupar com o amanhã. Sendo assim, por que eles não estão corrompendo os cientistas burros para negarem o aquecimento global? Faria muito mais sentido que eles, não as tais indústrias, banquem as serpentes persuasivas que nos levarão à perdição!!!



E por fim, há um leve odor de anti-capitalismo no argumento. A própria dúvida que levantei acima pode ser explicada por isso. Quando falam em "indústrias petrolíferas", certamente eles têm em mente uma Shell, ou uma BP ou uma Esso como vilãs do nosso futuro. Será que incluem aí a Petrobrás, por exemplo: a estatal do setor estratégico (e aquecimentista), o sonho de emprego de muitos jovens brasileiros, o orgulho nacional, a diferentona? Pelo menos, a pobre Ipiranga não precisa responder por transformar a Terra numa Water World sem Kevin Costner!!!



Deveria ter voltado a falar sobre o assunto desde o murmurinho que a recusa de Donald Trump em não ter assinado o tal Acordo do Clima causou e que fez o assunto voltar à baila, mas o caso é que me esqueci que tenho um blog para atualizar de vez em quando!!!




quarta-feira, 5 de abril de 2017

Produtividade, nossa salvadora!!!

O Brasil é um país abençoado de problemas de todas as matizes, com várias causas, sendo que algumas delas seriam consequências de outras causas que também são consequências de outras causas, num encadeamento de causa e efeito até chegarmos à causa-mestra de tudo. Atribuem a criminalidade à pobreza, que por sua vez, seria o reflexo da concentração de renda, que por sua vez seria consequência de outra consequência até chegarmos na tal causa-mestra que, especulo, dirão que é a corrupção. Em algum lugarzinho apertado nessa cadeia de causas e efeitos, eu incluiria uma tal de produtividade, conceito, termo, palavra, expressão tão desconhecida pelo sociólogo sindicalista que denuncia o aumento do trabalho e a redução dos salários nas últimas décadas. Se ao menos substituísse nos seus estudos a palavra "elite" por "baixa produtividade", levaria-o a sério!!!



Ah, sim, me esqueci que talvez não saiba do que se trata isso, já imaginando um exército de mão-de-obra semi-escrava chinesa à beira da exaustão embalando iphones em velocidade cinco. Ou talvez um pequeno exército de moleques africanos carregando pesados fardos de cacau, enquanto sentem a dor de chibatadas no lombo. Ou qualquer outro martírio para suprir a enorme demanda por camisetas do Che Guevara ou máscaras do V para protestos contra o fim dos direitos trabalhistas, sei lá. Esclarecendo: produtividade não é simplesmente produção ou produção a qualquer custo. Produção, como posso dizer, é a produção em si, a quantidade de produtos produzidos. Ex: foram produzidas 5.000 camisetas. Produtividade é - usando o exemplo anterior - a quantidade de camisetas produzidas por pessoa em um determinado período sem acréscimo de esforço físico ou mental. Um exemplo pessoal: minha esposa queria fazer tortas em casa para vender, mas ela ainda não tinha a prática e muito menos um lugar adequado para fazê-las, por causa disso, imagino que ela faria apenas uma torta por dia, considerando que houvessem vários pedidos. Quando ela adquirir mais prática, mais experiência e um lugar adequado, talvez consiga fazer duas tortas por dia, ou seja, sua produtividade aumentará. Sem aumento de esforço físico, ganhará duas vezes mais. Agora, imaginem se ela contrata mais uma pessoa para ajudá-la; se essa pessoa já tiver a mesma experiência, então a produção passará para quatro, ou até mais, tortas por dia. Quanto mais tortas produzidas por pessoa, mais dinheiro, e tortas garantidas para todos!!!



Simples, não? Notem que bastam algumas mudanças simples, às vezes tão somente acabar com a bagunça de um ambiente, deixar as coisas nos lugares certos, e até um ar-condicionado no ambiente, para a produtividade aumentar, e entrar mais dinheiro no bolso, e deixar o consumidor satisfeito. Porém, não é isso o que acontece no Brasil como um todo: é como se os instrumentos de trabalho estivessem largados em algum lugar, quebrassem ou estragassem facilmente, ou os móveis estivessem fora do lugar, atrapalhando a passagem das pessoas, ou algum zé-ruela insistir com alguma cobrança no horário do trabalho. Resultado: baixa produtividade, baixos salários, baixos lucros, e para compensar tudo isso, mais e mais trabalho!!!



Simples, não? Não, não é simples, é óbvio. O que não é tão simples é o porquê temos uma produtividade tão baixa. Talvez por causa do baixo nível educacional, dos gargalos na infra-estrutura (estradas ruins ou péssimas, portos deficitários, etc...), a falta de eficiência no gerenciamento de algumas empresas, só para citar as mais óbvias. E para dar um brilho à tese, incluo também a corrupção - não sei se tem algo a ver, mas se não incluí-la mesmo como uma causa secundária, então ninguém levará o problema a sério!!!



Se a baixa produtividade é a consequência de várias causas independentes entre si ou de causas encadeadas, eu não sei, só sei que devemos ao menos considerá-la em qualquer discussão sobre os problemas econômicos e sociais do país e do mundo, ou vamos insistir que tudo irá se resolver se acabarmos com a corrupção???

domingo, 1 de janeiro de 2017

Novo Blog!!!

Pessoal, estou inaugurando um novo blog, chamado Estatística Reflexiva. Nesse blog, mostrarei um básico de estatística e matemática aplicadas que ajudarão a entender certos fenômenos naturais, sociais, políticos, quiçá filosóficos. Inclusive ajudarão a entender certas postagens desse blog, que vem acompanhadas de gráficos e números.


Visitem o blog clicando aqui!!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Vamos falar de Bolsa-Família?

Não há programas de governo tão comentados e tão evidentes quanto os programas sociais, como o antigo "ticket do leite" ou atualmente o Bolsa-Família, e o motivo é um pouco mais que óbvio: ajudar imediatamente pessoas em "situação de vulnerabilidade social", ou seja, na pobreza. E as opiniões se dividem, quase ao ponto de criar uma nova divisão da sociedade: os que são contra e os que são a favor desses programas. Uns defendem que essa ajuda é um avanço social; outros, acreditam que isso estimula a vagabundagem!!!



Mas sem delongas, vou pular todas essas opiniões e ir direto para a minha opinião pessoal. Programas desse tipo, existentes em vários países, não vão acabar com a pobreza, mas aliviam o problema. São como as doações para pessoas desabrigadas. Mas, e se essas mesmas pessoas desabrigadas continuarem recebendo alimentos por anos e anos, mesmo depois que a situação se normalizou, ao menos em parte? Na minha opinião, tais programas servem para aliviar o problema até que soluções de médio e longo prazos - os que realmente resolverão o problema - não se manifestarem!!!



Programas como o Bolsa-Família levam algum tempo para atingir todas as pessoas que dela necessitam, e a partir daí é que veremos realmente se está sendo feito algo para reduzir a pobreza.!!!



Vejamos abaixo uma situação hipotética






Segundo a então candidata e presidenta da República, no debate da última eleição presidencial, havia 5 milhões de beneficiados pelo antigo programa assistencial em 2003, e até o ano anterior ao debate, mais 50 milhões de pessoas passaram a receber o atual BF, numa progressão semelhante ao gráfico acima. Para ela, isso significa uma notícia e tanto, mas não foi, pois das duas uma: ou muita gente está recebendo sem precisar, ou pior, a situação social se deteriorou tanto que muito mais pessoas passaram a necessitar do BF!!!



O que espero de um programa assistencialista?



Espero que após atingir todas as pessoas que deles necessitam, a curva comece a cair, o que significa que a situação dos beneficiados está melhorando. Mais ou menos assim:






Vejam que o número de beneficiados chegou ao máximo, e dois anos depois, começa a cair. Isso significa que essas mesmas pessoas estão saindo da situação de pobreza extrema (ou conseguiram emprego, ou o salário aumentou, etc..etc...). A situação dessas pessoas está melhorando graças a alguma política de médio ou longo prazo que está se manifestando. Isso é bom!!!



Agora, vejam isso:





O gráfico indica que desde 2005 não houve melhorias sociais (vamos ignorar o aumento populacional) já que todas as pessoa que necessitavam do BF em 2005 continuam necessitando em 2013. Talvez é disso que a Dilma se vangloriava!!!



E agora esse:






Essa é a pior situação possível. Significa que mais e mais pessoas passaram a ser dependentes do governo (provavelmente pela perda de emprego), que será agraciado com mais votos, seja por gratidão pela ajuda, ou por medo de perdê-la. Isso talvez tenha acontecido nos últimos anos, mas acho que não!!!



A euforia da Dilma só estaria em sintonia com a minha caso algo assim tivesse acontecido:




Vejam que nesse caso, o "ápice" foi alcançado em 2009 (mas podia ter acontecido antes), durou um ano e em seguida começou a decair, passando de 70 milhões de beneficiados em 2010 para 55 milhões em 2013. Aí sim houve uma redução, o que significa que a situação dessas pessoas realmente está melhorando. Vamos ignorar possíveis cortes de verbas ou a redução causada por uma maior fiscalização!!!



E será que o Bolsa-Família acabará???



Como esse programa não pesa no orçamento da união, é pouco provável, a não ser que o governo de então esteja disposto a perder a reeleição ou não eleger o seu candidato, nem governadores e prefeitos de seu partido, além disso, quem já recebe o BF antes da lei entrar em vigor continuará recebendo (direitos adquiridos). Essa revogação anti-popular só afetará quem não recebia antes da lei entrar em vigor!!!



Programas assistenciais não são avanços sociais e nem estímulo a vagabundagem. São necessários, são "quebra-galhos", mas não são a salvação!!!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Seu nome é Bond...!!!

Acho que esse é uma daquelas postagens que um dia arrepender-me-ei de ter feito, temermente falando, mas vamos lá. Aliás, é justamente por causa dessa expectativa que irei em frente, pois minhas expectativas, muitas vezes, não correspondem aos resultados!!!



Hoje vou dedicar um espacinho desse blog para falar de um dos personagens mais marcantes da cultura pop: James Bond, o agente 007. Como sabem, sou fã de carteirinha desse personagem, assim como você deve ser da série Star Wars - que um dia irei vê-la por completo -, ou do Dragon Ball, ou prefere ver a Ripley detonando os Aliens, atitude essa que hoje pode ser considerada exo-xenofobia para os padrões morais vigentes. Não vou falar para os entendidos, mas para aqueles que ainda não o conhecem ou que não conhecem a sua história!!!



James Bond surgiu na literatura, nos anos 1950 - dez anos antes do seu primeiro filme da série oficial - no romance Casino Royale, idealizado por Ian Fleming, um ex-agente secreto. Diferentemente do que sugere um filme que homenageia-o, Fleming não era o "James Bond", esse foi inspirado em um colega de Fleming que tinha atitudes e comportamentos semelhantes ao personagem (bebidas, mulheres, etc...). Talvez a única coisa que o personagem tem do seu criador é sua adorável filho-da-putice, que tirou o nome do herói e de um dos vilões, Goldfinger, de pessoas reais. Tentem imaginar o transtorno que isso trouxe para o ornitólogo James Bond e para o arquiteto Erno Goldfinger, vizinho de Fleming!!!



Os romances de Fleming não retratavam fielmente a vida de um agente secreto de verdade, assim como os romances de Arthur Conan Doyle deliravam um pouco sobre a vida de um detetive, mas talvez por isso, ao ultrapassar um pouco a realidade, tais romances fizeram sucesso, embora nos filmes suas proezas ultrapassavam demais a realidade, e daí vem as principais críticas (comentarei sobre isso logo). O Bond de Fleming (e mais tarde, nos filmes) tinha uma vida mais glamourizada, com algumas bebidas, muitas mulheres (uma caso amoroso em cada aventura), e sua reputação chegava a ofuscar o próprio MI6, a agência do governo britânico para o qual trabalha, atraindo para si a ira dos vilões e poupando o MI6, como sempre acontece com os melhores heróis. Em alguns casos, o próprio 007 tirava a camisa da empresa e agia por vingança pessoal!!!



Em 1962, surgia o primeiro filme da série oficial: 007 Contra o Satânico [ainda não entendi esse "satânico" no título em português] Dr.No, que na ordem de "nascença" nos livros seria a sexta aventura, estrelado pelo Mr. Universo Sean Connery. Mas se Dr. No foi o Bing Bang da série, o terceiro filme, 007 Contra Goldfinger, foi sua inflação cósmica, responsável pela febre conhecida como Bondmania. Era Bond aqui, 007 ali, e cópias e sátiras mais adiante, se bem que o próprio Bond do cinema tomou um gole na fonte de Hitchcock, de seu Intriga Internacional que por sua vez, segundo um filme biográfico de Hitchcock, teria bebido no romance Casino Royale!!!




Filmes: mulheres, lugares exóticos, vilões...



O simples fato de uma franquia ter 24 filmes, e contando, por mais de 50 anos já é motivo mais que suficiente para atestar o sucesso do personagem. Podem esnobar Bond e gabar Jason Bourne, mas os filmes deste não fizeram o sucesso que os primeiros filmes de Bond fizeram, sequer chegará ao décimo filme, imagine então chegar ao 24º. Mas Jason Bourne é bom. A franquia teve seis intérpretes, sete se contarmos o veterano David Niven, que nos anos 1967 interpretou Bond em um filme não-oficial (na verdade, uma paródia); dez diretores (ou onze, pois perdi a contagem depois de Casino Royale); mais que o dobro de vilões e mais que o triplo de mulheres!!!



E as locações? Belos pontos turísticos, alguns deles destruídos pelas perseguições, talvez inspirando o Talibã e o Estado Islâmico hoje. Começando pela Jamaica, depois Turquia, Suíça, Nassau, diversos lugares dos EUA, Japão, Cuba, Amsterdã, Grécia e até o Rio de Janeiro, e aquela hilária cena da Amazônia, e outras e tantas. Difícil de escolher as cenas onde há a melhor harmonia entre as locações e a trama, mas as minhas favoritas foram as cenas no Egito em 007 O Espião Que Me Amava. A dos Alpes austríacos nesse mesmo filme é clássica. Também gostei da cena da Sardenha, desse mesmo filme. Enfim, amei o filme!!!



Sobre sua visita ao Brasil em 007 Contra o Foguete da Morte (no começo do filme, Bond é jogado para fora do avião, e achei que só assim para ele vir parar aqui), ele vai ao Rio de Janeiro, como sempre, nos dias de Carnaval. Dois ou três tiroteios depois, ele se depara com as Cataratas do Iguaçu em plena Floresta Amazônica. Nem dobrando o mapa do Brasil conseguimos tal façanha. Se o vilão do filme soubesse que na Amazônia existem cobras enormes, não precisava ter trazido sua piton de estimação para acabar com o herói (outra das façanhas de 007: escapar de animais perigosos. Tá aí outra coisa que posso falar)!!!



E as mulheres? Duas ou três em cada filme. Normalmente, aparecia uma no começo do filme, outra com quem terminava o filme, e outra que acaba tentando matá-lo, mas houve um caso diferente. No filme 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, ele fica apenas com uma mulher em todo o filme, com quem ele acaba casando no final para em seguida ser morta pelo vilão que aparentemente havia morrido. Foi um marco na série, e talvez de todo o cinema, pois foi um daqueles momentos raros quando o final é infeliz. E o que falar daquela mulher pintada de ouro? E outra coberta com petróleo? Ou a vilã jogada para as piranhas? Ou da outra sendo atacada por cães? Ou a que explodiu? Só falando daquelas que se envolveram com Bond, para o terror das feministas de hoje, senão teria que falar daquela que foi devorada por tubarões brancos, da que foi prensada por uma corda...Elas tinhas nomes esquisitos, como...hã...Pussy Galore (é isso mesmo!), Domino, Vesper ou Mary Goodnight. Outros nomes eram apenas estrangeiros, mas que soavam estranhos para a língua inglesa como Tatiana Romanova, Kissy Suzuki ou Xenia Onatopp!!!



Uma bond-girl (como são conhecidas as personagens da série) que não é tão "girl" assim, mas que marcou história na franquia foi a Sra M., interpretada por Judi Dench desde o 007 Contra Goldeneye (o 17º filme da série) e a única intérprete que sobreviveu ao reboot da série. Até então, M - o superior de Bond - era interpretado por um homem. Três atores interpretaram o personagem antes de Dench, mas ela foi a mais marcante, não apenas por ser mulher, mas por ser a mais atuante, quase dividindo as atenções do filme com o protagonista!!!



E os vilões? Os primeiros vilões da série foram criações do próprio Ian Fleming, adaptados para o cinema. Mais tarde, os próprios produtores tiveram que criar novos vilões, o mesmo ocorrendo com as bond-girls. Alguns deles marcaram história como o Dr. No, o primeiro da série, embora diferente do Dr. No de Ian Fleming. Auric Goldfinger, famoso pela sua obsessão por ouro, seu intelecto brilhante, e seu desenvolvimento na história é interessante: começando como um bon-vivant cuja engenhosidade em trapacear no carteado deixava no chinelo qualquer aluno de hoje com suas colas criativas, até no final se revelar um vilão capaz de matar para roubar todo o ouro dos EUA. E o arqui-inimigo do herói, pois todo o herói precisa de um arqui-inimigo: Ernst Stavro Blofeld, o chefão da organização criminosa conhecida como SPECTRE, o homem que matou a esposa da Bond logo após o casamento. Sua organização costumava praticar crimes de grandeza como chantagear governos, pôr potências mundiais em guerra, e talvez roubar margarina no mercado. Outro vilão marcante (costumava deixar marcas com suas mordidas) foi Jaws, um gigante superforte, com seus característicos dentes de aço, que por vezes surpreendia o próprio Bond. Falando em capangas, já ia me esquecendo de Oddjob, o braço-direito e esquerdo de Goldfinger. Um coreano também bastante forte e com seu chapéu com lâminas nas abas. Consegue imaginar o que acontecia quando ele arremessava-o? Ou Tee-Hee, o homem com o braço mecânico e sua alegria contagiante enquanto matava (no original de Fleming, não tinha essa do braço mecânico)???



Outros vilões merecem destaque pela crueldade, frieza e seus planos grandiosos, mas infelizmente não dá para falar de todos eles. Lá vai: Carl Stromberg, Hugo Drax, Frank Sanchez, Eliot Carver, Max Zorin, Emílio Largo, Francisco Scaramanga, Mr. Big...Alguns deles eram tão carismáticos que no fundo até torcíamos para ao menos dar muito trabalho ao herói, já que no final, ele ia morrer mesmo. E quando os vilões eram pets? Sim: viúvas-negras, tubarões, cobras gigantes ou cobrinhas venenosas, tigres, crocodilos, baratas e mosquitos da dengue, todos com autorização do PETA, eu acho!!!


                                                               
E as inverossimilhanças dos filmes? Não falo das proezas impossíveis, como despencar de uma geleira e sair surfando uma tsunami com um paraglider improvisado. Falo de planos aparentemente impossíveis, das "gadgets". Em A Ficção Possível, dedico dois parágrafos só sobre 007:


[...] É comum ouvir que os filmes antes do inconveniente reboot eram irrealistas. Não acho totalmente, ou pelo menos, dou-lhes o benefício da dúvida, como nos exemplos acima. Meros mortais querendo dominar o mundo, ou extorqui-lo ou manipulá-lo?! Impossível, diriam. O restante da humanidade que não aparece no filme diriam isso mesmo. Será mesmo impossível um bilionário engenhoso e muito ambicioso tentar dominar o mundo e ter seus planos frustados por um agente secreto que obviamente ninguém sabe de sua existência e de seus atos? Acho que não, embora seja improvável...ou não.

Uma cena clássica dessa mesma série, que fomenta esse tipo de comentário é a do carro submarino de 007 O Espião Que Me Amava. Ninguém nunca viu algo assim, nem mesmo os atônitos banhistas do filme que em seguida viram o carro saindo do mar. Até então, a opinião dos banhistas era a mesma que a nossa: esse tipo de coisa não existe, até porque esse tipo de invenção seria de uso exclusivo e ultra-secreto, ou seja, é para todos negarem sua existência mesmo.


O canhão-laser de Goldfinger foi algo inédito, coisa de ficção científica mesmo, mas já era uma tecnologia usada naquela época, tanto que o vilão fala em "laser industrial", dando a entender que já era usado na indústria. A fuga espetacular de Bond em 007 Contra a Chantagem Atômica também foi algo real. Talvez, quem sabe, o uso desses recursos não sejam usados por agentes secretos, mas essa é a graça dos filmes, não é? O improvável, o inesperado. o incrível. E vilões dominando ou desejando a destruição do mundo? A única coisa irreal disso é a insanidade necessária para tal ato. Carl Stromberg mostrou que a coisa era relativamente fácil nos anos 1970, imaginem agora, na época da internet!!!



James Bond é um daqueles personagens que cativa homens e mulheres pela mesma razão, que empolga os jovens com suas proezas e gadgets, suas namoradas belíssimas e seus vilões engenhosos e improváveis, quando não impossíveis. Não a toa, um marco da cultura pop. Como não dedicar uma postagem do meu blog para ele???

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Eleições lá e cá!!!

Cá estou acompanhando as repercussões  no Brasil da vitória de Donald Trump nos EUA. Diga-se de passagem, uma repercussão cheia de interjeições de incredulidade. As eleições americanas chamam a atenção do mundo por causa da notória importância - para não dizer poder e influência - dos EUA para o mundo, e mais especificamente para o Ocidente. Ok, ok, Trump é machista e já está assinando um termo de declaração da Terceira Guerra Mundial. Já não basta a eleição do Dória em São Paulo e do Crivella no Rio, agora isso?! O que falta? Bolsonaro Presidente???



Toda essas reações, que acho um pouquinho desproporcional, nos mostra como elegemos nossos candidatos, mais pela emoção que pelos fatos. Pior, mais pelos rótulos "esquerda" ou "direita", acrescidos de algum defeito ao candidato adversário. Ordem dos fatores: primeiro o rótulo, depois algo que o desabone, quando deveria ser o contrário. Vamos começar pelo Trump: 98% do eleitorado brasileiro (os outros 2% são a margem de erro), que não votará nos EUA, acha Trump um ser desprezível, indigno de se candidatar a síndico de condomínio, mas algo me diz que esse não é o verdadeiro motivo: existem acusações pesadas contra Hillary Clinton que são solenemente desprezadas pelos anti-Trump. Inversão de valores? Não exatamente, a verdadeira inversão está na importância que dão ao rótulo político ao invés dos fatos. Trump é de direita, ou de extrema-direita, ou a coisa mais próxima do nosso conceito de direita, então, o primeiro julgamento será esse, depois vem o resto: qualquer transgressão em sua vida pessoal ou política, ampliados ao status de escândalo. Mesmo quando o presidente da segunda maior potência militar do mundo ameace o planeta, incluindo aí os eleitores de Hillary, com uma terceira guerra mundial caso Hillary vença, é o Trump que é considerado o arauto do fim do mundo, pois ele é o candidato da direita ou o mais direitista deles!!!



Outra bisonha particularidade de nossos eleitores, lá e cá, é o caráter binário de suas preferências, como se tivessem que escolher entre Trump e uma alternativa neutra, sem identidade, que "não cheira e não fede", mas que é melhor que Trump, como se escolhessem entre Trump e "Não-Trump". Tirando toda a imprensa e seus artistas dependentes-independentes, alguém lá e cá fez campanhas pró-Hillary???



Vices, não nos esqueçamos dos vices, por favor. 


Voltando a alguns meses no tempo, quando o eleitorado da Dilma chora, se recontorce, pelo seu impeachment, já que o sucessor é um crápula da direita, um ser vil de uma raça das trevas. Todas essas qualidades do vice, porém, não foram suficientes para afastar os votos na chapa da Dilma. Isso demonstra que o eleitor vê o vice em um papel tão secundário que o próprio esquerdismo da candidata ofuscaria completamente qualquer vibração negativa do vice de direita!!!



Sim, é isso mesmo. Alegam que o vice não passa de uma figura decorativa. Pode ser, assim com também são decorativos uma cascavel na mesa, ou um retrato de Hitler e suásticas na casa do nosso melhor amigo. Decorativos, sem dúvida. E quase ia me esquecendo daquele velho ditado "diga-me com quem andas e te direi quem és.". Se for julgar por essa perspectiva, ou Dilma, na verdade, era uma ameaça, ou Temer é um bom homem. Poucos foram os bem-aventurados que lembraram que uma doença, morte ou acidente poderia afastar sua presidenta eleita, e a tal decoração assumir o mandato, coisa difícil de acontecer, mas não impossível!!!



A propósito, alguém conhece o vice do Trump???


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                                                                 .
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Há dois anos atrás, minha queixa era que o eleitorado de cá não conhecia o nosso sistema eleitoral, agora, acrescento a essa falta de informação todas essas pequenas falhas. Acho que já podemos reduzir a idade eleitoral para os dez anos de idade!!!




sábado, 22 de outubro de 2016

A Ordem dos Fatores

Diz a lenda que a ordem dos fatores não altera o produto. Em casos sim, em casos não. Na própria matemática, por exemplo, onde essa expressão surgiu, a ordem dos fatores (que são os números a serem multiplicados) não altera o produto (o resultado da multiplicação), pois tanto 6x3 quanto 3x6 resultarão em 18. Na mesma matemática, encontramos as análises combinatórias, onde a ordem dos fatores (nesse caso, dos elementos) pode ser determinante. Se usarmos os algarismos 1,5 e 7 em diferentes combinações, veremos que a ordem desses números fará toda a diferença. 157 é diferente de 517, que é diferente de 751. O mesmo acontece com as letras: ABC é diferente de BAC ou CAB. As senhas são possíveis graças a essa propriedade desse tipo de combinações. Em outras combinações, a ordem não faz diferença: colocar a faca no lugar do garfo e vice-versa em relação ao prato não teremos algo diferente, teremos um prato, garfo e faca, mesmo que os talheres estejam do mesmo lado do prato.



No mundo das idéias, ocorre algo parecido. A ordem dos fatorespode fazer uma diferença grande ou sutil mas perceptível. Grupos defendem que A e B são importantes, mas para um A é mais importante que B, e para outros, que B é mais importante que A. O que diferencia o nazismo dos demais regimes que também subjugaram outros povos? A ordem dos fatores de suas motivações.  A crença da "raça superior" não nasceu com o nazismo, mas foi esse regime que fez dela a principal motivação – ao menos alegadamente - para subjugar outros povos. Os astecas eram os nazistas dos povos pré-colombianos na América Central, mas talvez não fosse a crença da superioridade racial que motivava-os a subjugar os povos vizinhos, embora certamente consideravam-se superiores a eles. O exemplo mais clássico: os europeus subjugaram índios e africanos. A motivação dos europeus foi antes comercial que racial, mas, comercial e racial. A ordem de suas motivações é o que diferencia o nazismo de outros regimes autoritários e expansionistas, embora os resultados finais fossem os mesmos: milhões de mortos e escravizados.



Em outros casos, o que separa os seres civilizados dos bárbaros são justamente essa ordem de suas motivações, em outras palavras, as suas prioridades. Os mesmos elementos mas em ordens diferentes, com resultados diferentes. Vários direitistas e esquerdistas, por exemplo, defendem as mesmas coisas, mas em ordens diferentes, cada um com suas prioridades; o mesmo acontecendo com liberais e conservadores. Economia e saúde: o que você considera mais importante, economia ou saúde? Ambos são importantes, ambos elementos são considerados em nossos planos, mas sempre alguém dará mais importância a um que ao outro, o que faz toda a diferença, ao menos, aparentemente.



Devemos ter o cuidado para não confundirmos com causa e consequência. No caso dos regimes autoritários citados anteriormente, temos elementos iguais mas "combinações" diferentes, por isso, idéias diferentes, causas diferentes, mas como lembrei, resultados iguais, consequências iguais. Isso porque, nesses casos, há um único objetivo, motivações iguais, mas dispostas em ordens diferentes.



Esse texto é meio que um desabafo, pois surgiu com um fato real. Estava eu com um amigo numa padaria tomando café e contemplando alguns lanches quando tudo começou. Na discussão que se seguiu, eu defendia A e ele B; dez minutos depois, descobrimos que na verdade, eu defendia AB e ele BA, ou seja, as mesmas coisas, mas em ordens diferentes. É o caso em que a ordens dos fatores alterou o produto. Eu tomei café e ele um chocolate, mas se fosse o contrário, o "produto" do encontro seria o mesmo.



Talvez muitas brigas, discussões e até guerras poderiam ser evitadas com essa compreensão, mas para tanto, é necessário descobrir as partes de um todo ideológico ou opinativo para depois ver em que ordem de importância estamos dando a cada uma delas. Sem falar de novas idéias que poderão surgir com isso.