segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Eleições lá e cá!!!

Cá estou acompanhando as repercussões  no Brasil da vitória de Donald Trump nos EUA. Diga-se de passagem, uma repercussão cheia de interjeições de incredulidade. As eleições americanas chamam a atenção do mundo por causa da notória importância - para não dizer poder e influência - dos EUA para o mundo, e mais especificamente para o Ocidente. Ok, ok, Trump é machista e já está assinando um termo de declaração da Terceira Guerra Mundial. Já não basta a eleição do Dória em São Paulo e do Crivella no Rio, agora isso?! O que falta? Bolsonaro Presidente???



Toda essas reações, que acho um pouquinho desproporcional, nos mostra como elegemos nossos candidatos, mais pela emoção que pelos fatos. Pior, mais pelos rótulos "esquerda" ou "direita", acrescidos de algum defeito ao candidato adversário. Ordem dos fatores: primeiro o rótulo, depois algo que o desabone, quando deveria ser o contrário. Vamos começar pelo Trump: 98% do eleitorado brasileiro (os outros 2% são a margem de erro), que não votará nos EUA, acha Trump um ser desprezível, indigno de se candidatar a síndico de condomínio, mas algo me diz que esse não é o verdadeiro motivo: existem acusações pesadas contra Hillary Clinton que são solenemente desprezadas pelos anti-Trump. Inversão de valores? Não exatamente, a verdadeira inversão está na importância que dão ao rótulo político ao invés dos fatos. Trump é de direita, ou de extrema-direita, ou a coisa mais próxima do nosso conceito de direita, então, o primeiro julgamento será esse, depois vem o resto: qualquer transgressão em sua vida pessoal ou política, ampliados ao status de escândalo. Mesmo quando o presidente da segunda maior potência militar do mundo ameace o planeta, incluindo aí os eleitores de Hillary, com uma terceira guerra mundial caso Hillary vença, é o Trump que é considerado o arauto do fim do mundo, pois ele é o candidato da direita ou o mais direitista deles!!!



Outra bisonha particularidade de nossos eleitores, lá e cá, é o caráter binário de suas preferências, como se tivessem que escolher entre Trump e uma alternativa neutra, sem identidade, que "não cheira e não fede", mas que é melhor que Trump, como se escolhessem entre Trump e "Não-Trump". Tirando toda a imprensa e seus artistas dependentes-independentes, alguém lá e cá fez campanhas pró-Hillary???



Vices, não nos esqueçamos dos vices, por favor. 


Voltando a alguns meses no tempo, quando o eleitorado da Dilma chora, se recontorce, pelo seu impeachment, já que o sucessor é um crápula da direita, um ser vil de uma raça das trevas. Todas essas qualidades do vice, porém, não foram suficientes para afastar os votos na chapa da Dilma. Isso demonstra que o eleitor vê o vice em um papel tão secundário que o próprio esquerdismo da candidata ofuscaria completamente qualquer vibração negativa do vice de direita!!!



Sim, é isso mesmo. Alegam que o vice não passa de uma figura decorativa. Pode ser, assim com também são decorativos uma cascavel na mesa, ou um retrato de Hitler e suásticas na casa do nosso melhor amigo. Decorativos, sem dúvida. E quase ia me esquecendo daquele velho ditado "diga-me com quem andas e te direi quem és.". Se for julgar por essa perspectiva, ou Dilma, na verdade, era uma ameaça, ou Temer é um bom homem. Poucos foram os bem-aventurados que lembraram que uma doença, morte ou acidente poderia afastar sua presidenta eleita, e a tal decoração assumir o mandato, coisa difícil de acontecer, mas não impossível!!!



A propósito, alguém conhece o vice do Trump???


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Há dois anos atrás, minha queixa era que o eleitorado de cá não conhecia o nosso sistema eleitoral, agora, acrescento a essa falta de informação todas essas pequenas falhas. Acho que já podemos reduzir a idade eleitoral para os dez anos de idade!!!




sábado, 22 de outubro de 2016

A Ordem dos Fatores

Diz a lenda que a ordem dos fatores não altera o produto. Em casos sim, em casos não. Na própria matemática, por exemplo, onde essa expressão surgiu, a ordem dos fatores (que são os números a serem multiplicados) não altera o produto (o resultado da multiplicação), pois tanto 6x3 quanto 3x6 resultarão em 18. Na mesma matemática, encontramos as análises combinatórias, onde a ordem dos fatores (nesse caso, dos elementos) pode ser determinante. Se usarmos os algarismos 1,5 e 7 em diferentes combinações, veremos que a ordem desses números fará toda a diferença. 157 é diferente de 517, que é diferente de 751. O mesmo acontece com as letras: ABC é diferente de BAC ou CAB. As senhas são possíveis graças a essa propriedade desse tipo de combinações. Em outras combinações, a ordem não faz diferença: colocar a faca no lugar do garfo e vice-versa em relação ao prato não teremos algo diferente, teremos um prato, garfo e faca, mesmo que os talheres estejam do mesmo lado do prato.



No mundo das idéias, ocorre algo parecido. A ordem dos fatorespode fazer uma diferença grande ou sutil mas perceptível. Grupos defendem que A e B são importantes, mas para um A é mais importante que B, e para outros, que B é mais importante que A. O que diferencia o nazismo dos demais regimes que também subjugaram outros povos? A ordem dos fatores de suas motivações.  A crença da "raça superior" não nasceu com o nazismo, mas foi esse regime que fez dela a principal motivação – ao menos alegadamente - para subjugar outros povos. Os astecas eram os nazistas dos povos pré-colombianos na América Central, mas talvez não fosse a crença da superioridade racial que motivava-os a subjugar os povos vizinhos, embora certamente consideravam-se superiores a eles. O exemplo mais clássico: os europeus subjugaram índios e africanos. A motivação dos europeus foi antes comercial que racial, mas, comercial e racial. A ordem de suas motivações é o que diferencia o nazismo de outros regimes autoritários e expansionistas, embora os resultados finais fossem os mesmos: milhões de mortos e escravizados.



Em outros casos, o que separa os seres civilizados dos bárbaros são justamente essa ordem de suas motivações, em outras palavras, as suas prioridades. Os mesmos elementos mas em ordens diferentes, com resultados diferentes. Vários direitistas e esquerdistas, por exemplo, defendem as mesmas coisas, mas em ordens diferentes, cada um com suas prioridades; o mesmo acontecendo com liberais e conservadores. Economia e saúde: o que você considera mais importante, economia ou saúde? Ambos são importantes, ambos elementos são considerados em nossos planos, mas sempre alguém dará mais importância a um que ao outro, o que faz toda a diferença, ao menos, aparentemente.



Devemos ter o cuidado para não confundirmos com causa e consequência. No caso dos regimes autoritários citados anteriormente, temos elementos iguais mas "combinações" diferentes, por isso, idéias diferentes, causas diferentes, mas como lembrei, resultados iguais, consequências iguais. Isso porque, nesses casos, há um único objetivo, motivações iguais, mas dispostas em ordens diferentes.



Esse texto é meio que um desabafo, pois surgiu com um fato real. Estava eu com um amigo numa padaria tomando café e contemplando alguns lanches quando tudo começou. Na discussão que se seguiu, eu defendia A e ele B; dez minutos depois, descobrimos que na verdade, eu defendia AB e ele BA, ou seja, as mesmas coisas, mas em ordens diferentes. É o caso em que a ordens dos fatores alterou o produto. Eu tomei café e ele um chocolate, mas se fosse o contrário, o "produto" do encontro seria o mesmo.



Talvez muitas brigas, discussões e até guerras poderiam ser evitadas com essa compreensão, mas para tanto, é necessário descobrir as partes de um todo ideológico ou opinativo para depois ver em que ordem de importância estamos dando a cada uma delas. Sem falar de novas idéias que poderão surgir com isso.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Estuprando Estatísticas - II

Sempre que volto a comentar sobre um determinado assunto, repito o título e acrescento algum número romano em seguida. Normalmente, essas continuações são um complemento de um assunto já abordado, mas nesse caso, é sobre a repetição de um erro que volto a falar. A primeira postagem sobre um assunto semelhante pode ser lida aqui. Para saber um pouco mais sobre a nossa visão estatisticoscópica, leiam aqui!!!



O DataFolha fez uma pesquisa de opinião pública sobre estupro. O entrevistador  fez a afirmação A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada, e o entrevistado(a) deveria dizer se concordava (sim) ou não. Segundo os resultados, 30% afirmam que sim, o que causou um justíssimo alvoroço entre os componentes mais esclarecidos da sociedade. Mais uma vez, quero chamar a atenção não da polêmica em si, mas da abordagem e da conclusão estatística que deveríamos tirar!!!



A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada lembra nossas mães falando da boca prá fora depois não reclama se ficar doente. Não que ela se eximia de qualquer responsabilidade ou cuidados caso ficávamos doentes, mas o objetivo era nos desencorajar a tomar banho de chuva ou banho frio. Então, fica meio estranho isso. Outro exemplo: se alguém me perguntasse se eu concordo com a afirmação bandido bom é bandido morto, o entrevistador errônea ou maliciosamente, concluiria que sou a favor da pena de morte. Não necessariamente. Eu simplesmente não gosto de bandidos e não me importo se morresse por morte natural (alguém já viu um bandido morrer por morte natural?), acidental, morto por companheiros, Poderia até me posicionar contra a pena de morte. Ou então poderia ser favorável mesmo à pena de morte. Notaram a pegadinha? Para saber mais sobre o assunto, leiam aqui. Se eu fosse fazer uma pesquisa por conta própria, perguntaria - pergunta! - algo do tipo uma vítima de estupro deve ser culpada ou 'mea-culpada' pelo crime que sofreu e arcar com as consequências?, caso necessário, eu desenharia a pergunta para não ficar dúvidas. !!!



Sobre o resultado da pesquisa. 30% concordaram com a maldita afirmação, e isso causou o justo alvoroço entre os componentes mais esclarecidos da sociedade. Eu pessoalmente acho um percentual relativamente elevado, mas não a ponto de provar que há uma cultura do estupro. Cultura de um povo não se faz com 30% da população. Eu poderia sacar o "argumento das minorias", algo do tipo mas são uma minoria que..para minimizar o problema, mas no momento que afirmo que é um percentual relativamente elevado (ou talvez não, como explicarei mais adiante), essa desculpa é anulada. Também não posso me refugiar na contra-argumentação do "70% disseram 'não' à maldita afirmação", pois o objetivo da pesquisa é descobrir quantos concordam com a maldita afirmação, e não quantos discordam!!!



Mas 30% de sim à maldita afirmação é um número objetivamente escandaloso, assustador? Resposta: depende. O percentual de uma observação isolada não nos diz muita coisa. Para uma conclusão mais acertada, além de fazer perguntas objetivas, precisamos saber: 1) qual seria o percentual de sim há três, quatro ou cinco décadas atrás? E: 2) qual é o percentual de sim em outros países? Começando pelo 1: se o percentual de sim há quatro décadas atrás fosse de 80%, então os atuais 30%  são um verdadeiro avanço civilizacional. Se esses mesmos 80% fossem nos anos 1990, teríamos uma queda de 50% do total em apenas duas décadas; os atuais 30% indicariam que sofremos uma mutação psicossocial que nos fez subir um ou dois degraus na escada evolucionária, seríamos uma raça superior. Exemplo número 2: uma pesquisa semelhante seria feita em mais de 70 países, por coincidência, os mesmos onde se bebe Tang. Se no país menos machista da lista, seja lá qual for, o percentual de sim for de 25%, e o mais machista, de 90%, então o Brasil seria um dos países menos machistas do mundo, apesar do elevado percentual de 30%. Expus até aqui possibilidades otimistas, mas talvez não seja assim. Então vamos ver todas as possibilidades e as conclusões que podemos chegar com cada uma delas, utilizando aquela pergunta: uma vítima de estupro deve ser culpada ou “mea-culpada” pelo crime e arcar com as consequências? Em comparação com outros anos, no Brasil, teríamos uma dessas conclusões (no exemplo abaixo, o ano é 1976):






Agora, imagine a mesma pergunta sendo feita nos mais de 70 países do Tang. Se num ranking decrescente, o Brasil estiver entre os últimos colocados com seus 30% de sim, então somos um dos países menos machistas do mundo; caso estiver entre os primeiros, somos os ogros machistas que tanto falam!!!



E então, os 30% de sima uma maldita afirmação são escandalosos? Pessoalmente, como já disse, acho que são, mas devido às limitações estatísticas expostas, não posso afirmar isso com 100% de certeza. Estou - estamos - limitados ao achismo, impressões pessoais e sentimentos!!!



Sempre irão existir boçais que concordarão que a mulher será, pelo menos, corresponsável pelo crime que sofreu. Seria pedir demais que o percentual dessas pessoas beirasse o 0%, mas esperava que esse número não passasse de 5%. E talvez o número real não passaria disso se fizessem as perguntas - perguntas! - certas!!!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Você faz estatística? Sim!

Começando o texto com uma revelação que fará seu cérebro reagir de forma indiferente, “dando de ombros”, como alguns dizem: nosso cérebro reage ao receber, via audição, determinadas palavras ou revelações. Normalmente, ele “acende” quando escutamos uma novidade. Agora, suas sinapses fundirão como um fusível antes do seu cérebro ser capaz de ofuscar Las Vegas: pensamos e agimos usando estatística básica, tipo aquela do “os 1% dos mais ricos possuem 20% da riqueza mundial”. Até mesmo algumas manifestações aparentemente racistas ou homofóbicas podem ser explicadas pela análise estatística do nosso cérebro.


O cérebro não espera o improvável, qualquer coisa, digamos, com menos de 1% de acontecer. Quais suas chances de você virar de costas e dar de cara com o seu chefe no serviço? Ou com a Miss Suécia? Mínimas no primeiro, e praticamente inexistente no segundo. Nesses casos, suas reações serão de espanto, de encanto, de estupefação, mas nunca de indiferença, há menos que seja algo fácil de acontecer, de algo provável, o esperado. O mesmo vale ao ver uma assombração pela primeira vez.


Bem, vamos ao exemplo do racismo e homofobia. Você se espantaria se fosse atendida por uma gerente de loja negra? Eu sim. Racismo? Não, porque até agora nunca vi uma gerente de loja que fosse negra, até porque onde moro, a proporção de negros na população é bem pequena. Estatisticamente, as chances disso acontecer são mínimas, por isso, me espantaria ao encontrar uma. Para quem fez questão de não entender, explicarei de outra forma: se você lançasse cem vezes uma moeda e em todos esses lançamentos caísse "cara" (uma moeda viciada), você apostará que cairá "coroa" no próximo lançamento? Se um atirador de tiro-ao-alvo acertasse os primeiros 30 alvos, você teria coragem de apostar que ele erraria o trigésimo primeiro? Pois bem, é esse tipo de análise que nosso cérebro faz no dia-a-dia.


Vamos ao exemplo do homossexualismo: no programa Altas Horas desse sábado (02/04), um rapaz perguntou para o outro como é ter duas mães. Esse devolveu a pergunta, de como seria viver com um pai e uma mãe, o que fez a pergunta inicial parecer uma homofobia inconsciente, apesar dele insistir que não era homofóbico. Eu acredito nele e entendo sua curiosidade. Casais homossexuais e com filho(s) são tão raros no momento - só para ilustrar estatisticamente, menos de 1% dos casais são homossexuais - que pouco ou nada sabemos do seu convívio. Então, é normal essa curiosidade, sem que a pessoa seja uma homófoba enrustida.


Para evitar mal-entendidos ou distorções propositais, irei explicar a diferença entre uma coisa e outra: ofensas raciais ou homofóbicas são racismo e homofobia, respectivamente; se surpreender com algo improvável, como nos exemplos acima não são. Normalmente esperamos que as pessoas se relacionem - embora muitos não admitem nem para si mesmos - com alguém da mesma cor, condição social, escolaridade, opção sexual ou da mesma religião, quiçá do mesmo time de futebol. Isso acontece em qualquer um desses estratos da população. Então, tal qual é o espanto quando um pai ou uma mãe vê seu(ua) filho(a) namorando alguém ou de cor, ou condição social ou religião diferente? Ao menos, o espanto inicial pode ser explicado pela nossa estatística cerebral, já o que vem depois, não.


Acontecimentos completamente inesperados - digamos, com 0,05% de acontecer - mas desejados, quando acontecem, dizemos que foi um milagre, ou intervenção divina. Todo mundo vibra quando acerta na Mega-Sena não apenas por causa do prêmio, mas pela improbabilidade de acertarmos, pois o improvável sempre surpreende, espanta, assombra ou escandaliza. Chances de uma mulher ficar nua no centro da cidade? Sei lá, uns 0,001%. Chances de uma freira das carmelitas descalças fazer o mesmo? Certamente ainda mais improvável, por isso, mais espantoso.


Mesmo odiando matemática, números e estatística, instintivamente usamos essas disciplinas chatas, que surgiram justamente porque nosso cérebro usá-as no dia-a-dia, talvez até na hora do sexo. Então, não se espantem se descobrir que nosso cérebro também usa a fórmula de Bháskara, mesmo assim você vai se espantar devido a aparente improbabilidade disso acontecer.


domingo, 6 de março de 2016

E agora...a Dívida Histórica!!!

Admito, nem sei como começar esse assunto, é que o próprio tema parece não ser sério. Não que não devemos algum tipo de reparação à população negra e parda, mas exigir algum "pagamento" de qualquer pessoa de fora desses grupos étnicos é, meio que assim, injusto, como tentarei demonstrar!!!



Nos dias de hoje, algo como 1% da população pertencem às chamadas elites. Entre os 10% mais ricos, já podemos incluir vários funcionários públicos que reclamam da desigualdade social, mas nos 1% mais ricos...só os ricos mesmos. Talvez uma divisão semelhante ocorresse nos séculos passados no Brasil. Não sabemos ao certo, mas os senhores de engenho - os ricos e torturadores de escravos - eram esses 1% de hoje. Possivelmente tiveram menos filhos que os demais brancos. Considerando esses meros detalhes, concluímos que uma minoria ao quadrado dos brancos de hoje seriam descendentes dos escravocratas. Se incluirmos os descendentes atuais de europeus e médio-orientais que vieram no final da escravidão, os descendentes dos escravocratas ficam ainda mais sufocados nas estatísticas. Pois bem, quem são esses descendentes e quantos deles ainda mantém a riqueza obtida com a escravidão? Dizem que o casal Suplicy fazem parte dessa minoria. Vão cobrar algo deles???



Se a Dívida Histórica baseia que os castigos físicos e psicológicos sofridos pelos negros devem ser indenizados para os seus descendentes, então vários brancos também deveriam ser indenizados. A existência de um(a) único(a) negro(a) na árvore genealógica de um branco faz dele um descendente de negros. Havia estupros de escravas pelos senhores de engenho, e isso obviamente deu origem a uma linhagem de negros, brancos e pardos. Mas como já disseram, não basta ter genótipos (os genes) negros, mas o fenótipo (a aparência). Haverá casos de um militante negro cobrar de seu primo branco de oitavo grau o seu lugar na vaga de faculdade. Brancos pobres terão que ceder seu lugar na faculdade para negros ricos como reparação histórica, e por aí se darão os ajustes históricos. Os antepassados do sujeito vieram para o Brasil no final da escravidão? Dane-se, é branco. Tem olhos puxados? Dane-se...!!!



E assim se faz uma Dívida Histórica tão questionável quanto é a Dívida Externa pelos idealizadores da primeira. Eles, por fim, acabam sendo o FMI da justiça histórica!!!






quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A indignação seletiva é coletiva. Tudo depende de quem mata e quem morre...!!!

Descanso o queixo sobre meu punho cerrado, observo, analiso, prescruto as reações das pessoas diante das mortes divulgadas na mídia, começando pelo tio do último imperador norte-coreano, passando pelo leão, pelo cãozinho e por outras dezenas de vítimas de todas as espécies ao redor do mundo, e terminando em algum morro carioca, finalmente chego a uma conclusão não muito chocante: a indignação – seletiva, p’rá variar – depende não apenas de quem morre, mas também, e talvez principalmente, de quem mata, não importando muito suas motivações, até porque, em caso de dúvidas e de quem mata, pode-se criar uma!!!


Vamos ao primeiro exemplo, já comentado bem aqui: Israel bombardeia Palestina. Quem foi bombardeado? A Palestina, mas podia ser uma piscina servindo de criadouro de mosquitos da dengue que não faria diferença nesse caso. O diferencial está em quem atacou: Israel. Mas qual o problema com Israel: 1) Trata-se de uma espécie de enclave americano. 2) É um país idealizado por banqueiros bilionários. Agora, substituam Israel por Jordânia e tentem imaginar a (falta de) indignação da elite humanitária. Soubeste dos ataques russos na Chechênia(?) ? Como reagiste? Pois é...!!!


Um exemplo mais próximo e individual: um menor é morto. Quem matou? Um policial. Surge a justa comoção internética. Ops, foi engano: um outro menor o matou; virou uma unidade perdida entre milhares de corpos espalhados pelo país. Volta a ser um pixel. Um homossexual é morto por um sujeito branco? Pronto, surge a justa indignação. Descobre-se, mais tarde, que foi morto por latrocínio. Pronto, os humanitários se indignarão, mas pela promoção de sua causa que criou asas. Um negro é morto por um branco? Racismo, é claro. Foi morto por latrocínio? Ah...hm...hã...duas vítimas do sistema!!!


O esquema funciona mais ou menos assim:





As “elites” representam basicamente nesse modelo os brancos ricos, os conservadores ou aquilo que entendem por conservadores, cristãos praticantes, americanos brancos de classe média para cima e associados dos EUA, políticos "de direita" e a polícia. Já as não-elites são todos os demais, incluindo os animais. Note que de todas as combinações possíveis, somente quando alguém da elite mata alguém da não-elite haverá indignação!!!


Esse esquema moral não é novo, na verdade, é uma reformulação do se fosse pobre, preto e prostituta já estaria preso, resquício de uma sociedade escravocrata oficialmente finda há relativamente pouco tempo. Nesse caso, temos algo assim:




Note novamente que em qualquer situação, só há indignação em uma das quatro situações.


Talvez para manter nossa sanidade em um mundo com cada vez mais mortes divulgadas (o que é diferente de um mundo mais violento), nossa mente acaba selecionando os tipos de mortes que devemos nos indignar. O problema são os critérios morais que usamos para tanto, aquilo que chamo de elites e não elites!!!


A minha reação diante de assassinatos é mais ou menos assim:




Escolhi a palavra bandidos para definir qualquer pessoa cujos atos causem algum tipo de sofrimento a outra pessoa, independentemente de raça, cor, sexo ou classe social. Roubar barras de chocolate no supermercado não merece mais que uma repreensão, mas roubar o salário de uma pensionista já chamo de “bandidagem”. No caso de não-bandido que mata outro não-bandido é algo raro, mas depende da situação!!!


O problema, portanto, não é a indignação seletiva, mas o que motiva a indignação de cada um. Estamos de olho!!!

quarta-feira, 25 de março de 2015

O fim do carro elétrico: quem ganhou?

Certamente já ouviu falar do carro-elétrico, de seus benefícios prometidos e de seu misterioso fim. Talvez tenha ouvido falar da lâmpada que nunca queima, do óbvio benefício e de seu aborto. O que esses produtos revolucionários tem em comum? São revolucionários. Teríamos produtos que causariam bem menos impacto ao meio ambiente e, o mais importante, bem menos impacto no bolso. Mas aí veio os interesses capitalistas – sempre eles - para apagar a luz da lâmpada eterna no fim do túnel do carro-elétrico.


Não penseis que vim destruir a crença, mas complementá-la. Complementá-la como se complementa um castelo de cartas, onde umas cartas a mais pode derrubar o castelo. Não penseis que vim destruir a crença em si, mas a mensagem por trás dela!!!


Por onde começamos? Talvez pelo conceito de empresa: uma organização composta basicamente de trabalhadores, empresários e máquinas. Essa empresa pode ser a grande geradora de empregos (trabalhadores) de uma cidade ou de uma região e responsável pela sua riqueza. Também temos uma matéria-prima de valor inestimável – o petróleo – responsável pela riqueza de países inteiros; países com milhões de habitantes!!!


Se os carro-elétricos vingassem, as empresas petrolíferas encerrariam suas atividades. Sem elas, tanto os empresários quanto os trabalhadores sairiam perdendo. Certamente mais esses últimos que os primeiros. A cidade ou região dependentes dessas empresas iriam a bancarrota. Ah, e o petróleo...todos os países-membros da OPEP ruiriam, assim como regiões que progrediram com a matéria-prima, como o Rio de Janeiro. Só aí são uns 15 milhões de suspeitos de torcerem pelo fim do carro-elétrico. E nem falei dos produtores de cana-de-açúcar, canola e soja, responsáveis pelo etanol, a menos que seja possível misturar 25% de etanol no lítio das baterias desses carro!!!


A crença continua inabalada, até porque não me interessa aqui desmentí-la, mas mostrar que não seriam os monstros de sempre (empresários, “barões”, “duques”, etc..) os únicos suspeitos pelo fim prematuro do carro-elétrico. Estranhamente, os sheiks árabes, apesar de sua opulência dependente do petróleo, não são mencionados entre os responsáveis por essa interrupção. Será que depois disso, sem querer, acabei com a crença ou deixei ela sem sentido, sem graça???

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Ah, sim, tudo isso vale para aquela lâmpada eterna!!!